Mostrando postagens com marcador Edmund Burke. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Edmund Burke. Mostrar todas as postagens

setembro 05, 2025

............................................................................ O HOMEM-INSETO

 

 

...ofereço-lhes o texto que escrevo,
ignoro se o entendem, como ignoro
se a minha presença ativa bate asas
como a borboleta “é para si”,
e concluo “é para nós”
MARIA GABRIELA LLANSOL
(1931 – 2008. Lisboa / Portugal)
“Onde Vais, Drama-Poesia?”
 
Se não vigiarmos a vida,
eles escreverão a história
e o futuro poderá neles acreditar.
JOSÉ DELMO
(1953. Buerarema / Bahia)
 
Fotografias:
RUI PALHA
(1953. Lisboa / Portugal)
 
para Anna Áurea Mendonça, admirável irmãzinha das horas nuas e cruas
Moysés Simões, amável parceiro em um memorável verão vermelho
e Nuno Casimiro, constante cúmplice europeu enforcado
em uma árvore de solidão

 
 
Tenho a alma marcada por um humanismo cristão profundo, um senso de tragédia existencial e uma fidelidade à tradição de outros tempos. Pensei nesse meu jeito singular de ser em plena
“Jornada Fortaleça sua Imunidade Emocional”, um evento típico dessa época desembestada. Enquanto especialistas risíveis falavam sobre a instabilidade emocional, social e política, imagens da decadência contemporânea desfilavam em um telão. O público inquieto, munido de iPhones, parecia desinteressado dos palavrórios enfadonhos. E a palavra é o signo que melhor identifica o humano. Argumentar com discursos politizados ultrapassados não articula um pensamento. A linguagem atua contra o palestrante. Paradoxo, porque somos seres linguísticos, necessitamos da palavra. Quão poderosa ela é! A humanidade chegará a dominar a arte de se servir dela apenas para fins benéficos? Além do bem e do mal, tomei notas sobre o convescote pago com o nosso suado dinheiro e anunciado na mídia como reflexão sobre o desatino tupiniquim, me sentindo um infiltrado entre pilantras.

Não é fácil ser um sobrevivente de cada dia. A sensibilidade nessa sociedade cada vez mais estúpida é quase um suicídio, o mito de Sísifo. São poucos os que se preocupam com a situação caótica em que vivemos, evidenciando uma existência vazia de significâncias. Fantoches em uma trupe mambembe, raros se aprofundam em política, educação, artes ou valores éticos. Muitos exibem bondade por ter consciência que o vilão morre no final da aventura cinematográfica, e tudo é menos burocrático para o virtuoso. Essas criaturas desatinadas são hipnotizadas por shopping-centers, carros de luxo, amantes ordinários (jovens musculosos ou louras de silicone), futebol, reality shows, carnaval, drogas, fofocas, selfies e likes. Bem diferente dos animais irracionais. Do elefante a abelha, do colibri ao cão, os bichos sobrevivem sem desperdícios ou futilidades. Desprezando sua própria espécie, o homem polui rios e mares, mata por ciúmes, se acha superior ao acumular títulos universitários e trabalha para pagar contas em parte desnecessárias. Vive-se asneiras vergonhosas.

O elemento humano é de uma complexidade obtusa e ululante. Outro dia parei para refletir a respeito e, não sei por que, me veio à cabeça Goethe e sua tragédia poética
“Fausto” (1790), uma obra-prima da literatura universal, que conta a história de um protagonista que aposta sua própria alma com o diabo Mefistófeles em troca de poder e prazer. Fausto é a imagem do sujeito moderno, que acredita poder moldar o próprio destino sem a graça de Deus. Eis o que é a natureza humana: uma mistura de ignorância, arrogância e insensatez. Deprimente… Muitos valorizam desimportâncias, incapazes de distinguir entre aparência e substância. Cada vez se fala mais e se ouve menos. Acreditam em soberania posando de advogados, empresários, influenciadores, artistas ou escritores. Demagogos, sobrevivem de tramoias e esquemas, mascarando-se de êxito. A fama e a politicagem, entre tantos desatinos – afirmo com conhecimento de causa, trabalhei com políticos e entrevistei famosos -, são performances hipócritas, sem verdade ou sentimentos.

Todos os dias quando me levanto olho-me no espelho e observo fragmentos de mim mesmo, estilhaços de uma vida inteira, o que foi e o que poderia ter sido. O meu lado detetive noir investiga a degeneração. Percebi que até o honesto, uma invenção de luxo, utiliza rotinas mecânicas e sensações pueris. É cada vez mais difícil conhecer um sujeito honrado. A sociedade se tornou uma impostura radical. A mentalidade de intelectuais e suas teses abusadas é para dar risada. Os ambiciosos líderes religiosos, sem Deus, multiplicam seu pão sem compaixão. Tempos atrás, na comunidade de Pitanga dos Palmares, no Recôncavo baiano, após chuvas torrenciais, me deparei casualmente com famílias desabrigadas, incluindo uma senhora grávida de oito meses, descalça, faminta e com o sorriso mais lindo do mundo. Alojadas numa creche úmida e suja, esperavam, pacientemente, a empatia dos bonzinhos de plantão, dos beatos de araque e dos caça votos. Casos como esse me levam a compreender como a depressão e a gulodice material são frutos podres da falta de espiritualidade.

E o que aconteceu com a nossa política? Ninguém nega a sua importância. A política interfere na vida privada, influencia a economia, condiciona o progresso. Entranha-se na intimidade de todas as pessoas, mesmo daquelas que a hostilizam. Um fenômeno generalizado é ouvir pessoas de bem evidenciarem sua ojeriza pela política partidária. Generalizar é sempre perigoso. Mais perigoso ainda é se omitir, a pretexto de que os honestos não se dão bem com o sistema e entregar o território de tamanha relevância a quem dele queira se aproveitar. Já advertia Edmund Burke há tantos anos:
“Para o mal vencer, basta que os bons cruzem os braços. Para o bem triunfar, é suficiente que os descruzem”. Essa conclamação deve ser refletida como libelo. É urgente que a política seja reabilitada. Infelizmente a democracia real não atrai a juventude. Esta é seduzida por ambientalismo, direitos humanos, liberdade sexual, igualdade étnica, liberação das drogas, desprezo religioso e agrupamento tribal, de massa de manobra, numa ladainha canhota de marionete e não de paladino da justiça.

“A indiferença é a maneira mais polida de desprezar alguém”, filosofou certa vez o poeta Mário Quintana, em um de seus momentos de lucidez sobre a natureza humana. E o desprezo é o maior dos crimes. Não passa de uma grande maldade humana quando se tem tanto para dar e nada dá. Mesmo que essa doação fosse apenas um gesto de delicadeza, atenção ou humanismo afetivo. O totem de indiferença é brutal. Age como se o necessitado não existisse, numa atitude ignóbil e desdenhosa. A sentença desonrosa é que a humanidade erra, trai, mente, rouba, mata. Em uma viagem no túnel do tempo veremos que diversos ícones, de Napoleão Bonaparte a Getúlio Vargas, de Cleópatra a Evita Perón, são charlatões. O sistema reescreve a história, adota a falsa glorificação e envenena a essência do mel do melhor. Estou amargo e pessimista? Talvez, mas acima de tudo procuro ser realista e grato a Deus por estar vivo. Óbvio que tem dias que dá vontade de desaparecer, sumir, enfim, ser executado para todo o sempre. É como se fosse uma boa saída, mas zombo da angústia num piscar de olhos. Essa resiliência é o que tenho de melhor.

Aproveito os dias e as noites na Terra não como herói ou espertalhão, tampouco como fracassado e antissocial, mas como coadjuvante de uma comédia sinistra, com cenas de alegria conversando com Deus, rindo com a família, passeando com o cão Puck, cuidando de plantas, ouvindo o silêncio, lendo, escrevendo, vendo um filme policial e outras coisas simples da satisfação. Respeito os inconformados, os poetas e os aventureiros, consciente de que tudo se acabará a qualquer momento. Um final irreversível. Bem, já me disseram que não passo de um adulto mimado cheio de caprichos, talvez mais um homem-inseto, devido a inevitável insignificância. Pode até ser, mas sinceramente luto contra a ignorância, a vaidade, o egoísmo e o autismo. A cada dia, um aprendizado existencial no palco de um mundo melhor. Por exemplo, passei o fim de semana lendo
“Diário Estoico”, dos filósofos norte-americanos Ryan Holiday e Stephen Hanselman. A obra propõe reflexões baseadas em passagens de pensadores como Sêneca, Epiteto e Marco Aurélio, explicando como podem ser aplicadas para desenvolver força espiritual, autocontrole emocional e clareza mental.

Somos TODOS irmãos de alma. Sendo assim, tudo o que eu quero é não me perder nos conflitos do amor, do trabalho, da vida, da política. Tudo o que eu quero é um coração cada vez mais leve e uma cabeça sempre em paz. Tudo o que eu quero é não ser alvo da fúria dos malvados, que revestidos de fel machucam através de delitos, injúria verbal, difamação e calúnia. Por sorte existe o vinho, o jazz, a literatura e os filmes para, de algum modo, nos dar oxigênio para continuar. Aprendi que precisamos ter discernimento para distinguir o bem e o mal. Ter direito a ter opinião e a externá-la é parte da espinha dorsal da concepção democrática. É válido criticar, divulgar o que não funciona. Ensinar é uma importante missão. Todavia, um componente essencial para que tudo dê certo é o espírito da pessoa. Nossa era é pródiga em males d‘alma. Há muita gente deprimida, estressada e estafada. Concluindo, ser grato, tolerante e amar intensamente a vida é uma receita que só tem um custo: domesticar esse animal insatisfeito que é a mente. Fique com Deus, caríssimo leitor.
 


agosto 23, 2025

......................................... A BANALIDADE do MAL: ASSASSINATOS

                                                            “a morte de césar” (1805), de vicenzo camuccini

 

Para que o mal triunfe,
basta que os bons fiquem
de braços cruzados.
EDMUND BURKE
(1729 – 1797. Dublin / Irlanda)
 
Rezemos para que a raça humana
nunca saia da Terra para espalhar
sua iniquidade em outros lugares.
C. S. LEWIS
(1898 – 1963. Belfast / Reino Unido)
 
 

A realidade nua e crua da vida é assustadora. O mal pode estar nos esperando na próxima esquina. Ele não é algo esporádico ou incomum que só ocorre de vez em quando. O mal em toda a sua perversidade é um evento cotidiano. Segundo Arthur Schopenhauer (1788 – 1860. Gdansk / Polônia), em outras palavras, expressando sua revolta contra o mal, a vida é um vale de desgostos, lágrimas e dor. No final da semana passada, ao saber da terrível notícia de mãe, filha e amiga executadas a facadas por desconhecido, no litoral de Ilhéus, após um passeio de final de tarde, certas perguntas inquietantes me incomodaram. De quem é a culpa pelo mal que há no mundo? O mal está no mundo ou dentro de nós mesmos? Difícil responder. Sei que o mal não precisa de monstros, ele é praticado por pessoas comuns, muitas delas consideradas supostamente normais. O mal tem mil caras. De acordo com o filósofo e poeta Henry David Thoreau (1817 – 1862. Concord, Massachusetts / EUA), “Para cada mil homens dedicados a cortar as folhas do mal, há apenas um atacando as raízes”.
 
Mesmo o sistema montado para conter o mal, o Poder Judiciário, pode ser ele próprio uma fonte do mal, a exemplo da cruel perseguição política pilotada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), o malvado careca Alexandre de Moraes, contra os patriotas de Direita; dos fuzilamentos em Cuba, da morte de mulheres por apedrejamento na Nigéria e tantos atos similares, feitos sob o amparo da lei. Ao longo do tempo, o homicídio tem sido um dos métodos usados para levar a cabo vinganças ou mudar o rumo dos acontecimentos. Indignada, a sociedade testemunhou o assassinato de anônimos e figuras importantes, alguns dos quais nunca resolvidos. São inúmeros crimes impactantes. O Antigo Testamento conta o caso de Sadraque, Mesaque e Abednego, lançados na fornalha por não se curvarem à estátua do rei da Babilônia. E, como ícone máximo, está Jesus Cristo, que, rejeitado pelo seu povo e provocado por Pôncio Pilatos, submeteu-se calado a uma morte humilhante. Neste artigo, revisito crimes famosos e o contexto em que cada um ocorreu.
 
01
ABRAHAM LINCOLN
(1809 – 1865. Condado de LaRue, Kentucky / EUA)

O 16º presidente dos Estados Unidos da América, baleado e mortalmente ferido em 15 de abril de 1865, no Ford's Theatre, na capital Washington, morreu no dia seguinte. O responsável, o confederado John Wilkes Booth. Lincoln liderou o Norte durante a sangrenta Guerra da Secessão, preservou a União e aboliu a escravatura. Enquanto assistia a uma peça de teatro em Washington, foi assassinado por um ator conhecido. Aproveitando o fato de o guarda-costas do presidente ter abandonado o teatro para ir beber algo com o cocheiro, Booth sacou uma arma e o alvejou diretamente na cabeça. Após o magnicídio, saltou para o palco e gritou para o público “Sic semper tyrannis” (Assim sempre aos tiranos), uma frase atribuída a Marco Júnio Bruto depois de apunhalar o comandante italiano Júlio César no Senado. Antes que conseguissem apanhá-lo, fugiu desesperadamente. Caçado, onze dias mais tarde foi morto a tiros pelo sargento Boston Corbett.
 
02
BENITO MUSSOLLINI
(1883 – 1945. Predappio / Itália)

Em 28 de abril de 1945, o ditador fascista Mussolini e sua amante Clara Petacci foram fuzilados por partisans italianos (membros da resistência antifascita) em um vilarejo no norte da Itália. Seus corpos foram levados para Milão e pendurados pelos pés na Piazzale Loreto, expostos à multidão enfurecida que gritava insultos e atirava objetos nos cadáveres, ferindo seus rostos. O popular líder foi enterrado em uma cova anônima no cemitério de Milão. Porém, em 1946, seu corpo foi roubado por fascistas. Depois de quatro meses, o cadáver foi localizado e levado para um esconderijo, onde ficou nos onze anos seguintes. Em maio de 1957, os restos mortais foram finalmente enterrados na cripta da família, na sua cidade natal, Predappio. O mausoléu tornou-se um lugar de peregrinação de neofascistas que ali se encontram no aniversário de morte do Duce, discursam e cantam.
 
03
ELIZABETH da ÁUSTRIA
(1837 – 1898. Munique / Alemanha)

Conhecida como Sissi e imortalizada em filmes românticos por Romy Schneider, imperatriz da Áustria e rainha da Hungria pelo casamento com o imperador Franz Joseph I, em 10 de setembro de 1898, durante uma visita a Genebra, na Suíça, foi assassinada por Luigi Lucheni, um anarquista italiano, que a esfaqueou no coração. Condenado à prisão perpétua, terminou enforcado em sua cela em 19 de outubro de 1910. Aos 60 anos de idade, a imperatriz estava passeando, como sempre sem escolta, acompanhada apenas por uma amiga, a condessa húngara Irma Sztaray. Quando se dirigiu ao ferry que a leveria até Montreux, tropeçou num passageiro e, nesse instante, sentiu uma forte picada nas costas. Pensou que a dor se devia ao impacto, mas, na verdade, Lucheni cravara-lhe um estilete muito fino perto do coração, que provocaria a seguir sua morte.
 
04
FEDERICO GARCÍA LORCA
(1898 – 1936. Fuente Vaqueros / Espanha)

Um dos maiores poetas e dramaturgos espanhóis do século XX, morto pelas forças nacionalistas no início da Guerra Civil Espanhola. As suas diversas declarações contra a injustiça social transformaram-no numa personagem incômoda e com o destino marcado. Por conseguinte, apesar do perigo eminente e depois de rejeitar a proteção oferecida pelo México e Colômbia, regressou à sua Granada natal, pois a situação em Madrid era já bastante complicada. Refugiou-se em casa dos pais do seu amigo Luis Rosales, onde, no dia 16 de agosto de 1936, o poeta foi detido por Ramón Ruiz Alonso, um ex-deputado, e levado para Víznar. Dois dias depois, na madrugada de 18 de agosto, acabou fuzilado em um barranco a poucos quilômetros da capital granadina, num local conhecido como “estrada da morte”. Seus restos mortais nunca foram encontrados.
 
05
ARQUIDUQUE FRANCISCO FERNANDO da ÁUSTRIA
(1863 – 1914. Graz / Áustria)

Em 28 de junho de 1914, um sérvio bósnio, Gavrilo Princip, assassinou o arquiduque Franz Ferdinand e sua esposa Sophie, duquesa de Hohenberg, em Sarajevo. Após o tiroteio, Princip e seus cúmplices foram presos e implicados como uma sociedade secreta nacionalista. O assassino morreu na prisão em 1918, de tuberculose. Um mês após o crime, o imperador da Áustria, Francisco José, declarava guerra ao reino da Sérvia. Uma vez que este país se encontrava sob a proteção da Rússia, a aliança franco-russa se arrastou para um conflito ao qual os britânicos se juntariam. A Alemanha, por outro lado, aliou-se ao império austro-húngaro. Todos acabariam envolvidos na sanguinária Primeira Guerra Mundial, que provocaria mais de 20 milhões de mortos.
 
06
GRIGORI RASPUTIN
(1869 – 1916. Império Russo)

Convidado em 16 de dezembro de 1916 para um jantar no palácio de Moika, São Petersburgo, pelo príncipe Youssoupov e o sobrinho do czar Nicolau II, Rasputin encontrou o seu fim. Sua morte não foi rápida. O cianureto colocado na taça de vinho pelos anfitriões não provocou efeito. Em seguida, o alvejaram com onze tiros no peito. Tendo sobrevivido, foi castrado e, continuando vivo, brutalmente agredido e atirado nas águas geladas do Rio Neva. A autópsia revelou que morreu afogado. Os assassinos, nobres russos, queriam pôr fim à influência do mago sobre a corte. Originário da Sibéria, fascinou camponeses, representantes da Igreja Ortodoxa e a czarina Alexandra, cujo filho Alexei era portador de hemofilia e ela acreditou que aquele “santo homem” seria capaz de salvar o herdeiro do trono. Com o assassinato de Rasputin, veio a queda do Império.
 
07
JOHN FITZGERALD KENNEDY
(1917 – 1963. Brookline, Massachusetts / EUA)

O presidente dos EUA, baleado e morto em visita à Dallas, Texas, no dia 22 de novembro de 1963, enquanto atravessava de carro uma multidão fervorosa com a sua esposa Jacqueline. Passadas algumas horas, soube-se que o assassino era um ex-fuzileiro, Lee Harvey Oswald, que viveu uma longa temporada na União Soviética depois de desertar do Exército norte-americano. Dois dias depois, antes de testemunhar, ele foi morto a tiros por Jack Ruby. Até hoje circulam dúvidas sobre se o assassino agiu sozinho ou se ele fazia parte de uma conspiração mais ampla. Ruby morreu na prisão em 1967. Incompreensivelmente, o casal presidencial deslocava-se numa limusine descapotável, sem qualquer proteção aparente. Subitamente, dois disparos soaram, atingindo fatalmente o presidente, que morreu ao receber o impacto de uma bala na cabeça. 
 
08
JOHN LENNON
(1940 – 1980. Liverpool, Inglaterra / Reino Unido)

Na noite de 8 de dezembro de 1980, o famoso músico foi baleado do lado de fora de seu apartamento em Nova York e morreu a caminho do hospital. Seu assassino, Mark David Chapman, estava irritado com o estilo mundano de vida do artista. Ele planejou o assassinato ao longo de vários meses. Às 17h do fatídico dia, na saída do edifício Dakota, pediu a Lennon que autografasse o disco “Double Fantasy”. Quando o músico e sua esposa Yoko Ono regressaram a casa, ele alvejou o ex-Beatle, dando-lhe cinco tiros pelas costas, quatro dos quais atingidos e causando a morte pouco depois. Segundo Chapman, “assassinei-o porque era muito, muito, muito famoso, e essa é a única razão, porque eu queria muito, muito, muito alcançar a glória”. Ele permanece no Centro de Correção de Attica, em Nova Iorque. Foi-lhe recusada a liberdade condicional em doze ocasiões.
 
09
JÚLIO CÉSAR
(100 a.C. – a.C. 44. Subura / Itália)

Conhecido como o “ditador perpétuo”, seu homicídio em 15 de março de 44 a.C. é um dos mais famosos da História. Ele foi esfaqueado 23 vezes por senadores, com pelo menos 60 participantes na conspiração. Apesar dos avisos da sua esposa, Calpúrnia, que o vira coberto de sangue em sonhos, ele dirigiu-se ao Senado. O homem mais poderoso do mundo era popular e sentia-se seguro de si mesmo. Mas um grupo de senadores, liderado por Marco Júnio Bruto e Caio Cássio Longino, conspiravam para acabar com a sua vida, com medo de que ele abolisse o Senado e instituísse uma monarquia. Ao receber as punhaladas, pronunciou a célebre frase: “Até tu, Brutus?”. Sua morte resultou em uma guerra civil, na qual os assassinos seriam derrotados e o vencedor seria Octávio, seu sobrinho-neto e futuro primeiro imperador de Roma, sob o nome de Augusto.
 
10
MAHATMA GANDHI
(1869 – 1948. Porbandar / Índia)

Em 30 de janeiro de 1948, em Nova Deli, recebeu tiros do extremista Nathuram Godse, que era contra à tolerância aos muçulmanos. O assassino foi enforcado em 15 de novembro de 1949. Para Godse, o líder pacifista era um traidor, acusado de beneficiar seus inimigos. Nesse dia fatídico, acompanhado pelas suas duas sobrinhas, Manu e Abha, o icônico Gandhi dirigia-se à sua sessão de oração vespertina, onde o criminoso o aguardava e se dirigiu a ele de mãos unidas, dando a seguir três tiros à queima-roupa. Após o assassinato, a multidão o encurralou e, depois de ser detido pela polícia, leu uma declaração na qual responsabilizava o falecido pelo sofrimento do povo hindu e garantia ter agido sozinho, embora mais tarde sete outras pessoas tenham sido detidas, acusadas de estarem relacionadas com o crime. Ele foi condenado a morrer na forca.
 
11
MARTIN LUTHER KING
(1929 – 1968. Atlanta, Geórgia / EUA)

Galardoado com o Prêmio Nobel da Paz em 1964, o reverendo batista foi o líder mais carismático e popular do movimento pelos direitos civis de sua época. No dia 4 de abril de 1968, enquanto se encontrava na varanda do Motel Lorraine de Memphis, se viu atingido com um tiro na garganta, por James Earl Ray, um delinquente que escapara da prisão no ano anterior. Após a sua detenção, condenado a 99 anos de prisão em 10 de março de 1969, alegou-se que motivos no caso foram o racismo e o ódio contra a pessoa do reverendo. Após permanecer três dias na prisão, Ray afirmou que tinham montado uma armadilha e que, na verdade, não era o culpado pela morte. Ele passou o resto da sua vida atrás das grades, lutando, infrutiferamente, por um novo julgamento. Contou com o apoio de alguns membros da família King e do reverendo Jesse Jackson.
 
12
REINHARD HEYDRICH
(1904 – 1942. Halle (Saale) / Alemanha)

Apelidado de “O Açougueiro de Praga”, em 22 de maio de 1942 uma bomba foi atirada no seu carro pelos agentes da resistência Jozef Gabčík e Jan Kubiš. Ferido e operado, morreu em 4 de junho, de septicemia. Ele procurou neutralizar a resistência ao partido nazista através de detenções, deportações e assassinatos. Organizou a “Noite dos Cristais”, uma série de ataques contra os judeus em 1938. Em Praga, eliminou a oposição à ocupação nazi, deportando e executando os membros da resistência checa. Diretamente responsável pelo assassinato de mais de dois milhões de pessoas, através de execuções em massa ou em câmaras de gás. A mando de Adolf Hitler, as represálias ao seu elaborado assassinato foram mortais, resultando em 199 homens mortos, 195 mulheres deportadas para o campo de concentração de Ravensbrück e 95 crianças prisioneiras. Gabčík e Kubiš morreram em um tiroteio dentro da Igreja de São Cirilo, em Praga.
 
13
Os ROMANOV
Nicholas II da Rússia (1868 – 1918. São Petersburgo / Rússia)
Alexandra Feodorovna (1872 – 1918. Darmstadt / Alemanha)

 
A família imperial russa era composta pelo imperador Nicholas II, a imperatriz Alexandra e cinco filhos: Olga, Tatiana, Maria, Anastasia e Alexei. Na madrugada de 16 para 17 de julho de 1918, foram mortos a tiros por revolucionários bolcheviques na residência de um comerciante em Ecaterimburgo. Após meses presos, terminaram levados a uma cave e alvejados à queima-roupa. Contudo, nem todos morreram e os sobreviventes foram eliminados com golpes de baioneta. Colocaram os corpos em um caminhão e no meio do caminho, dois deles foram jogados na floresta. Os outros cinco cadáveres, deformados com ácido e incendiados, enterrados numa cova anônima. Em 1979, localizaram os restos, mas foi mantido em segredo. Em 1998, os Romanov foram sepultados numa majestosa cerimônia na catedral de São Pedro e São Paulo, em São Petersburgo.
 
14
SÓCRATES
(470 a.C. - 399 a.C. Alópece / Grécia)

Um dos filósofos mais brilhantes da Grécia Antiga, condenado à morte em 399 a.C. em Atenas, acusado de corromper a juventude ao introduzir novas ideias religiosas e filosóficas, além de não reconhecer os deuses tradicionais da cidade. A pena alternativa a ingestão de cicuta, um veneno muito comum na época, seria o exílio eterno, mas ele recusou, considerando-o uma fuga da responsabilidade e uma traição aos seus princípios. Bebeu a cicuta com serenidade, demonstrando convicção em suas ideias e na importância de seguir a lei, mesmo diante da injustiça, segundo relatos de seus discípulos. Seu julgamento foi um evento público, e ele enfrentou as acusações com argumentos filosóficos, sem demonstrar medo da morte, de acordo com a narrativa de Platão. Sua morte tornou-se um símbolo de integridade, coragem e defesa dos próprios princípios.
 
15
TIRADENTES
(1746 – 1792. Ritápolis / Minas Gerais)

Um dos marcos pela luta do desligamento do então Brasil-Colônia de Portugal, a Inconfidência Mineira não ocorreu pela delação de um de seus participantes. Os envolvidos foram presos em 1789 e ficaram três anos encarcerados até sair a sentença. Condenados à forca, uma carta de clemência da rainha D. Maria I transformou as penas em degredo (expulsão do Brasil), com exceção de Joaquim José da Silva Xavier, apelidado de Tiradentes. No dia 21 de abril de 1792, conduzido pelo do Rio de Janeiro até uma forca, no Largo da Lampadosa, executado, teve a cabeça cortada e enviada para Vila Rica, ficando exposta em um poste. O resto do corpo retalhado e distribuídos em locais onde ele fizera seus inflamados discursos políticos. O terreno de sua casa foi salgado para que nada germinasse. No entanto, transformou-se em um popular herói nacional.
 
john fitzgerald kennedy minutos antes do seu assassinato em dallas