novembro 29, 2023

.............. Uma VISÃO CONSERVADORA: a NOVA ORDEM MUNDIAL

 

 

dedicado ao mestre professor Olavo de Carvalho
 
Eu não posso comparar a Nova Ordem Mundial 
senão com o Reino do Anticristo, 
o reino da mentira global, 
porque quando você vai estudar 
cada um dos tópicos que eles propõem,
é sempre empulhação.
OLAVO de CARVALHO
(1947 – 2022. Campinas / São Paulo)
 
Ilustrações: 
 A. R. PENCK
(1939 - 2017. Dresden / Alemanha)

 
 
O mundo vive uma transformação sem precedentes. A ideia de domínio mundial é real e viva. Todas as estruturas políticas, culturais e morais que durante séculos sustentaram a sociedade estão sendo destruídas e substituídas por uma NOVA ORDEM MUNDIAL (em inglês New World Order - NWO) repressora, que modifica a nossa vida de maneira profunda e irreversível. Para entender, não somente as origens práticas e intelectuais desse movimento global e totalitário, mas também seu modus operandi, não é nada fácil. Tudo se oculta no panorama que nos cerca, não é imediatamente perceptível a mentes não treinadas – é um mundo de manipulação e opressão comandado pelo establishment. O mundo que conhecemos nos últimos tempos tem sido um mundo dividido, em crise moral e ética, corrompido, faminto. Não existe mais a perspectiva dos princípios de justiça e liberdade, de proteção aos humildes, de liberdade e respeito pelos direitos humanos. A população mundial de 6 bilhões de pessoas é governada por uma elite de cerca de 6 mil indivíduos, divididos em três forças globalistas: os metacapitalistas, o comunismo russo-chinês e o mundo islâmico.
 
Bilionários e banqueiros (George Soros, Bill Gates, Klaus Schwab, J.P. Morgan, Paul Warburg, Jacob Schiff, o brasileiro João Paulo Lemann e as famílias Rockefeller e Rothschild) patrocinam a criação de um governo supramundial, uma NOVA ORDEM MUNDIAL, autoritária, que ambiciona manter o poder político através da economia, restrição da liberdade, vigilância em massa, uso do terrorismo e líderes fantoches (Emmanuel Macron, Joe Biden, Justin Trudeau etc.). Eles têm o apoio do Vaticano, ONU, mídia, ONGs, Illuminatis, líderes mundiais, ditadores, comunistas, movimentos pela paz, ativistas.
 
Grupos de elite como Bildeberg, Frankfurt e outros super-ricos, aliados aos bilionários e aos banqueiros internacionais, dirigem o mundo. Eles se apresentam como socialistas, benevolentes e altruístas, mas há método nisso tudo: decidem as opções que temos para votar, em que causas acreditamos, quais alimentos são saudáveis e o que devemos consumir em todos os aspectos. São a face oculta do comunismo e sustentam uma estratégia conspiratória que atua para a formação do citado governo mundial avassalador. Essa corja endinheirada patrocina infâmias para ganhar dinheiro, enfraquecer a democracia e implantar o socialismo. Foi responsável por estourar guerras e revoluções, lucrando com armas que mataram ambos os lados nos conflitos. Trabalha para ter o controle dos recursos naturais, negócios e operações bancárias, por meio do domínio dos governos. E fazem isso emprestando dinheiro, financiando governantes e conflitos.
 
Os governos de esquerda, os programas de bem-estar social e tentativas de implantação de programas como renda básica, são ações desta rede de sabotadores como meios de um projeto de poder. Ocorrências significativas na política e finanças são orquestradas por uma camarilha influente que opera através de organizações de fachada. Essa poderosa confraria secreta investe em propaganda cuja ideologia esquerdista saúda a NOM como a culminação do progresso da humanidade. Inúmeros eventos já são batalhas vitoriosas em um plano diabólico de dominar o mundo. A NOVA ORDEM MUNDIAL, criada gradualmente, já tem vários marcos: a formação do Sistema de Reserva Federal dos Estados Unidos, em 1913; da Liga das Nações, em 1919; do Fundo Monetário Internacional, em 1944; da Organização das Nações Unidas, em 1945; do Banco Mundial, em 1945; da Organização Mundial da Saúde, em 1948; da União Europeia e da moeda euro, em 1993; da Organização Mundial do Comércio, em 1998; e da União de Nações Sul-Americanas, em 2008.
 
O abuso de vigilância é outro fator preocupante que tem os téntaculos da NOM. Ela estaria por trás do culto da vigilância em massa e do uso dos Social Security numbers, os códigos de barras das mercadorias, e, mais recentemente, identificação por radiofrequência por implantes de microchips. Defensores da privacidade do consumidor combatem os equipamentos de captura de dados e os sofisticados sistemas de identificação e autenticação, denunciando o rastreamento de cada movimento dos cidadãos em direção a um estado de vigilância como em “1984” (1949), do extraordinário inglês George Orwell.
 
A NOM também investe no controle populacional. Os meios variam de parar o crescimento das sociedades humanas, através da saúde reprodutiva e programas de planejamento familiar, que promovem a abstinência, a contracepção e o aborto, ou reduzir parte da população mundial através de genocídios, fomentando guerras desnecessárias, pestes de vírus de laboratórios e vacinas contaminadas, e por fim através de desastres ambientais aparentemente naturais etc. Os globalistas que conspiram em nome da NOVA ORDEM MUNDIAL se manifestam em alarmismos de superpopulação e de mudanças climáticas, cativando apoio público para o controle populacional.
 
Antes de 1990, a NOM foi denunciada pelos conservadores norte-americanos e por parte de cristãos preocupados com o aparecimento do Anticristo do fim dos tempos. Esse alerta abraçado pela direita se infiltrou na cultura popular, inaugurando, assim, um período do final do século XX e início do século XXI, onde muitos tomaram consciência do perigo que correm, da tirania à epidemias forjadas, da aniquilação dos valores familiares à escalada do terrorismo, de guerras manipuladas à perseguição religiosa. A expressão NOVA ORDEM MUNDIAL,  abordada inicialmente por políticos como o norte-americano Woodrow Wilson e o britânico Winston Churchill, não chegou a se tornar conhecida na época. Mikhail S. Gorbachev, então presidente da União Soviética, também usou o termo em uma conferência no Kremlin em abril de 1990. “Estamos apenas no início do processo de formação de uma nova ordem mundial”, afirmou. Longe de sabotagem, eles se referiam a um novo período da história caracterizado por uma drástica mudança no pensamento político mundial e o equilíbrio de poder após a Primeira e a Segunda Guerra Mundial. Percebiam como oportunidade para propostas idealistas na governança global no sentido de esforços para resolver problemas mundiais.
 
O escritor britânico H. G. Wells traduziu NOVA ORDEM MUNDIAL como sinônimo para o estabelecimento de um estado mundial tecnocrático e de economia planificada. Em seus livros “A Conspiração Aberta: Planos para uma Revolução Mundial” (1928) e “A Nova Ordem Mundial” (1940) promoveu o cosmopolitismo e ofereceu modelos para uma revolução mundial. Apesar da popularidade em círculos socialistas, ele não conseguiu exercer uma influência mais profunda e mais duradoura de suas ideias. De 1947 a 1957, crentes na literatura do canadense William Guy Carr, denunciaram maçons e illuminatis como sendo a força condutora por trás de uma conspiração comunista. A ameaça surgia na forma de um estado ateísta e de um governo global burocrático.
 
Na década de 1960, diversas personalidades alegaram que os governos norte-americano e soviético eram influenciados por cupinchas de banqueiros gananciosos e políticos corruptos que tinham a intenção de usar as Nações Unidas como veículo para criar um governo único. A norte-americana Mary M. Davison, em “A Revolução Profunda” (1966), mostrou as digitais da conspiração da NOVA ORDEM MUNDIAL na criação do Sistema de Reserva Federal dos EUA, em 1913, por banqueiros, que ela garantiu que mais tarde formaria o Council on Foreign Relations, em 1921, como um governo secreto. No ano em que o livro foi publicado, os banqueiros foram vistos como uma referência aos Rothschild.
 
Graças ao estímulo de conservadores como Linda Thompson, Mark Koernke e Robert K. Spear, surgiu um movimento que combateu os perigos do globalismo através de discursos em comícios e reuniões, livros e vídeos, rádios e fóruns de discussão na internet. No entanto, os programas de rádio AM noturnos e lives na internet foram os que mais contribuíram para efetivar a consciência e o combate à totalitária NOVA ORDEM MUNDIAL. A partir dos anos 1990, o impacto mundial dessas denúncias atraiu um grande público e pesquisadores. Programas de TV e thrillers de Hollywood também desempenharam um papel fundamental na ampliação de um vasto público contra a NOM. A série televisiva “Arquivo X” (1993 – 2002), os filmes “Teoria da Conspiração” (1997) e “Arquivo X – o Filme” (1998) são lembrados como exemplos notáveis.
 
Durante a crise financeira no final da década de 2000, muitos políticos e especialistas, como Gordon Brown e Henry Kissinger, usaram a sugestão da NOVA ORDEM MUNDIAL para uma reforma global do sistema financeiro, levando em consideração mercados comunistas como a China. Como consequência, essas declarações forneceram suplementos de precaução, que culminou com Sean Hannity afirmando em seu programa “Hannity”, da Fox News Channel, que os “teóricos da conspiração tinham razão”. A Fox, em geral, tem alertado contra os avanços da NOM, sendo criticados pela extrema esquerda. Mais recentemente, a expressão NOVA ORDEM MUNDIAL vem aparecendo ligada à do “Great Reset”, ou “Grande Reset”, que pode ser traduzido como “grande recomeço”. Difundido após o Fórum Econômico Mundial de 2020, em sua 50ª edição o evento foi chamado de “The Great Reset”. O fundador do Fórum, Klaus Schwab, tem seu nome associado a NOM. Em 2022, Glenn Beck, político conservador, publicou um livro afirmando que o “Great Reset” é “uma conspiração entre banqueiros, empresários e governos para fundar o totalitarismo global”, o que “geraria a desaceleração da economia e levaria as pessoas ao desemprego”.

No século XIX, líderes cristãos previram uma conspiração globalista para impor uma NOVA ORDEM MUNDIAL tirânica, cumprindo profecias bíblicas, especificamente no “Livro de Ezequiel”, “Livro de Daniel” e no “Livro do Apocalipse”. Eles alegavam que as criaturas que fizeram um pacto com o diabo, para ganhar riqueza e poder, levariam a humanidade a aceitar um governo que repousaria sobre as bases espirituais de uma religião sincrética-messiânica, que se revelaria um império distópico impondo o culto de uma “Trindade Irreligiosa” de Satanás, do Anticristo e do Falso Profeta. O Falso Profeta seria o último papa da Igreja Católica, um guru do movimento da Nova Era, ou o líder de uma organização cristã de ricos como “A Irmandade”, enquanto o Anticristo seria o presidente da União Europeia ou o Secretário-Geral das Nações Unidas. Afirmando que a NOVA ORDEM MUNDIAL é uma elite secreta dedicada à destruição das soberanias nacionais, o escritor e historiador norte-americano Gary Allen aprofundou o tema nos livros “Ninguém se Atreve a Chamar isso de Conspiração” (1971), “Rockefeller: Campanha pela Nova Ordem Mundial” (1974) e “Diga “Não!” para a Nova Ordem Mundial” (1987). Ele esclarece que o movimento ambientalista, o movimento pacifista, o feminismo, a mídia, o comunismo e as Nações Unidas estão confabulados com os bilionários que planejam controlar o mundo. Allen era membro destacado da organização de direita “John Birch Society”, fundada em 1958 nos EUA e opositora do comunismo. Birch foi um pastor batista assassinado pelo partido comunista em 1954.
 
Os diretores de cinema Luke Meyer e Andrew Neel lançaram o documentário “Nova Ordem Mundial” (2009), que jura que a NOVA ORDEM MUNDIAL não passa de teoria da conspiração, como repete como papagaios os artistas de esquerda. Não é o que acredita Edwin Black, autor de “Nazi Nexus: as Conexões Corporativas da América com o Holocausto de Hitler” (2009). Segundo ele, o termo Quarto Reich traduz a NOM, sua ideologia de estado e de governo seria similar ao Terceiro Reich da Alemanha, afirmando que corporações e fundações filantrópicas – cuja cumplicidade foi essencial para o esforço de guerra do Terceiro Reich, eugenia nazista e o Holocausto – atualmente conspiram para construir um Quarto Reich. O escritor Jim Marrs garante que nazistas, sobreviventes da queda do Reich alemão, protegidos por organizações como ODESSA e Die Spinne, trabalharam nos bastidores desde o fim da Segunda Guerra Mundial no sentido de aprovar princípios do nazismo (por exemplo, o imperialismo, a espionagem sobre os cidadãos, o corporativismo, o uso de propaganda para fabricar um consenso nacional) na cultura, governo e negócios em todo o mundo. Ele cita a influência de cientistas nazistas trazidos sob a “Operação Paperclip” para ajudar no avanço da produção aeroespacial nos EUA.
 
Sabemos que o ideal totalitário é uma constante do pensamento de extrema esquerda. Todas as ideias que devem ser seguidas para fortalecer a NOM são apresentadas por ela como verdades absolutas e bem conhecidas do senso comum. Os globalistas manipulam a informação, determinando os principais acontecimentos, crises financeiras, guerras, questões da política, cultura e educação (principalmente ideológica), inclusive em nações distantes, através do financiamento de ONGs, de redes de TV, mídias em geral e de partidos políticos, visando à quebra das soberanias desses mesmos países. Eles buscam uma nova forma de controle para substituir a antiga revolução violenta. No sentido contrário, os comunistas-globalistas visam na cultura e na educação exercer seu domínio nas mentes. Diferente do passado, o novo totalitarismo condiciona os escravos a amarem sua escravidão. Introduzindo um pensamento esquerdista e idiotizante ao longo de décadas, proporcionaram o assombroso quadro social em que vivemos.
 
Para que se elimine as barreiras que inviabilizam a NOM, domesticam uma população para que tenha por objetivo a busca incessante pela “pseudo felicidade” e que de forma alucinante é oferecida em pacotes ideológicos, químicos e comportamentais. O politicamente correto, o materialismo positivista, frivolidade artística, ideologia de gênero, linguagem neutra e futilidade generalizada, ao mesmo tempo em que matam a Deus, imprimem uma carga de desregramentos e desequilíbrios que tornam os cidadãos passíveis de controle. Nesse ambiente de distorções, nascem o analfabeto funcional, o pseudointelectual e o militante idiotizado, e é nessa conjuntura de aberrações que se torna possível fazer com que os esquerdistas afirmem que a NOVA ORDEM MUNDIAL é uma teoria da conspiração e que o socialismo não é um puxadinho do comunismo. A imbecilização da população, bem como a incapacidade de reflexão, abastecem com informações falsas ou sem relação com os problemas reais, possibilitando ao globalismo seguir seu curso.
 
Segundo Sócrates no seu diálogo em “A República” (350 a.C.), de Platão, o bom homem e o bom estado são aqueles que superando seus vícios, sua ignorância e desregramentos elevam-se em moral, bondade, equilíbrio e justiça. Apenas um desenvolvimento intelectual e moral honesto podem imunizar o ser humano de se entregar à mercê de comunistas, e de fornecer uma compreensão da realidade. Só o conhecimento leva à liberdade de realizar o que se quer, de ser o que se quer e de fazer o que se quer. Só ele nos faz enxergar males como a NOVA ORDEM MUNDIAL. Só o conhecimento intelectual e espiritual, nos faz aguçar a esperança de um mundo melhor e despertar mentes e corações para a vontade guerreira de ir à luta por um futuro conservador. O mundo atravessa uma perigosa época sem compreender para onde vai nem saber quem o leva. Ao se aprofundar no tema, o leitor estará capacitado a discutir as conspirações desumanas com autoridade de quem entende o assunto, inclusive dar nome aos bois e sustentar os fatos com datas. Avante, patriota!
 

FONTES
 
ADMIRÁVEL MUNDO NOVO (1932)
de Aldous Huxley
 
BEM-VINDO ao HOSPÍCIO (2016)
de Alexandre Costa
 
INTRODUÇÃO à NOVA ORDEM MUNDIAL (2015)
de Alexandre Costa
 
O JARDIM das AFLIÇÕES
– De EPICURO à RESSURREIÇÃO de CÉSAR:
ENSAIO SOBRE o MATERIALISMO e a RELIGIÃO CIVIL (1995)
de Olavo de Carvalho
 
1984 (1949)
de George Orwell
 
NAZI NEXUS: 
as CONEXÕES CORPORATIVAS da AMÉRICA
com o HOLOCAUSTO de HITLER (2009)
de Edwin Black
 
A NOVA ORDEM MUNDIAL (1940)
de H. G. Wells
 
A CONSPIRAÇÃO ABERTA:
PLANOS PARA uma REVOLUÇÃO MUNDIAL (1928)
de H. G. Wells
 
NINGUÉM se ATREVE a CHAMAR ISSO de CONSPIRAÇÃO (1972)
de Gary Allen
 
POLÍTICA, IDEOLOGIA e CONSPIRAÇÕES
- A SUJEIRA POR TRÁS das IDÉIAS 
que DOMINAM o MUNDO (1971)
de Gary Allen e Larry Abraham 
 

A REVOLUÇÃO PROFUNDA (1966)
de Mary M. Davison
 
A REPÚBLICA (350 a.C.)
de Platão
 
A REVOLUÇÃO dos BICHOS:
um CONTO de FADAS (1945)
de George Orwell
 
TRAGÉDIA e ESPERANÇA (1966)
de Carroll Quigley
 

outubro 28, 2023

...................................................... A MORTE não MANDA RECADO

 


A velhice poderia ser a suprema solidão, 
não fosse a morte uma solidão ainda maior.
JORGE LUIS BORGES
(1899 – 1986. Buenos Aires / Argentina)
 
Estar sozinho é treinarmo-nos para a morte.
LOUIS-FERDINAND CÉLINE
(1894 – 1961. Courbevoie / França) 
Viagem ao Fim da Noite (1932)
 
Fotografias:
 ANALU PRESTES
(71 anos. Santos / São Paulo)

 

Em 2021, um distinto intelectual potiguar morreu. Seu filho único, um sujeito estranho, que despreza livros, anunciou que venderia a notável coleção do pai, de centenas de livros, a sebos, por preço irrisório. Como o finado apreciava meus textos, ele me convidou para que eu o visitasse e levasse os livros que tivesse vontade. Dias depois, no bonito apartamento, fiquei encantado diante da mágica biblioteca. Ocupava uma sala enorme e outra menor, organizada por gênero literário e ordem alfabética. Um tesouro! Algumas publicações raríssimas. Passei horas no local, emocionado. Era como estar na caverna de Ali Babá. Em êxtase, escolhi cerca de 100 livros, de Tolstoi a Faulkner, de Camus a Hesse.
 
O episódio me abalou emocionalmente e iniciei um processo de autoanálise, reconhecendo que nada é para sempre e nossos bens mais preciosos podem terminar nas mãos de toscos. Eu leio e vejo filmes todos os dias. Em Natal, acumulei mais de mil livros. Depois desse fato, doei 70% deles para escolas públicas. A seguir, ofereci telas, esculturas e desenhos, de artistas nordestinos e portugueses, a um bazar católico. Fiquei com cinco pinturas. O exuberante vestuário do tempo em que viva na Europa, um casaco de pele de carneiro a camisas irreverentes, ofertei ao brechó de um abrigo de idosos. Caiu repentinamente a ficha de que nada é para sempre.
 
Por fim, juntei o legado do companheiro suicida de longos anos. Roupas, sapatos, livros, CDs etc. Em caixas, deixei na murada da popular Praia de Areia Preta. Agora é a vez de desapegar dos filmes. Cinéfilo, colecionador apaixonado, juntei mais de sete mil fitas em DVDs. Uma preciosa coleção que venho postando em plataforma virtual e ofertando os DVDs. Já não acredito em coleções majestosas. Afinal, a morte não manda recado. Só a inquieta juventude tem o direito de investir na ilusória eternidade ou na importância do desimportante. No tempo que me resta, quero suavizar o coração com atitudes do bem. O inferno fecha as portas de fogo para os guerreiros de Deus.
 

15 LIVROS que GANHEI da BIBLIOTECA 
do FALECIDO INTELECTUAL
(por ordem de lançamento)
 
01
MEMÓRIAS
(1852 a 1856) 
autor: Leon Tolstoi
 
02
O CORAÇÃO das TREVAS
(Heart of Darkness, 1902) 
autor: Joseph Conrad
 
03
O IMORALISTA
(L'Immoraliste, 1902) 
autor: André Gide
 
04
SOB o SOL de SATÃ
(Sous le Soleil de Satan, 1926) 
autor: Georges Bernanos
 
05

ORLANDO
(Idem, 1928) 
autor: Virginia Woolf
 
06
O SOM e a FÚRIA
(The Sound and the Fury, 1929) 
autor: William Faulkner
 
07
VIAGEM ao FIM da NOITE
(Voyage au Bout de la Nuit, 1932) 
autor: Louis-Ferdinand Céline
 
08
A INTELIGÊNCIA e o CADAFALSO
(L'intelligence et L'échafaud, 1943) 
autor: Albert Camus
 
09

A MORTE de VIRGILIO
(Der tod des Vergil, 1945) 
autor: Hermann Broch
 
10
MINHA FÉ
(Mein Glaube, 1952) 
autor: Hermann Hesse
 
11
O LONGO ADEUS
(The Long Goodbye, 1953) 
autor: Raymond Chandler
 
12
RECORDAÇÕES de FAMÍLIA
(Souvenirs Pieux, 1974) 
autor: Marguerite Yourcenar
 
13
LIVRO dos SONHOS
(Libro de Suenos, 1976) 
autor: Jorge Luis Borges
 
14
Se um VIAJANTE numa NOITE de INVERNO
(Se una Notte d´inverno um Viaggiatore, 1979) 
autor: Italo Calvino
 
15
SOBRE a MORTE
(Über den Tod, 2003) 
autor: Elias Canetti
 
 


setembro 25, 2023

.............................................................................. TRISTE FIM da NAÇÃO

 

 

A CAMINHO de um BRASIL sem POVO

J.R. GUZZO
(1943. São Paulo / SP)
Revista Oeste
 

Juntos, o STF e o Poder Executivo governam o país sem nenhum tipo de concorrente ou de oposição capaz de impedir qualquer dos seus movimentos

O Brasil, dia após dia, está se transformando num país cubano/soviético.

Com o consórcio formado pelo Supremo Tribunal Federal e as facções que dão suporte ao presidente da República, o Brasil, cada vez mais, só tem governo — não tem população.

Como na Rússia comunista, e em todos os regimes que surgiram à sua semelhança, de Cuba e Coréia do Norte à China, o país está a caminho de ficar sem instituições; elas ainda não foram eliminadas oficialmente, mas cada vez valem menos.

Os cargos públicos que têm influência real na máquina do Estado vão sendo ocupados, a cada escolha, por aliados que o consórcio impõe.

Na prática, há um regime de partido único, a sociedade Lula-STF — os outros partidos fazem alguns ruídos, mas não conseguem controlar nem uma CPI que eles mesmos propõem, e podem ser multados em R$ 22 milhões se apresentarem uma petição à Justiça suprema. 
 
Há um Congresso Nacional; em Cuba há e na Rússia Soviética também havia. Mas as leis aprovadas pelos deputados são simplesmente anuladas pelo STF, quando ele quer, e seja o assunto que for.

É o que está acontecendo com a lei sobre terras indígenas, aprovada na Câmara por 283 votos a 155, mas a caminho de ser declarada nula pelos ministros — como a Lei nº 14.950, sobre o mesmo assunto.

A maior parte da imprensa se dedica à adoração de Lula, do seu governo e do ministro Alexandre de Moraes. Funciona, na realidade, como um grande Pravda,ou Granja, escrito e falado em português — e muitas vezes em mau português.

Ainda falta um bom caminho para chegar lá, e a República Soviética do Brasil, pelo menos por enquanto, está se limitando a eliminar a liberdade política. (Na Rússia comunista, por exemplo, não havia, nem há, Parada Gay, nem gays parados nas esquinas e também era preciso passaporte interno para ir de uma cidade à outra, e a lista telefônica de Moscou era segredo de Estado, entre outras curiosidades que só o comunismo é capaz de criar.)

Mas é exatamente para lá, um regime totalitário mais ao estilo do século 21 e fabricado basicamente com peças de produção nacional, que o país está indo.

Faça uma pergunta simples: quem vai impedir, se são o STF e o Sistema “L” que escrevem as leis e decidem o que é legal e o que é ilegal?

Não vão ser, com certeza, as Forças Armadas, que de cinco em cinco minutos declaram-se a favor da “legalidade”, ou seja, do que o consórcio STF-Lula diz que é a legalidade.

De mais a mais, os comandantes militares estão a favor desse partido único que hoje governa o país; entregaram para a polícia, trancados em ônibus, os cidadãos que protestavam contra o resultado das eleições, em manifestação legítima, em frente ao QG do Exército em Brasília.

Não será o Judiciário, que é apenas uma grande repartição pública comandada pelo STF. Não será, obviamente, o Congresso, que não existe mais como força política efetiva.

Não serão os 150 milhões de brasileiros que estão ocupados o dia inteiro com a sua sobrevivência física, e não têm tempo para tratar de política. Em suma: não é ninguém.

Em que país sério do mundo, esses mesmos onde Lula faz “política externa” turística se hospedando em hotéis com diária de mais de R$ 40 mil, o presidente, rei ou primeiro-ministro nomeia seu advogado pessoal para a Suprema Corte? Nem Stalin fez isso.
 
A união soviética brasileira não é um “copiar e colar” da antiga URSS; embora leve mais ou menos aos mesmos resultados, em termos de criar uma ditadura efetiva na vida pública, é basicamente coisa de construção tupiniquim, sem maiores filosofias políticas como o original em alemão.

Não houve nenhuma revolução, nem a tomada do Palácio de Inverno ou a descida da Sierra Maestra. Sua chave é o acordo de acionistas entre o STF e o Poder Executivo, tal como ele é encarnado por Lula — juntos, governam o país sem nenhum tipo de concorrente ou de oposição capaz de impedir qualquer dos seus movimentos. Os ministros, para ficar só no mais grosso, eliminaram as leis brasileiras para tirar Lula da cadeia, onde cumpria pena pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, e para anular todos os processos penais contra ele, de modo a possibilitar a sua candidatura à Presidência da República.Agora avançam contra os efeitos da Lava-jato anulando todas as suas sentenças e penalidades que incidiram sobre os corruptos e sobre as empresas envolvidas no maior esquema de corrupção jamais visto na história desse País.

Foram todos inocentados e deverão receber de volta todos os bilhões que roubaram da Nação e que a Lava-jato 9s obrigou a devolver aos cofres públicos.

Através do TSE e com o apoio do STF, comandaram a campanha mais escura, contestada e parcial da história eleitoral brasileira, com um sistema de urnas eletrônicas que não é utilizado em nenhuma democracia do planeta; contaram os votos e declararam que Lula tinha ganhado. Em troca, o Sistema “L” aceita tudo o que o Supremo quer que se faça, em qualquer área ou ocasião.

Juntos, escolhem os novos integrantes do TSE, que passa a ser 100% controlado pelo consórcio, e combinam quem serão os comparsas que assumirão os cargos chaves dos poderes da República como agora, no caso do novo procurador-geral da República, o que elimina o Ministério Público como força independente na vida pública brasileira, conforme estabelecido na Constituição.

São decisões tomadas em churrascos hermeticamente fechados e isolados do resto do mundo em Brasília, com a proibição da entrada de celulares no recinto.

Que diabos de “instituições” resultam de um negócio desses?

Na verdade, as instituições e os deveres obrigatórios de uma república ou das verdadeiras democracias estão sendo eliminados, um depois do outro, pelas decisões tecnicamente legais do consórcio STF-Lula. O presidente, em meio à indiferença da população e à anestesia moral que marca o Brasil de hoje, nomeia o seu advogado pessoal para a vaga existente no STF — o seu advogado pessoal, nada menos que isso. A mídia, o mundo político e as classes intelectuais fingem que a nomeação é uma coisa normal, ou quase normal. 
 
Não chama a atenção de ninguém um fato muito simples: é impossível, no mundo das realidades, que o novo ministro tome qualquer decisão minimamente contrária aos interesses do presidente da República — ou alguém acredita, honestamente, que ele possa ser imparcial nas suas sentenças, como é exigência elementar de qualquer democracia decente?

Lula, na verdade, governa sem nenhum freio — pois um dos freios, o Judiciário, é seu sócio no partido único, e o outro, que seria o Legislativo, não é capaz de frear nada, mesmo porque, quando tenta frear alguma coisa, o STF vem e diz que não vale.

O resultado prático é que Lula compra sofás de R$ 65 mil para a decoração de sua residência — com dinheiro do pagador de impostos, é claro. Compra um novo Airbus para o seu transporte pessoal. Recebe em Brasília um ditador que tem a cabeça a prêmio por US$ 15 milhões, por tráfico internacional de drogas. Faz o que quer, e o que o STF deixa.

Há eleições no Brasil, mas também há o TSE — e enquanto houver o TSE as eleições não valem nada, ou só valem o que a “Justiça Eleitoral” diz que valem.

O TSE, hoje, é uma polícia política integralmente a serviço do governo. 
 
É uma aberração que consegue gastar R$ 10 bilhões por ano, mesmo nos anos em que não há eleição nenhuma, e não tem similar em nenhum outro País do mundo,— a começar pelo fato de que se dá o direito de cassar mandatos de deputados federais ou de quem lhe der na telha.

Cassaram o mandato do deputado Deltan Dallagnol, por vingança pessoal de Lula, sem o mais remoto vestígio de legalidade; foi uma decisão de AI-5, com umas fumaças de procedimento jurídico que não enganariam uma criança com dez anos de idade.

O resultado é que o consórcio anulou a decisão legítima dos eleitores do Paraná; pior ainda, nomeou de forma grosseira o novo ocupante da vaga que foi aberta pela cassação, colocando no lugar de Dallagnol, que teve 350 mil votos, um outro que teve 12 mil.

Em seguida vão cassar o Sérgio Moro dando continuidade à sanha vingativa do Lulinha do AMOR.

Que tal, como limpeza, ou mera lógica, do sistema eleitoral?

Já cassaram os direitos políticos de Jair Bolsonaro, única e exclusivamente porque identificam nele um possível candidato que se opõe com chances de sucesso ao partido único STF-Lula.

É uma medida preventiva, ou de back-up antecipado — estão agindo como se as próximas eleições presidenciais pudessem ser diferentes das de 2022, do ponto de vista operacional do TSE. De novo, como no caso do deputado Dallagnol, a proibição para Bolsonaro disputar eleições, ou ter qualquer participação na política brasileira, é 100% ilegal.

A desculpa é que ele manifestou dúvidas sobre a perfeição do atual sistema de urnas eletrônicas, só adotado, além do Brasil, em dois países, Butão e Bangladesh. 
 
Poderia ser qualquer outra coisa: genocídio, assassinato de índios, quilombolas e gays, defesa da cloroquina,tudo dá motivos para a cassação do Bolsonaro. O objetivo é eliminar a direita da vida política do Brasil.

Como é possível, com um mínimo de racionalidade, tornar alguém inelegível porque ele disse que tinha dúvidas sobre um sistema de votação obviamente sujeito a todo tipo de dúvida?

E o próximo passo será prendê-lo como uma espécie de vingança do Lula que até hoje não absorveu a sua justa prisão e quer dar o troco cometendo uma injustiça contra o Bolsonaro.

A implacável perseguição ao ex-presidente que até o momento não conseguiu reunir razões que justifiquem sua prisão, será coroada com sucesso pela delação premiada do seu ex ajudante de ordens, o Coronel Cid que foi pressionado ardilosamente com uma prisão injusta de mais de três meses por supostas falsificações de cartões de vacinas e que no decorrer do processo foi sendo engrossado com novas acusações de venda fraudulenta de jóias, lavagem de dinheiro e outras que se caracterizaram como uma verdadeira tortura psicológica que resultou finalmente, na obtenção da forçada "delação premiada" com o único objetivo de prender o Bolsonaro e satisfazer os instintos vingativos do Lula.

Além, por um despacho do ministro Alexandre de Moraes, o STF cassou sem nenhuma formalidade legal o mandato do governador de Brasília. Depois devolveu, por outro despacho do mesmo Alexandre de Moraes — mas o governador, hoje, é capaz de jurar que o triângulo tem quatro lados, se os ministros assim quiserem.

Com o Congresso é o mesmo tipo de calamidade.

O que adianta pagar R$ 14 bilhões por ano para manter um Congresso cujas leis podem ser anuladas a qualquer momento, e sem razão nenhuma, pelo Supremo?

Não é só o marco temporal.

Já foi a mesma coisa com a anulação da lei que determinava o cumprimento da pena em prisão fechada para réus condenados em segunda instância, o que tirou Lula do xadrez da Polícia Federal onde ficou trancado durante 20 meses.

Também será assim, daqui a pouco, com a lei, perfeitamente aprovada pelo Congresso, que tornou voluntário o pagamento do imposto sindical — o efeito imediato dessa lei, obviamente, foi que nenhum trabalhador brasileiro quis pagar mais.

Nessa área, o STF já exarou decisão sobre a legalidade da cobrança pelos sindicatos da

“contribuição sindical”, (o que é diferente do Imposto Sindical), a ser cobrada inclusive dos trabalhadores não sindicalizados.

O que poderia representar com mais perfeição a vontade do povo?

Mas Lula quer que o imposto volte a ser obrigatório, e o STF se prepara para atender a exigência. 
 
O ministro que foi encarregado de resolver o problema argumenta que hoje os“tempos são outros” — um raciocínio realmente espantoso, levando-se em conta que os tempos estão em mudança perpétua e, por via de consequência, nenhuma lei aprovada no passado é válida no presente.

Fazer o quê?

Esse Congresso Nacional que está aí não é capaz sequer de proteger os mandatos dos seus próprios deputados; não é capaz de nada. 
 
A “Mesa” da Câmara dos Deputados concordou oficialmente com a cassação de Dallagnol.

Já havia concordado, não faz muito tempo, com a prisão por nove meses do deputado Daniel Silveira, e das demais sanções contra ele,também por ordem do ministro Moraes.

É diretamente contra a lei.

A Constituição diz que um deputado federal só pode ser preso em flagrante, e pela prática de crime inafiançável; Daniel Silveira não foi preso em flagrante nem cometeu nenhum crime inafiançável.

E daí?

Foi preso do mesmo jeito.

Aliás, está preso de novo hoje, desta vez por não usar a tornozeleira eletrônica que o ministro lhe impôs, apesar de ter recebido um indulto absolutamente legal do ex-presidente Bolsonaro; o STF, como nas leis aprovadas pelo Congresso, decidiu que o indulto não vale.

Esperar o que, se o presidente da Câmara, o deputado Arthur Lira, está disposto a assinar a cassação do seu próprio mandato, se receber ordem do STF?

Não há nada a esperar.

A República Cubano/ Soviética do Brasil ainda não acabou com a propriedade privada — e nem parece a ponto de acabar, quando se considera a ilimitada quantidade de propriedades estritamente privadas que os membros do consórcio têm e que por isso mesmo, estabeleceu que as propriedades privadas, que a critério do STF, não cumpram com os
“objetivos sociais”, serão passíveis de serem cassadas. Assim, eles cassam as que quiserem ao seu critério.

Também não tornou legal, pelo menos até agora, a coletivização da terra — apesar da paixão de Lula pelo movimento semi terrorista que invade propriedades rurais, destrói bens e pratica a violência armada, sem que um único de seus agentes seja jamais incomodado pelo sistema judicial.
 
Mas já organiza e hospeda, em Brasília, reuniões do seu próprio Comintern, a que hoje se dá o nome de “Foro de São Paulo” e que cobra inscrições em dólar.

Está montando uma máquina estatal de estilo soviético, que só serve ao partido e está mais distante do povo brasileiro do que a Terra da Lua.

O Ministério da Justiça, logo esse, já é comandado por um comunista de carne e osso; ele mesmo, aliás, já disse que é comunista “graças a Deus”.
 
É para aí que vai a procissão...

E agora brasileiros, o que vamos fazer para evitar que isso se torne cada vez mais realidade?
Como vamos impedir que isso aconteça?

Proposta: Vamos começar divulgando esse texto em todas as mídias sociais, para uma conscientização geral.

É uma esperança.