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dezembro 18, 2021

.......................................... ARTE nos PALÁCIOS de BRASÍLIA

“flora e fauna da bahia”, tapeçaria de kennedy bahia
 


PALÁCIO do PLANALTO
 
Projetado por Oscar Niemeyer, a construção foi inaugurada na fundação de Brasília em 21 de abril de 1960. Local de trabalho do Presidente da República, abriga também a Casa Civil, a Secretária-Geral e o Gabinete de Segurança Institucional. Tem uma área de 36 mil metros quadrados. O edifício principal conta com quatro andares acima do solo e um subterrâneo. Ao redor, foi construído, em 1991, um espelho d'água para aumentar a segurança. Na fachada principal, a rampa que dá acesso ao Salão Nobre e ao Parlatório.


MÁQUINA
Pintura expressionista de Frank Schaeffer


POLTRONAS do DESIGNER JORGE ZALSZIPIN


O JOGADOR de FUTEBOL
Pintura metálica de Alex Flemming
 

MÓVEIS do DESIGNER SÉRGIO RODRIGUES
Poltronas com braços inspirados nas colunas do Palácio
 

ESPAÇO CIRCULAR em CUBOS
Escultura com formas geométricas de Franz Weissmann
 

SANTA BÁRBARA, SANTO ANTÔNIO e NOSSA SENHORA da CONCEIÇÃO
Três esculturas do pernambucano Zezinho de Tracunhaém


BANDEIRA do BRASIL
Pintura de 1995 de Jeorge Eduardo


PINTURA ABSTRATA de BURLE MARX
De 1972, está localizada no Salão Oeste


A EVOLUÇÃO
Escultura de Francisco Haroldo Barroso Beltrão


Os ORIXÁS
De Djanira da Motta


BANCO MARQUESA
Criado por Oscar Niemeyer em jacarandá-da-Bahia e palha indiana


FLOREIRA FRANCESA
Construída com a técnica ormulu, bronze banhado a ouro, do século XVIII, e mesa mineira do século XIX


 VASOS JAPONESES de PORCELANA IMARI


RÉCAMIER de SÉRGIO RODRIGUES


POLTRONAS EASY CHAIR
Em couro e jacarandá-da-Bahia, projetadas por Oscar Niemeyer
 

O FLAUTISTA
Escultura em bronze de Bruno Giorgi
 

VASO MING de 1662
O objeto mais antigo do Palácio
 

ÂNFORA PORTUGUESA
 

PALÁCIO do PLANALTO
Pintura de Firmino Fernandes Saldanha
 

GALHOS e SOMBRAS
Pintura de Frans Krajcberg
 

OBRA sem TÍTULO de GERALDO de BARROS


PAISAGEM de OURO PRETO
Quadro de Carlos Scliar
 

VASOS de FLORES
Quadro de Carlos Scliar


COLHENDO BANANAS e As PRAIAS do NORDESTE
Telas grandes de Djanira da Motta
 

VASO MURANO de POÇOS de CALDAS
 

PALÁCIO da ALVORADA
 
Projetado por Oscar Niemeyer e com decoração da sua filha Ana Maria Niemeyer. Inaugurado em 30 de junho de 1958. Durante dois anos foi utilizado também como local de trabalho do Presidente, pois o Palácio do Planalto ficou pronto apenas dois anos depois. É a residência oficial do Presidente da República. O nome Alvorada é homenagem do então Presidente Juscelino Kubitschek ao amigo e ministro Victor Nunes Leal, nascido no Distrito de Alvorada, em Carangola, Minas Gerais.


As IARAS
Escultura em bronze de Alfredo Ceschiatti
 

CAPELA
 
Projetada por Oscar Niemeyer com arquitetura inspirada em um caracol, permite a entrada da luz do sol pela porta e por uma janela (dispostas em lados opostos). A luz reflete sobre as paredes douradas e ilumina toda a Capela, que não conta com iluminação elétrica. À noite, é iluminado apenas por velas. A decoração de Athos Bulcão, com a participação de Portinari, que idealizou as paredes em lambris de jacarandá-da-bahia e folheados a ouro. Dedicada à Nossa Senhora da Alvorada (Nossa Senhora da Conceição). No teto, desenhos de peixe e cruz, que simbolizam o cristianismo, e do sol e da lua, que simbolizam a alvorada.

 
FACHADA OVAL
Quadro de Alfredo Volpi
 

SANTA MARIA MADALENA e SANTA TEREZA D'ÁVILA
Imagens barrocas sacras
 

MÚSICOS
Tapeçaria de Di Cavalcanti
 

MORENA
Escultura de Victor Brecheret
 

SAINDO do BANHO
Escultura de Victor Brecheret
 

EDIFICAÇÃO
Escultura de André Bloc
 

ESCULTURA de BRONZE de MARIA MARTINS


abril 09, 2015

............................. JOSÉ MAURO de VASCONCELOS: o MODELO




Texto: 
DIOGENES da CUNHA LIMA
(1937. Nova Cruz / Rio Grande do Norte)

Ilustrações:
DAVID HOCKNEY 
(1937. Bradford / Reino Unido)


JOSÉ MAURO de VASCONCELOS (1920 - 1984. Bangu / Rio de Janeiro) teve vida e movimento pitorescos muito mais intensos que a sua vida literária. Nenhum dos seus livros é mais autobiográfico que “Doidão”, 1963, relato de sua juventude em Natal. Vida e obra se confundem. De pai vigia e mãe lavadeira, Zé Mauro nasceu em Bangu, Rio de Janeiro. Morto o pai, veio morar aqui, com o tio, o médico Ricardo Paes Barreto, filho de Juvino Barreto. Em suas próprias palavras, quando rapaz, tinha um “corpo bonito, esguio, forte, dourado”. Estudou no Colégio Marista, dirigido pelo irmão José. No romance, os irmãos maristas dizem que  Geografia é matéria de vadio, de vagabundo. E Zé, descontente, questiona os amigos, não quer ser nada, tem o coração de vagabundo, ama Geografia... Detestava Matemática, dizia ser exata demais para ser de gente. Tinha todas as namoradas que desejava: Estela, Valdívia, Maria Apolônia, Ieda, Conceição, Marli, Maria de Lourdes... Mas, paixão mesmo, por Silvana, tia de Dorian Gray Caldas, chamada Sylvia no romance.
 
Zé, Zezé, Zé Mauro levava a namorada para o Royal Cinema, os filmes ajudavam nos sonhos. Disse ao amigo Tarcísio da Natividade Medeiros que iria para a Legião Estrangeira. Fácil, bastaria matar uma pessoa. Na Legião seria recebido sem que indagassem quem era e que crime cometera. Tarcísio perguntou, então, quem escolheria para matar. Respondeu que seria irmão José. Jogaria ele torre abaixo. “Mas e se ele, gordo, não conseguir subir na torre?” “Eu mato ele com aquele veneno azul da aula de Química, dissolvo na cerveja dele.” Ah, Zé Mauro, homem de sonhos. Sonhou ser também um coqueiro sob a brisa e o sol. Disse que iria para a Amazônia, cumprir as raízes do seu sangue indígena, ser um deus branco de uma enorme tribo. Iria comer muitos brancos. Foi campeão de natação, de iole e de sinuca. Em regata, chegou em primeiro lugar, do Cais da Tavares de Lira ao Refoles. E foi aplaudido por torcedores das equipes rivais, Clube Náutico e Sport. Usava uma tanga minúscula, reclamada por sua irmã adotiva por ser imoral. 
 
Certa manhã, foi repreendido por um delegado gordão na Praia de Areia Preta: “Vá se vestir. Aqui é praia de família.” Respondeu: “Venha me pegar.” O delegado chamou dois soldados, ele entrou nadando mar adentro, continuou gritando: “Meganha, se for homem venha me pegar.” O delegado ficou esperando a volta, mas ele nadou para praia mais distante. Um dia, sentindo-se tristíssimo, decidiu morrer no mar. Deixou as suas roupas na Praia do Meio e nadou, até cansar. Pescadores em jangada o recolheram. Lembraram que ele podia ter sido devorado por um tubarão. Perto da praia, como iam pra Ponta Negra, mandaram que ele voltasse nadando até a Praia do Meio. Aqui, estudou Medicina por dois anos, e abandonou o curso, porque a cidade era pequena para a sua ansiedade e os seus desejos. Disse que preferia ser modelo no Rio de Janeiro. E lá, foi: pescador, professor de desenho, boxeur, garçom, ator de teatro, cinema e TV e... modelo da Escola Nacional de Belas Artes, onde foi modelado em bronze, mármore, gesso, pintura, e imortalizado em escultura de Bruno Giorgi. 
 
Publicou muitos livros, Zé Mauro. O primeiro deles, “Banana Brava”, 1942, recebeu apresentação de Câmara Cascudo, que ressaltou sua vida tumultuosa e brava. Cascudo é citado em “Doidão”, em diálogo travado com o amigo Tarcísio. Toda a ficção de Zé Mauro partia da sua intensa vivência. Seguiu os irmãos Villas-Bôas em expedições. Conviveu com xavantes, maués, caiapós, tupinambás, carajás. Chegou a entender e falar línguas nativas. Foi trabalhar nas salinas de Macau para escrever o “Barro Blanco”, 1948. Seu grande sucesso editorial foi “Meu Pé de Laranja Lima”, 1968. Em todos os livros coloca um toque de ternura, dizendo que a literatura é a arte mais difícil, porque deveria ter todas as cores e nuances da pintura, harmonia da música, a arte do movimento. Em entrevista, declarou que Natal nunca o abandonou. É o lugar do amor, dos amigos, da infância. Luís G. M. Bezerra, seu vizinho era dos mais queridos. Zé Mauro merece ser lembrado, eternamente.

josé mauro de vasconcelos


DUAS ou TRÊS COISAS sobre JOSÉ MAURO


Boxeur, repórter, garçom de boate, agricultor, operário, professor primário, garimpeiro, sertanista, ator de TV e cinema (em filmes como “Floradas na Serra” de 1954, “Mulheres e Milhões” de 1961 e “A Ilha”, de 1963, entre outros), radialista, escritor, pintor e modelo na Escola Nacional de Belas Artes. Seu corpo para sempre fixo em bronzes, mármores, gesso. Há uma escultura sua, como modelo, de Bruno Giorgi, no Monumento à Juventude, na antiga sede do Ministério da Educação. Dessa atividade errante nasceu um solidarismo revoltado e cheio de ternura pela diária exibição do panorama da miséria notória e disfarçada.

Com uma vida nada fácil, JOSÉ MAURO de VASCONCELOS ganhou uma bolsa de estudos na Espanha, período em que viajou por vários países da Europa. De volta ao Brasil trabalhou junto aos irmãos Villas-Boas, principalmente explorando a inóspita região do Araguaia. Desta aventura resultou seu livro de estreia, “Banana Brava” (1942), sobre o mundo dos homens dos garimpos. Depois veio “Barro Blanco” (1945), sobre as salinas de Macau, no Rio Grande do Norte, seu primeiro sucesso de crítica. A seguir “Longe da Terra” (1949), “Vazante” (1951), “Arara Vermelha” (1953) e “Arraia de Fogo” (1955). Com “Rosinha, Minha Canoa” (1962), ganhou fama como escritor, sendo este livro utilizado em curso de Português na Sorbonne, em Paris.

“Doidão” (1963), sobre sua adolescência em Natal, “O Garanhão das Praias” (1964), “Coração de Vidro” (1964) e “As Confissões de Frei Abóbora” (1966), antecederam seu maior sucesso popular, “O Meu Pé de Laranja Lima” (1968), que foi adaptado pela antiga Tupi e pela Globo, como telenovelas e também levado ao cinema. Vendeu nos primeiros meses de lançamento, 217 mil exemplares, retratando o choque sofrido na infância com as bruscas mudanças da vida. Dono de uma literatura leve e agradável, José Mauro fez grande sucesso junto ao público. Mesmo assim a importância do seu trabalho não é devidamente reconhecida no Brasil.


Em sua vasta obra, iniciada aos 22 anos de idade e lida em alemão, inglês, espanhol, francês, italiano, japonês e holandês, entre outras línguas, ainda se destacam “Rua Descalça” (1969), “O Palácio Japonês” (1969), “Farinha Órfã” (1970), “Chuva Crioula” (1972), “O Veleiro de Cristal” (1973), “Vamos Aquecer o Sol” (1974), “A Ceia” (1975), “O Menino Invisível” (1978) e “Kuryala: Capitão e Carajá” (1979)

“Escrevo meus livros em poucos dias. Mas em compensação passo anos ruminando ideias. Escrevo tudo a máquina. Faço um capítulo inteiro e depois é que releio o que escrevi. Escrevo a qualquer hora, de dia ou de noite. Quando estou escrevendo entro em transe. Só paro de bater nas teclas da máquina quando os dedos doem. Só aí percebo quanto trabalhei. Sou um cara capaz de varar dias escrevendo até a exaustão”