Não há
dia claro, nem céu azul,
nem esperança de futuro, que resista
ao assalto das lembranças.
RACHEL de QUEIRÓZ
(1910 – 2003. Fortaleza / Ceará)
“Memorial de Maria Moura”
O socialismo é uma ideia falida
que nunca deu certo em lugar nenhum.
Todas as experiências socialistas
terminaram em fracasso.
THOMAS SOWELL
(1930. Gastonia, Carolina do Norte / EUA)
nem esperança de futuro, que resista
ao assalto das lembranças.
RACHEL de QUEIRÓZ
(1910 – 2003. Fortaleza / Ceará)
“Memorial de Maria Moura”
O socialismo é uma ideia falida
que nunca deu certo em lugar nenhum.
Todas as experiências socialistas
terminaram em fracasso.
THOMAS SOWELL
(1930. Gastonia, Carolina do Norte / EUA)
Fotografias:
GUEÓRGUI PINKHASSOV
(1953. Moscou / Rússia)
e
VLADÍMIR LAGRANGE
(1939 – 2022. Moscou / Rússia)
para
Mariazinha, uma grapiúna sensata
PRÓLOGO
A memória, episódica, assim como os sonhos, não é confiável – porque inconscientemente tendemos a “escolher” os melhores momentos e “desvirtuar” os fatos ouvidos ou experimentados. Portanto, nem toda recordação é totalmente fiel. A memória às vezes “esquece” ou preenche lacunas do passado com hipotéticos acontecimentos. Esse texto, segue os passos de um moço singular na biografia da minha família. Lembranças e descobertas entrelaçam-se num fluxo de imagens, resultando em um memorial honesto, íntimo e pessoal.
O AMIGO
COMUNISTA do MEU PAI
Parte I
Parte I
O tempo da cordialidade de Deca, na década de 1970, ficou para trás. Apesar de ser reconhecido como de esquerda, quiçá um comunista, tinha posições que, atualmente, o colocariam com facilidade na categoria de um sujeito decente, diferente da falta de escrúpulos do marxista habitual. Mesmo porque, como ele disse certa vez a papai, com um toque de inocência, “sou simpatizante, há muito tempo, do comunismo porque acho que de fato existe uma desigualdade muito grande entre ricos e pobres, e acredito que o comunismo combate essa injustiça”. Foi a única vez que eu o ouvi falar sobre política, e isso porque eles não perceberam que eu estava num canto da sala, sentado no assoalho, lendo um romance de aventuras de Sir Walter Scott. Ele e papai eram amigos inseparáveis. Nosso parente distante, da família do avô paterno Zé Bispo - os Riachão -, morava em Itapetinga, uma cidadezinha próxima de Itabuna, no Sul da Bahia. Filho da cacauicultora Dona Visita, senhora querida por todos, talvez atuasse profissionalmente como professor ginasial ou veterinário, não me lembro bem.
Parte II
Ele morou uma temporada, misteriosa, sem informações, no Rio de Janeiro, mas há suspeitas que nessa jornada fez treinamentos de guerrilha rural na Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), no Vale do Ribeira, na região sul de São Paulo. Deca passava semanas conosco, depois desaparecia por meses, sem dar notícias. Soube anos depois que fugia do Regime Militar, e nosso lar servia de esconderijo. Certa tarde, o hóspede lia em voz alta “A Ilha do Tesouro”, eu atento. “Querem prendê-lo. Ande rápido, esconda-se no sótão”, alertou meu pai, chegando da rua, afobado. No meu quarto, ele subiu no guarda-roupa, entrando no teto por uma tampa, em silêncio, na companhia de morcegos. Dois policiais do DOI-CODI (Destacamento de Operações de Informação – Centro de Operações de Defesa Interna) chegaram em questão de minutos, aparentemente constrangidos pediram licença para dar uma olhada na residência. De cara fechada, papai não disse uma palavra sobre a vistoria humilhante. Mamãe, os quatro irmãos e eu sentados no sofá, assombrados, sem nada entender.
Parte III
Papai era de direita. Nasci numa família conservadora que apreciava o General João Baptista Figueiredo e o governador baiano Antônio Carlos Magalhães (ACM), o Toninho Malvadeza. Em casa, ouvia elogios ao Regime Militar, aprendendo que o Brasil se modernizou, vivia o chamado “milagre econômico”, com seu PIB crescendo anualmente. Havia ordem nas ruas e os comunistas eram caçados implacavelmente, fichados pelo DOPS como “elementos subversivos”. Papai se revoltava com as manchetes da mídia destacando assaltos a bancos e quartéis para financiar a luta armada. Defendia a presença militar no cotidiano social e político. Lia diariamente “O Globo”, que naqueles anos era o veículo de comunicação que apoiava os militares. Admirava Nelson Rodrigues na crônica; David Nasser e Paulo Francis no jornalismo; Gilberto Freyre na sociologia; Sobral Pinto no direito; Roberto Campos na economia; José Bonifácio de Andrada, Plínio Salgado e Carlos Lacerda na política; Câmara Cascudo e Pedro Calmon na historiografia; e os generais Newton Cruz e Brilhante Ustra.
Parte IV
Ele respeitava o primeiro presidente militar, o moderado Marechal Castelo Branco, e debochava de Emílio Garrastazu Médici, afirmando ser um ignorante, um jumento da cabeça aos pés. Amado incondicionalmente pelos filhos, assistíamos juntos aos seriados “Combate”, “Havaí 5-0”, “Missão Impossível” e “Daniel Boone”, e ao programa do polêmico Flávio Cavalcanti. Franco e direto em suas opiniões, o apresentador criticava duramente artistas que considerasse ruins ou com músicas medíocres, com direito a quebrar ao vivo os discos deles. Criou bordões marcantes, como “Nossos comerciais, por favor!”, ao chamar o intervalo. Papai tinha uma robusta biblioteca com coleções de enciclopédias e clássicos literários, lia as revistas “O Cruzeiro” e “Realidade”, e se divertia com os quadrinhos do caubói “Tex”, de Bonelli e Galleppini, ou os livros de bolso de faroeste. Criticava a esquerda acéfala, mas sua amizade com o comunista Deca ia além de controvérsias políticas. Eles conversavam por horas, riam de piadas chulas. Deca chamava papai de Tonho Sorriso.
Parte V
Alguns anos mais velho que papai, branco, forte, alto, porte imponente, carismático, todos gostavam de Deca. Simples, informal, comilão, usava calçados franciscanos de couro cru. Inteligente, de cultura vasta, parecia capaz de abordar qualquer assunto, sem pompa nem jamais sendo o dono da verdade. Como saia raramente de casa, sempre estava conversando, cochilando ou lendo. Também escrevia em um velho caderno de molas. Eu era menino no tempo em que ele se hospedava conosco. Tinha entre oito e treze anos. Encabulado, vivia em uma nave espacial própria ou uma ilha de aventuras românticas. Encantava-me ser o objeto de atenção daquele senhor admirável de mais de 40 anos. Ele me indicava livros. Jules Verne e a “Viagem ao Centro da Terra”, “As Mil e Uma Noites”, Mark Twain, Rudyard Kipling, Alexandre Dumas, C. S. Lewis, Tolkien, Monteiro Lobato, Lewis Carrol, Rafael Sabatini, “O Último dos Moicanos” de James Fenimore Cooper. Conversava sobre o enredo, o autor, o contexto histórico, os personagens. Ouvia com atenção as minhas impressões ingênuas.
Parte VI
Eu nunca esqueci. Eu nunca o esqueci. O comunista me apresentou ao maravilhoso universo dos livros. Revelou-me que livros possuem um poder único: dão vida a lugares alternativos criados por autores. Há alegria, tristeza e esperanças nas suas páginas, assim como histórias. Como um bom conservador que tento ser, busco na leitura e na experiência sinais para meus posicionamentos, bem como para a maneira de ver o cotidiano e compreender suas adversidades. Vivi e me inteirei do Regime Militar através de papai e alguns outros. Eu ficava atento aos seus comentários abruptos ao ver uma determinada notícia na tevê. Procurava entender o que diziam. Lia na imprensa as matérias policiais e de política. Aprendi cedo que o comunismo é autoritário, malévolo, sanguinário. Com os militares no poder foram presos subversivos que queriam o nefasto comunismo para o Brasil, resultando em 350 mortos e desaparecidos. Os que não aceitaram os generais foram viver nas capitalistas Londres, Paris, Nova York, Roma. Nenhum foi para Cuba, Rússia, China ou Coreia do Norte.
Parte VII
Os terroristas foram anistiados e indenizados nos governos do Partido das Trevas (PT), e hoje esses mesmos condenam - e sem anistia - patriotas que não saquearam, não mataram, se quer dispararam um tiro, estavam apenas inconformados que uma facção criminosa voltasse ao Palácio do Planalto. O que pensaria Deca, se vivo fosse, com um corrupto na Presidência ou com uma primeira-dama vulgar, ignorante e de passado indecoroso? Que pensaria diante dessa decadência espiritual que se instaurou em todo uma nação, dando ensejo ao surgimento de tiranos? Possivelmente estaria horrorizado. Não há como aceitar a imoralidade, a exploração social e o roubo em nome da realização política, nem sob a alegação hipócrita do governante estar buscando o bem do povo. Quem quer que sucumba a esse pensamento sem levar em consideração a degradação insultante no comportamento do presidente ébrio, fatalmente é cúmplice de males. Deca não se conformaria de maneira alguma com tal maldição. Era de um comunismo utópico, como os magníficos Jorge Amado e Rachel de Queiróz, que desiludiddos descartaram o genocida Josef Stalin para todo o sempre.
Parte
VIII
A primeira vez que ouvi falar da cearense Rachel, veio da boca do padrinho Gervásio. Ele folheava “O Jogador de Sinuca e mais Historinhas” (1980), e eu perguntei sobre a autora, respondeu que ela teve uma juventude alinhada ao comunismo, chegando a integrar o Partido Comunista Brasileiro (PCB), mas consolidou-se como uma intelectual de direita a partir dos anos 1950. Entusiasta do Regime Militar, manteve proximidade com Castelo Branco. Encantado, fui à Livraria Odette e comprei das mãos de Dona Wilma “O Quinze” (1930). Li quase todos os seus poderosos livros e cheguei a conhecê-la em São Paulo, bastante idosa, lúcida, na companhia do editor da Siciliano e poeta Pedro Paulo de Senna Madureira. Ao falar com empolgação sobre Rachel de Queiróz, Deca silenciou, evitando comentários. Esse moço bom um dia desapareceu das nossas vidas, assim como papai, que morreu jovem, em 3 de janeiro de 1992, aos 57 anos de idade. Como a memória não é das melhores, restaram fragmentos de suas visitas abençoadas e proveitosas indicações literárias.
Parte IX
Recordo-me de Deca alegre, deitado no sofá, assistindo partidas de futebol, ouvindo rádio. Interagia com todos da nossa residência, inclusive os criados. Solteirão, sussurravam do seu noivado durante anos com uma professora icônica de Itabuna, Ritinha Fontes. Pouco mais sei sobre ele. Sua mãe, Dona Visita, morreu há séculos. Seus irmãos, Zé Alves e Niva, madrinha de papai, enterrados. Consigo vê-lo perfeitamente nas nossas casas nas ruas Ramiro Nunes de Aquino e Né Abade, e na fazenda Bela Vista. Sei que era do signo de leão, morou no final da vida em Serra Grande, pertinho de Ilhéus. Não descobri como foi o seu fim. Talvez enterrado numa cova anônima. Soube que se chamava Valdeck Alves do Nascimento, nascido em 1933. Como goleiro admirável, defendeu o Flamengo (conhecido como Seleção de Itapetinga) na década de 1950, consolidando-se como um dos pioneiros da crônica do time no Campeonato Intermunicipal. Na época, o futebol amador da região funcionava bem diferente da estrutura atual, e os atletas jogavam por amor à camisa e ao município.
Parte X
“O comunismo é uma força das trevas...
uma espécie de negação da humanidade.”
ROGER SCRUTON
(1944 – 2020. Buslingthorpe / Reino Unido)
“O comunismo é uma força das trevas...
uma espécie de negação da humanidade.”
ROGER SCRUTON
(1944 – 2020. Buslingthorpe / Reino Unido)
Ao contrário dos meus irmãos, nunca conversei com ele sobre esse esporte. Eu não gosto de futebol, não acompanho a Copa do Mundo, não saberia escalar dois jogadores. Acompanho apenas notícias da trajetória gloriosa dos conservadores Neymar e Cristiano Ronaldo. E, ainda assim, continuo sendo brasileiro, para a surpresa de quem acha que cidadania vem acompanhada de veneração ao futebol. Nos velhos tempos, enquanto os manos jogavam, eu caminhava sem destino. Era seguro. As gerações mais novas não sabem disso, mas até os anos 1980 a rotina do brasileiro não incluía preocupação com o crime. Ia a qualquer lugar sem medo. Garotão, não me deixava influenciar pelos militantes de plantão contrários ao Regime Militar. No Colégio Divina Providência, um professor anunciou o estudo de “Vidas Secas”, do “maior escritor brasileiro” Graciliano Ramos. Eu pedi licença e soltei o verbo: “Um romance mediano, subestimado. O autor é um imundo comunista”. O comentário gerou indignação, mas não voltei atrás e argumentei ter direito a opinião própria.
Parte XI
Nos anos seguintes, ignorei os lacradores que falavam barbaridades dos militares. Sabia a verdade, eu era um leitor, pesquisava com os mais velhos. Embora morasse numa pequena cidade, onde aparentemente nada acontecia, me informava com intelectuais imparciais. O Regime Militar adotava uma diretriz nacionalista, desenvolvimentista e anticomunista. Implantado em 1964, depois de uma avassaladora pressão da sociedade. O presidente Jânio Quadros havia renunciado e seu vice, o esquerdista João Goulart, assumiu o cargo, gerando temor que o Brasil se juntasse a Cuba em um bloco comunista na América Latina. Tal possibilidade de alinhamento, em tempos de Guerra Fria, surtou a população. Goulart, filiado ao Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), era herdeiro político do ditador Getúlio Vargas. Nomes influentes como Carlos Lacerda e Juscelino Kubitschek, magnatas da mídia (Roberto Marinho, Octávio Frias, Júlio de Mesquita Filho), a Igreja Católica, os latifundiários, os industriais e a classe média pressionaram as Forças Armadas para remover o seu governo.
Parte XII
A mobilização foi iniciada em 31 de março de 1964. Quatro dias depois, João Goulart partiu para o exílio no Uruguai. Não há dúvidas, o Regime Militar nos salvou do comunismo. Durante a sua governança, a esquerda armada cometeu execuções, parte delas dentro da própria militância. Os chamados justiçamentos eram tribunais sem possibilidade de defesa, nos quais integrantes considerados traidores ou dissidentes eram condenados à morte pelos membros. A Ação Libertadora Nacional (ALN), violento grupo guerrilheiro criado pelo subversivo Carlos Marighella e principal braço armado da esquerda, foi o maior executor dos justiçamentos. Era crime premeditado, extremadamente planejado. Um crime frio e cruel de uma doutrina comunista que sobrepunha os fins aos meios. Como exemplo, o professor Francisco Jacques de Alvarenga, da Resistência Armada Nacionalista (RAN), acusado de alta traição, foi executado com quatro tiros por um comando da ALN em 28 de junho de 1973, no colégio Veiga de Almeida, no bairro carioca da Tijuca, onde ensinava História.
Parte
XIII
Os comunistas executados pelos companheiros somam-se à lista das 120 vítimas da esquerda armada, disponível no site “Terrorismo Nunca Mais”. Divulgado em 2014, o relatório final da Comissão Nacional da Verdade (CNV) reconheceu oficialmente 434 mortos e desaparecidos políticos no Brasil entre 1946 e 1988. Segundo especialistas, um número pequeno quando comparado ao Chile e Argentina (onde o total de vítimas diretas reconhecidas oficialmente é de, respectivamente, cerca de 3 mil e 9 mil). Mas por que os bons são afetados pelas ações dos maus? Talvez porque os bons não façam o suficiente para impedir que os iníquos extrapolem. Quando ouço ou leio defesas de ideias políticas sem um exame lógico ou moral simples, fico intrigado. Causa-me espécie a desfaçatez de escritores e intelectuais apoiando a corrompida esquerda. O socialismo, o globalismo, o petismo e o esquerdismo são máscaras do comunismo. Ideologias baseadas em utopias prejudiciais à liberdade e à economia de mercado, resultando em regimes autoritários e miséria.
Parte XIV
É impressionante que mesmo diante de tudo o que foi feito de trágico em nome do comunismo, um número considerável de sujeitos influentes ainda o defenda. Para quem têm o mínimo de discernimento, não é difícil perceber que, de fato, os dias no Brasil atual são aterrorizantes. Até aos não religiosos, a advertência de Jesus, dizendo que “sabemos que somos de Deus, e que o mundo jaz no maligno” (1 João 5:19) parece ser direcionada ao nosso sofrido país. Como nunca fui de esquerda, provavelmente por personalidade e educação, penso que as mudanças devem acontecer dentro da ordem vigente e não a destruindo. Nunca vi com bons olhos manifestações canhotas. São selvagens. Sei que nenhuma milícia me define. O que me define está no ortodoxo e não no dogmático. A educação recebida por meus pais me define; o que li e estudei me definem; as viagens e as amizades que fiz me definem; os filmes que vi e as músicas que ouvi me definem; conquistas e decepções me definem; a fé em Jesus Cristo e na Virgem Maria me define. Minha história me define.
Parte XV
Não é incomum ser conservador, diz Roger Scruton. O que é incomum é ser um intelectual conservador. No mundo acadêmico aparelhado o ambiente é hostil aos valores tradicionais. Assim, 70% dos professores se identificam à esquerda. As tentativas honestas de viver de acordo com as próprias ideias, cuidando da família, cultuando seu Deus e adotando uma cultura determinada – essas iniciativas são ridicularizadas pelo veneno esquerdista. Os conservadores são constantemente insultados e informados de que suas ações e sentimentos são reacionários, preconceituosos, sexistas ou racistas. Essa deve ser uma das razões pela crescente hostilidade com o discurso nocivo da esquerda. Parte do sentimento de rejeição vem dessa tirania ideológica e do cancelamento de quem discorda dela. Nunca flertei com ideias comunistas, sempre me dediquei a analisar os acontecimentos políticos e culturais do país pelas lentes do conservadorismo. Lembro-me do intenso prazer quando ainda estudante ginasial li o belo e expressivo “O Desencanto do Mundo” (1965), de Gustavo Corção.
Parte XVI
Refleti muito com Corção. O autor foi um ferrenho apoiador do Regime Militar no Brasil, e o considerava tolerante demais com a esquerda. Combateu a Teologia da Libertação, contra a qual escreveu uma obra preciosa. Em 1980, alertou contra “perigo da infiltração da filosofia marxista no ensino”. Ao assumir publicamente meu conservadorismo na campanha de Jair Messias Bolsonaro, em 2018, muito me foi tirado – a agitada vida social, o convívio literário, a paz de espírito, a saúde. Mas muito mais recebi em compensação: a união incondicional da família, a generosidade de amigos apoiadores, a fé cristã que salvou minha vida e a verdade a quem estou sob seus cuidados desde sempre. Caindo ao fundo do poço, fui surpreendentemente alçado ao topo, e olhando para trás, para a sequência de eventos, só posso me alegrar por ter vivido o suficiente para ver isso acontecer. Com a maturidade, começamos a entender o significado da vida, e esse significado é gratidão, honestidade, justiça para todos, política do bem. A maturidade permite essa consciência.
Parte
XVII
Não raro somos obrigados a desistir, superar conflitos, contemporizar com a realidade, que sempre se impõe. Eu, guerreiro, trilho o escolhido caminho de pedras. Não mudei de ideologia, procuro me aprofundar. A experiência diz que com o comunismo não há saída, é o próprio labirinto do inferno. O que temos e o que somos não são apenas méritos nossos. Dependemos da sorte, do aprendizado e de bênçãos divinas. Procuro envelhecer com dignidade, sabedoria e esperança. Dono de um texto que perfuma o leitor através de argumentos virtuosos, abomino o fanatismo macabro petista. Trata-se de um discurso recorrente e alienado, que não enxerga o Brasil, jamais pensa na dramática incerteza em que vivemos. Egoístas que não se importam com o desastre econômico, a inflação galopante, os recorrentes impostos, o desemprego catastrófico, os doentes maltratados, estradas abandonadas, escândalos de corrupção. Todo cidadão de bem deve combater a máxima de que os fins justificam os meios. O mal está onde menos se espera, é preciso estar atento e forte.
Parte
XVIII
O combate verbal contra a máfia vermelha, através da escrita, afastou-me dela, evitando assim atentados e confrontos físicos. Passei a ser boicotado em publicações, encontros literários, programas de TV. Recebo e-mails ou mensagens me amaldiçoando. Consideram meu posicionamento político transparente como “retrocesso” intelectual. Profetizam o infortúnio como meu destino. Honestamente, não me abalam. Não temo mau agouro. O que sei é que sou um escritor nordestino que tem esperança. Patriota e cristão, não tomei a vacina da Covid, não levo a sério o aquecimento global, condeno a imigração ilegal, a ideologia de gênero e o aborto. Celebro a vida, incorporando um sentido que justifique a existência numa sociedade que oferece cada vez menos espaço ao solidário, ao justo, ao generoso. E fica o aviso: acredito na vitória do eleitor bolsonarista; e continuarei escrevendo, denunciando, informando. Mostrando como o Brasil foi brutalizado pela paranoia e polarização, de tal maneira que se transformou em um paraíso distópico onde cada dia é uma batalha cruel.
Marcha da Família em 1964
Parte XIX
Ler e escrever não são apenas habilidades — são ferramentas de liberdade, atos de rebeldia. Quem lê pensa melhor. Quem escreve se posiciona na sociedade, nas redes sociais. Meu mundo se resume a palavras que me perfuram, a amores que nem me lembro, a perguntas sem respostas, a respostas que não me servem. Meu mundo se resume a paisagens de luz e sombras. Não sou de extremos. Prova disso é esse artigo celebrando um comunista que iluminou a minha infância perdida. Deca suavizou meu imaginário existencial. Não era radical nem maldoso. Não mentia nem queria o assassinato de opositores. Não tinha intenção de roubar aposentados. Finalizo dizendo que o esquecimento é a condenação da humanidade. Certas pessoas outrora importantes desaparecem e passam a existir na lembrança, a maioria nem isso, se apagam no anonimato da memória. O comunista Deca destacou-se pelo comportamento cordial, cauteloso e prudente. Deixou saudade e um legado de bem-querer, sabedoria, amizade e lealdade. Deus seguramente o recebeu em sua infinita bondade.
vídeo: o terrorismo de esquerda no brasil
Parte XX
SUGESTÃO de LEITURA: 13 LIVROS CONSERVADORES
01
COMO SER um CONSERVADOR (2014)
de Roger Scruton
02
CONFLITO de VISÕES (1987)
de Thomas Sowell
03
A CONSCIÊNCIA de um CONSERVADOR (1960)
de Barry Goldwater
04
O DESENCANTO do MUNDO (1965)
de Gustavo Corção
05
DESENVOLVIMENTO e CULTURA (1963)
de Mario Vieira de Mello
06
HEREGES (1905)
de G. K. Chesterton
07
As IDEIAS CONSERVADORAS (2014)
de João Pereira Coutinho
08
A MENTE CONSERVADORA (1953)
de Russel Kirk
09
O ÓPIO dos INTELECTUAIS (1955)
de Raymond Aron
10
A POEIRA da GLÓRIA – uma (INESPERADA) HISTÓRIA da
LITERATURA BRASILEIRA (2015)
de Martim Vasques da Cunha
11
A POLÍTICA da IMPERFEIÇÃO (1978)
de Anthony Quinton
12
TESTEMUNHA (MEMÓRIAS) (1952)
de Whittaker Chambers
13
TOLOS, FRAUDES e MILITANTES (2015)
de Roger Scruton
SUGESTÃO de LEITURA: 13 LIVROS CONSERVADORES
01
COMO SER um CONSERVADOR (2014)
de Roger Scruton
02
CONFLITO de VISÕES (1987)
de Thomas Sowell
03
A CONSCIÊNCIA de um CONSERVADOR (1960)
de Barry Goldwater
04
O DESENCANTO do MUNDO (1965)
de Gustavo Corção
05
DESENVOLVIMENTO e CULTURA (1963)
de Mario Vieira de Mello
06
HEREGES (1905)
de G. K. Chesterton
07
As IDEIAS CONSERVADORAS (2014)
de João Pereira Coutinho
08
A MENTE CONSERVADORA (1953)
de Russel Kirk
09
O ÓPIO dos INTELECTUAIS (1955)
de Raymond Aron
10
A POEIRA da GLÓRIA – uma (INESPERADA) HISTÓRIA da
LITERATURA BRASILEIRA (2015)
de Martim Vasques da Cunha
11
A POLÍTICA da IMPERFEIÇÃO (1978)
de Anthony Quinton
12
TESTEMUNHA (MEMÓRIAS) (1952)
de Whittaker Chambers
13
TOLOS, FRAUDES e MILITANTES (2015)
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POLÍTICA
e HISTÓRIA NESTE BLOG
01
BOLSONARO - a HISTÓRIA do CAPITÃO do POVO
https://cinzasdiamantes.blogspot.com/2022/08/bolsonaro-historia-do-capitao-do-povo.html
01
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02
EL BRUJO e a TRIPLE A CONTRA o COMUNISMO
https://cinzasdiamantes.blogspot.com/2020/12/el-brujo-e-triple-contra-o-comunismo.html
EL BRUJO e a TRIPLE A CONTRA o COMUNISMO
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03
O ELOGIO CONSERVADOR: 21 ESCRITORES
https://cinzasdiamantes.blogspot.com/2020/06/o-elogio-conservador-21-escritores.html
O ELOGIO CONSERVADOR: 21 ESCRITORES
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04
Os HORRORES do COMUNISMO
https://cinzasdiamantes.blogspot.com/2024/01/os-horrores-do-comunismo.html
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05
MESTRE OLAVO: um CLARÃO nas TREVAS
https://cinzasdiamantes.blogspot.com/2025/10/mestre-olavo-um-clarao-nas-trevas.html
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06
MILITÂNCIA e CORRUPÇÃO: a LEI ROUANET
https://cinzasdiamantes.blogspot.com/2024/06/militancia-e-corrupcao-lei-rouanet.html
MILITÂNCIA e CORRUPÇÃO: a LEI ROUANET
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07
NELSON RODRIGUES: um ESCRITOR de DIREITA
https://cinzasdiamantes.blogspot.com/2024/08/nelson-rodrigues-um-escritor-de-direita.html
NELSON RODRIGUES: um ESCRITOR de DIREITA
https://cinzasdiamantes.blogspot.com/2024/08/nelson-rodrigues-um-escritor-de-direita.html
08
A SABOTAGEM: BIOTERRORISMO no CACAU
https://cinzasdiamantes.blogspot.com/2025/07/sabotagem-bioterrorismo-no-cacau.html
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09
Uma VISÃO CONSERVADORA: a NOVA ORDEM MUNDIAL
https://cinzasdiamantes.blogspot.com/2023/11/uma-visao-conservadora-nova-ordem.html
Uma VISÃO CONSERVADORA: a NOVA ORDEM MUNDIAL
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10
VARGAS LLOSA: GLORIOSA GUINADA à DIREITA
https://cinzasdiamantes.blogspot.com/2025/04/vargas-llosa-gloriosa-guinada-direita.html
VARGAS LLOSA: GLORIOSA GUINADA à DIREITA
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