Que canto
há de cantar o que perdura?
A sombra, o sonho, o labirinto, o caos
A vertigem de ser, a asa, o grito.
HILDA HILST
(1930 - 2004. Jaú / São Paulo)
A sombra, o sonho, o labirinto, o caos
A vertigem de ser, a asa, o grito.
HILDA HILST
(1930 - 2004. Jaú / São Paulo)
“Da
Noite”, 1992.
Ilustrações:
DAVID HOCKNEY
(1937 – 2026. Bradford / Reino Unido)
para os
tios médicos Zito, Aládio e Hugo
e os irmãos médicos Anna Áurea e Urbano
e os irmãos médicos Anna Áurea e Urbano
Parece-me que véus foram colocados sobre o pleno conhecimento da Verdade. Óbvio que é da vontade humana o conhecimento dos fatos. Ignorar não é uma opção. Sendo assim, soa defasada e até ignorante a defesa do esquecimento das crônicas de outros tempos. Eu vivo o presente com intensidade e gratidão, mas costumo viajar a universos paralelos da memória, dos sonhos, das artes, da fé cristã. Sigo a Verdade onde quer que vá, de olhos abertos para cada experiência que me é mostrada, com o propósito de transcender, seja espiritualmente ou intelectualmente. Todos somos humanos, mas nem todos estão na mesma direção. Contudo, há algo debaixo dos céus que não é possível tratar como aceitável. Não devemos banalizar a corrupção. É urgente resistir aos demônios do Supremo, do Congresso, do Planalto. Só quem navega por esses mares é que conhece seus terríveis desafios. Incluindo incautos que reputam como merecido castigo o tratamento inumano dado a idosos roubados, patriotas condenados e a Jair Messias Bolsonaro, um homem bom aprisionado.
Peço de coração humilde por cada um dos que nos perseguem, sem me tornar cúmplice da perversão moral que os enganou. Aprendi a combater os seus crimes, as suas injúrias, as suas maldades. Muitos esquerdistas são ignorantes e manipulados, outros são ladrões de almas. Em qual direção cada um está indo? A quem serve? De quem é aprendiz? Nossos erros nos levam, através do arrependimento, à comunhão, enquanto os da escória os arrastam a mais enganos e à perdição fatal. Entre o tempo e o vento, entre o ontem e o hoje, entre a miragem e a Verdade, eu me lembro. E escrevo. Aprendo com essas lembranças, suavizando a passagem neste mundo ingrato. Na última hora, voltando de um centro de saúde, pensei na classe médica, e um fato me levou a outros. Primeiro, a live “Muito Além do Envelhecimento Saudável”, revendo um ex-amante médico, colombiano, Ricardo Ramirez. Ele falou sobre ciência alongando a vida humana, restrição calórica, jejum intermitente. Concluiu que nas próximas décadas encontrar alguém de cem anos na rua será bastante comum.
Em 1999,
em Londres, dividi um apartamento com ele. Respondi a um anúncio de jornal, e
entre vários candidatos fui o escolhido. Moço belo e espirituoso, em paz com a
vida, estudante
de medicina. Com horários de estudo e trabalho diferentes, pouco nos
encontrávamos, mas quando acontecia resultava em longas conversas na cama acompanhados
de vinho tinto. Isso durou uns oito meses. Nas nossas tertúlias, eu falava de
literatura e cinema, e ele da história da medicina. Contou-me de Asclépio e
Esculápio — o mesmo deus da medicina, um grego e um romano — e do centauro
Quíron, que criou o filho de Apolo e ensinou a ele a arte de curar e de
ressuscitar mortos. Isso irritou Zeus, que fulminava qualquer um que ameaçasse
a linha entre mortais e imortais. Falou do R que todo médico escreve no início
de receita. Poucos sabem de onde vem. Vem do olho esquerdo de Hórus — o deus
egípcio que teve o olho arrancado numa batalha e recuperado pelo deus
Thot. O olho de Hórus lembra a letra R, e ao escrever aquela letra no início da
prescrição, o médico invoca proteção divina para o remédio que
prescreve.
Em êxtase, celebrou Agnodice, a primeira mulher a exercer medicina — que precisou se disfarçar de homem para estudar em Roma, foi acusada de seduzir outra mulher ao fazer exame ginecológico, e em pleno tribunal arrancou a roupa para provar que era fêmea. A partir daquele dia, as mulheres passaram a poder atuar como médica na Grécia. Contou da anestesia — da corrida épica entre Horace Wells, que usou óxido nitroso num dente na frente de todo o mundo e fracassou porque o paciente gordo tomava muita cachaça; e William Morton, que quatro anos depois fez a primeira demonstração pública bem-sucedida de éter, e o cirurgião Warren decretou ao anfiteatro lotado: “Senhores, isto não é farsa.” Falou sobre Fleming, que saiu de férias e esqueceu uma placa de bactérias aberta na bancada — e voltou para encontrar um fungo que matava tudo ao redor. Esse fungo era a penicilina. A contaminação acidental só funcionou porque o laboratório era pequeno, pouco arejado e as janelas davam para um parque. Condições ideais para um fungo voar e pousar onde não devia.
Narrou também a incrível história do pai de Churchill, que salvou um menino da morte em um pântano, e o pai do menino, agradecido, pagou a educação universitária do filho do salvador. Ele se chamava Winston. O menino do pântano, Alexander Fleming. Churchill sobreviveu a uma pneumonia na Segunda Guerra Mundial graças à penicilina descoberta pelo homem que seu pai havia salvado. Juntos, pelados, no leito, Ricardo contava essas narrativas encantadoras. Ao voltar para a violenta Bogotá, convidou-me para ir com ele. Preferi seguir em Londres. Avante, nostálgico, recordo-me de outro médico. Em São Paulo, íntimo de Hilda Hilst, passava os finais de semana na sua casa, em Campinas. A poeta admirava o ginecologista José Aristodemo Pinotti, ex-reitor da Unicamp e, na época, secretário Estadual da Saúde. Em 1982, a colocou no “Programa do Artista Residente”, resultando em subsídio generoso, e costumava enviar caixas de uísque escocês para a idosa beberrona. Quando ela soube que precisava de assessor de comunicação, sugeriu o meu nome.
Em êxtase, celebrou Agnodice, a primeira mulher a exercer medicina — que precisou se disfarçar de homem para estudar em Roma, foi acusada de seduzir outra mulher ao fazer exame ginecológico, e em pleno tribunal arrancou a roupa para provar que era fêmea. A partir daquele dia, as mulheres passaram a poder atuar como médica na Grécia. Contou da anestesia — da corrida épica entre Horace Wells, que usou óxido nitroso num dente na frente de todo o mundo e fracassou porque o paciente gordo tomava muita cachaça; e William Morton, que quatro anos depois fez a primeira demonstração pública bem-sucedida de éter, e o cirurgião Warren decretou ao anfiteatro lotado: “Senhores, isto não é farsa.” Falou sobre Fleming, que saiu de férias e esqueceu uma placa de bactérias aberta na bancada — e voltou para encontrar um fungo que matava tudo ao redor. Esse fungo era a penicilina. A contaminação acidental só funcionou porque o laboratório era pequeno, pouco arejado e as janelas davam para um parque. Condições ideais para um fungo voar e pousar onde não devia.
Narrou também a incrível história do pai de Churchill, que salvou um menino da morte em um pântano, e o pai do menino, agradecido, pagou a educação universitária do filho do salvador. Ele se chamava Winston. O menino do pântano, Alexander Fleming. Churchill sobreviveu a uma pneumonia na Segunda Guerra Mundial graças à penicilina descoberta pelo homem que seu pai havia salvado. Juntos, pelados, no leito, Ricardo contava essas narrativas encantadoras. Ao voltar para a violenta Bogotá, convidou-me para ir com ele. Preferi seguir em Londres. Avante, nostálgico, recordo-me de outro médico. Em São Paulo, íntimo de Hilda Hilst, passava os finais de semana na sua casa, em Campinas. A poeta admirava o ginecologista José Aristodemo Pinotti, ex-reitor da Unicamp e, na época, secretário Estadual da Saúde. Em 1982, a colocou no “Programa do Artista Residente”, resultando em subsídio generoso, e costumava enviar caixas de uísque escocês para a idosa beberrona. Quando ela soube que precisava de assessor de comunicação, sugeriu o meu nome.
Durante
quase dois anos trabalhei para Pinotti no Hospital da Mulher, na Avenida
Brigadeiro Luís Antônio, no bairro da Bela Vista. Talvez o mais decepcionante ofício
da minha carreira profissional. Sujeito arrogante, grosseiro e mandão, cerca de
56 anos, coordenador do local. De cara fechada, nem ao menos dava bom dia. Com
exceção dele, da minha juventude imatura e do capanga Luisinho da Pistola (levava
um revólver à vista) que nos vigiava, todos os outros funcionários eram
mulheres, umas quarenta, talvez mais, não me lembro bem, isso foi em 1990 e 1991.
Havia discussões, intrigas, fofocas, principalmente no refeitório, na hora do
almoço. Um universo feminino felliniano onde eu, um jovem atraente, driblava
propostas maliciosas de senhoras de meia-idade. A diretora-adjunta, a
cinquentona mal-humorada Maria Lúcia Tojal, odiava-me. As más línguas diziam que
ela tinha um caso com o chefe, mas nunca vi intimidade entre eles, e a minha
sala situava-se entre seus gabinetes. Se amantes, eram discretos. Charmoso, Pinotti
lembrava um galã canastrão.
Parceiro do governador Orestes Quércia, do PMDB, ele tinha ambições políticas, queria ser prefeito de Campinas. Eu o acompanhava em reuniões tucanas na capital paulista – inclusive com o bispo evangélico Edir Macedo, em um escritório com esculturas em ouro - ou no interior com prefeitos bajuladores. Ao me oferecer um confortável apartamento, na Rua Bela Vista, no requintado bairro Jardins, para que eu morasse gratuitamente, surpreendeu-me. Às vezes aparecia, consultava documentos, escrevia, lacrava a papelada em um cofre. Certa noite, tirou a roupa, deitou-se na cama e ordenou uma massagem. Aconteceu uma transa impessoal, repetindo-se outras vezes. Tornei-me um escravo sexual. Se não cedesse, perderia o emprego e o apartamento. Depois de reunião em Ubatuba com um deputado estadual e noitada erótica, partimos do hotel. No caminho, descontrolado, chorei. Olhou-me com gélida indiferença. Abri a porta do carro e me joguei na rodovia. Pinotti seguiu em frente. Arranhado, fiquei à espera de um ônibus. Nunca comentamos a respeito.
Antes de trabalhar no Hospital da Mulher, assessorei Pedro Paulo de Senna Madureira, editor-chefe na Siciliano. Também era um suplício, ele me assediava, tentava me beijar. Por fim, mandava rosas vermelhas ao meu apartamento. Simpático, culto, levava-me para jantar em restaurantes sofisticados, oferecia perfumes franceses e graças a ele conheci escritores notáveis: a própria Hilda, Lygia Fagundes Telles, Rachel de Queiróz, Roberto Piva, Adélia Prado, Glauco Mattoso, Lya Luft, Bruna Lombardi etc. Eu nunca cedi aos seus impulsos lascivos recorrentes. Nordestino romântico, vindo do interior para a selva de pedra, incomodava-me sua feiura e a gravata borboleta mimosa. Quando Hilda Hilst falou da possibilidade de um emprego, aceitei na hora. Foi uma decisão imatura, estava bem na Editora Siciliano. No novo trabalho, ao vazar que transava com o patrão desejado por todas, - estupidamente desabafei com colega que me acompanhava em vernissages e cinemas, Cecília, filha do ministro João Sayad, e ela me traiu -, gerou um escândalo. O mulherio desesperado surtou.
Parceiro do governador Orestes Quércia, do PMDB, ele tinha ambições políticas, queria ser prefeito de Campinas. Eu o acompanhava em reuniões tucanas na capital paulista – inclusive com o bispo evangélico Edir Macedo, em um escritório com esculturas em ouro - ou no interior com prefeitos bajuladores. Ao me oferecer um confortável apartamento, na Rua Bela Vista, no requintado bairro Jardins, para que eu morasse gratuitamente, surpreendeu-me. Às vezes aparecia, consultava documentos, escrevia, lacrava a papelada em um cofre. Certa noite, tirou a roupa, deitou-se na cama e ordenou uma massagem. Aconteceu uma transa impessoal, repetindo-se outras vezes. Tornei-me um escravo sexual. Se não cedesse, perderia o emprego e o apartamento. Depois de reunião em Ubatuba com um deputado estadual e noitada erótica, partimos do hotel. No caminho, descontrolado, chorei. Olhou-me com gélida indiferença. Abri a porta do carro e me joguei na rodovia. Pinotti seguiu em frente. Arranhado, fiquei à espera de um ônibus. Nunca comentamos a respeito.
Antes de trabalhar no Hospital da Mulher, assessorei Pedro Paulo de Senna Madureira, editor-chefe na Siciliano. Também era um suplício, ele me assediava, tentava me beijar. Por fim, mandava rosas vermelhas ao meu apartamento. Simpático, culto, levava-me para jantar em restaurantes sofisticados, oferecia perfumes franceses e graças a ele conheci escritores notáveis: a própria Hilda, Lygia Fagundes Telles, Rachel de Queiróz, Roberto Piva, Adélia Prado, Glauco Mattoso, Lya Luft, Bruna Lombardi etc. Eu nunca cedi aos seus impulsos lascivos recorrentes. Nordestino romântico, vindo do interior para a selva de pedra, incomodava-me sua feiura e a gravata borboleta mimosa. Quando Hilda Hilst falou da possibilidade de um emprego, aceitei na hora. Foi uma decisão imatura, estava bem na Editora Siciliano. No novo trabalho, ao vazar que transava com o patrão desejado por todas, - estupidamente desabafei com colega que me acompanhava em vernissages e cinemas, Cecília, filha do ministro João Sayad, e ela me traiu -, gerou um escândalo. O mulherio desesperado surtou.
Ao
comunicar minha demissão, a monstruosa Lucinha Tojal me deu um tapa na cara. Perplexo,
não reagi. Tentei o apoio de Pinotti e ele mandou um recado duro dizendo que
não falava com caluniadores. Dois dias depois, a polícia bateu na minha porta,
acusado de roubo no trabalho, ameaçado e levado a uma delegacia para
interrogatório. Horas depois, o capanga Luisinho da Pistola apareceu, eu tinha
uma semana para entregar o apartamento. No dia seguinte, voltei ao hospital,
direto para a sala de Lucinha Tojal, prometendo em voz alta: “Se não me
deixarem em paz e não pagarem justamente o meu tempo de serviço, irei à Folha
de S. Paulo e contarei o que está acontecendo. De como fui assediado
sexualmente por Pinotti e como estou sendo perseguido por sua amásia”. Chocada,
ela se sentou, respirou fundo, garantiu que tudo seria resolvido sem problemas.
E cumpriu a promessa. Entretanto, foi um dos piores momentos da minha vida. Desiludido, arrumei as malas e
voltei para a Bahia, indo trabalhar em Ilhéus com outro político oportunista e desprezível,
Jabes Ribeiro.
A maldade sofrida marcou-me profundamente, mas nunca desejei mal para nenhum pra eles, ciente que o destino prega surpresas. Quatro anos depois, em 1995, Mirella, a filha que Pinotti amava mais do que tudo na vida, morreu tragicamente aos 19 anos, vítima de um acidente automobilístico, em Campinas. No mesmo ano, o doutor e Lucinha Tojal mergulharam em um grande escândalo manchete nos jornais de São Paulo. Suspeitos de receber propina, quando ele atuou como Secretário de Saúde, no esquema de corrupção no PAS (Plano de Atendimento a Saúde), foram acusados de improbidade administrativa por irregularidades em licitação pública. Na ocasião, ela revelou à mídia: “Não vou falar nada, podem até me levar presa. Se eu falar vou ficar solta, mas posso morrer. É muito dinheiro que está em jogo”. Recebiam de empresários cerca de R$ 1 milhão por mês e às vezes o valor chegava a R$ 5 milhões. Os fornecedores de medicamentos e de materiais para os módulos do PAS, cúmplices, permitiam o superfaturamento. Mas não deu em nada. Os tentáculos tucanos de Pinotti abafaram completamente o crime.
Pouco antes de morrer, em 2020, nova infâmia sujou Lucinha Tojal, processada por fraude na venda de um terreno de herança. Felizmente nunca mais voltei a encontrar esses monstros. Ele faleceu em 2009, vitimado por um câncer avassalador. Doutor Ricardo Ramirez e Doutor José Aristodemo Pinotti foram a maior aproximação que tive em toda uma vida com a classe médica. Na minha família, três tios médicos morreram jovens. Dois irmãos são médicos, profissionais dedicados, uma ginecologista e um gastroenterologista. Saudável sempre, meu primeiro problema de saúde surgiu de uma depressão profunda que cegou o olho esquerdo, em 2015. Passei por cirurgias. Depois dos cinquenta, apareceu a incômoda erisipela, levando-me a rápidas internações e cuidados constantes. Está tudo sob controle. Portanto, tenho vivência médica pífia. Conheço mais a medicina através dos livros e do cinema. O primeiro deles, o Dr. Bernard Rieux de “A Peste”, de Camus, em combate contra uma epidemia na Argélia. Ele lida com o absurdo da morte com compaixão.
A maldade sofrida marcou-me profundamente, mas nunca desejei mal para nenhum pra eles, ciente que o destino prega surpresas. Quatro anos depois, em 1995, Mirella, a filha que Pinotti amava mais do que tudo na vida, morreu tragicamente aos 19 anos, vítima de um acidente automobilístico, em Campinas. No mesmo ano, o doutor e Lucinha Tojal mergulharam em um grande escândalo manchete nos jornais de São Paulo. Suspeitos de receber propina, quando ele atuou como Secretário de Saúde, no esquema de corrupção no PAS (Plano de Atendimento a Saúde), foram acusados de improbidade administrativa por irregularidades em licitação pública. Na ocasião, ela revelou à mídia: “Não vou falar nada, podem até me levar presa. Se eu falar vou ficar solta, mas posso morrer. É muito dinheiro que está em jogo”. Recebiam de empresários cerca de R$ 1 milhão por mês e às vezes o valor chegava a R$ 5 milhões. Os fornecedores de medicamentos e de materiais para os módulos do PAS, cúmplices, permitiam o superfaturamento. Mas não deu em nada. Os tentáculos tucanos de Pinotti abafaram completamente o crime.
Pouco antes de morrer, em 2020, nova infâmia sujou Lucinha Tojal, processada por fraude na venda de um terreno de herança. Felizmente nunca mais voltei a encontrar esses monstros. Ele faleceu em 2009, vitimado por um câncer avassalador. Doutor Ricardo Ramirez e Doutor José Aristodemo Pinotti foram a maior aproximação que tive em toda uma vida com a classe médica. Na minha família, três tios médicos morreram jovens. Dois irmãos são médicos, profissionais dedicados, uma ginecologista e um gastroenterologista. Saudável sempre, meu primeiro problema de saúde surgiu de uma depressão profunda que cegou o olho esquerdo, em 2015. Passei por cirurgias. Depois dos cinquenta, apareceu a incômoda erisipela, levando-me a rápidas internações e cuidados constantes. Está tudo sob controle. Portanto, tenho vivência médica pífia. Conheço mais a medicina através dos livros e do cinema. O primeiro deles, o Dr. Bernard Rieux de “A Peste”, de Camus, em combate contra uma epidemia na Argélia. Ele lida com o absurdo da morte com compaixão.
Com certeza esta crônica resultará na maledicência, na soberba e no dedo apontado dos que não se interessam em frear o mal-uso, desonesto, dos que através desta sociedade corrupta costumam arvorar contra os verdadeiros. Sigo em frente, sem motivo aparente recordando o que passou. Abraço a memória, ouço pacientemente, presto favores ao tempo, questiono, e me interesso. E quando me cansar de aprender em meio ao medíocre, não desistirei por isto, de tentar plantar em solo fértil, pois o sentido da Verdade é dar fruto aos outros. Se necessário, desisto de quem não quer saber a Verdade, mas nunca desistirei de respeitá-la.
![]() |
| w. somerset maugham |
DEZ
MÉDICOS ESCRITORES
01
A.J. CRONIN
(1896 – 1981. Cardross, Escócia / Reino Unido)
02
ANTON TCHEKHOV
(1860 – 1904. Taganrog / Rússia)
03
GUIMARÃES ROSA
(1908 – 1967. Cordisburgo / Minas Gerais)
04
LOUIS-FERDINAND CELINE
(1894 – 1961. Courbevoie / França)
05
MIGUEL TORGA
(1907 – 1995. São Martinho de Anta / Portugal)
06
MOACYR SCLIAR
(1937 – 2011. Porto Alegre / Rio Grande do Sul)
07
PEDRO NAVA
(1903 – 1980. Juiz de Fora / Minas Gerais)
08
ROBIN COOK
(1940. Nova Iorque / EUA)
09
WILLIAM CARLOS WILLIAMS
(1883 – 1963. Rutherford, Nova Jersey / EUA)
10
W. SOMERSET MAUGHAM
(1874 – 1965. Paris / França)
01
A.J. CRONIN
(1896 – 1981. Cardross, Escócia / Reino Unido)
02
ANTON TCHEKHOV
(1860 – 1904. Taganrog / Rússia)
03
GUIMARÃES ROSA
(1908 – 1967. Cordisburgo / Minas Gerais)
04
LOUIS-FERDINAND CELINE
(1894 – 1961. Courbevoie / França)
05
MIGUEL TORGA
(1907 – 1995. São Martinho de Anta / Portugal)
06
MOACYR SCLIAR
(1937 – 2011. Porto Alegre / Rio Grande do Sul)
07
PEDRO NAVA
(1903 – 1980. Juiz de Fora / Minas Gerais)
08
ROBIN COOK
(1940. Nova Iorque / EUA)
09
WILLIAM CARLOS WILLIAMS
(1883 – 1963. Rutherford, Nova Jersey / EUA)
10
W. SOMERSET MAUGHAM
(1874 – 1965. Paris / França)
DEZ
MÉDICOS na LITERATURA
01
Andrew Manson em “A Cidadela” (1937)
de A.J. Cronin
02
Bernard Rieux em “A Peste” (1947)
de Albert Camus
03
Carlos Bovary em “Madame Bovary” (1856)
de Gustave Flaubert
04
Dick Diver em “Suave é a Noite” (1934)
de F. Scott Fitzgerald
05
Eugênio Fontes em “Olhai os Lírios do Campo” (1936)
de Érico Veríssimo
06
Henry Jekyll em “O Médico e o Monstro” (1886)
de Robert Louis Stevenson
07
Lucas em “Médico de Homens e de Almas” (1958)
de Taylor Caldwell
08
Martin Arrowsmith em “Doutor Arrowsmith” (1925)
de Sinclair Lewis
09
Philip Carey em “Servidão Humana” (1915)
de W. Somerset Maugham
10
Yuri Zhivago em “Doutor Jivago” (1957)
de Boris Pasternak
01
Andrew Manson em “A Cidadela” (1937)
de A.J. Cronin
02
Bernard Rieux em “A Peste” (1947)
de Albert Camus
03
Carlos Bovary em “Madame Bovary” (1856)
de Gustave Flaubert
04
Dick Diver em “Suave é a Noite” (1934)
de F. Scott Fitzgerald
05
Eugênio Fontes em “Olhai os Lírios do Campo” (1936)
de Érico Veríssimo
06
Henry Jekyll em “O Médico e o Monstro” (1886)
de Robert Louis Stevenson
07
Lucas em “Médico de Homens e de Almas” (1958)
de Taylor Caldwell
08
Martin Arrowsmith em “Doutor Arrowsmith” (1925)
de Sinclair Lewis
09
Philip Carey em “Servidão Humana” (1915)
de W. Somerset Maugham
10
Yuri Zhivago em “Doutor Jivago” (1957)
de Boris Pasternak
DEZ
MÉDICOS no CINEMA
01
Bill Harford (Tom Cruise)
em “De Olhos Bem Fechados / Eyes Wide Shut” (1999)
02
Bob Merrick (Rock Hudson)
em “Sublime Obsessão / Magnificent Obsession” (1954)
03
Bull (Will Rogers)
em “Doutor Bull / Doctor Bull” (1933)
04
Frederick Steele (George Brent)
em “Vitória Amarga / Dark Victory” (1939)
05
Herbert Bock (George C. Scott)
em “O Hospital / The Hospital” (1971)
06
Jack MacKee (William Hurt)
em “Um Golpe do Destino / The Doctor” (1991)
07
Josef Mengele (Gregory Peck)
em “Os Meninos do Brasil / The Boys from Brazil” (1978)
08
Joseph Pearson (Fredric March)
em “Preceito de Honra / The Young Doctors” (1961)
09
Martin Arrowsmith (Ronald Colman)
em “Médico e Amante / Arrowsmith” (1931)
10
Yuri Jivago (Omar Sharif)
em “Doutor Jivago / Doctor Zhivago” (1965)
01
Bill Harford (Tom Cruise)
em “De Olhos Bem Fechados / Eyes Wide Shut” (1999)
02
Bob Merrick (Rock Hudson)
em “Sublime Obsessão / Magnificent Obsession” (1954)
03
Bull (Will Rogers)
em “Doutor Bull / Doctor Bull” (1933)
04
Frederick Steele (George Brent)
em “Vitória Amarga / Dark Victory” (1939)
05
Herbert Bock (George C. Scott)
em “O Hospital / The Hospital” (1971)
06
Jack MacKee (William Hurt)
em “Um Golpe do Destino / The Doctor” (1991)
07
Josef Mengele (Gregory Peck)
em “Os Meninos do Brasil / The Boys from Brazil” (1978)
08
Joseph Pearson (Fredric March)
em “Preceito de Honra / The Young Doctors” (1961)
09
Martin Arrowsmith (Ronald Colman)
em “Médico e Amante / Arrowsmith” (1931)
10
Yuri Jivago (Omar Sharif)
em “Doutor Jivago / Doctor Zhivago” (1965)

























Nenhum comentário:
Postar um comentário