abril 29, 2023

................................................................................... O AMOR ACABA


Ilustrações:
JULIE MERRIGAN
  (Melbourne, Victoria / Auistrália)
 
 
A crônica tem força genuína e trajetória gloriosa na literatura brasileira. Nosso elenco de gigantes cronistas, mestres em devaneios existenciais, conta com nomes imortais como Otto Lara Rezende, Nelson Rodrigues, Antônio Maria, João do Rio, Cecília Meireles, Clarice Lispector, Rachel de Queiróz, Fernando Sabino, Hélio Pólvora, Carlos Drummond de Andrade, PAULO MENDES CAMPOS, Rubem Braga, Sérgio Augusto, Paulo Francis. Entre transcendências e trivialidades, fizeram história. A crônica de PAULO MENDES CAMPOS (1922 - 1991. Dom Silvério / Minas Gerais) conseguiu um lugar singular.  Ela encontra a poesia. Peças curtas de teor poético.  Segundo o escritor, num aparente pouco caso, “Crônica são duas laudas de papel em branco. É a azeitona do pastel cultural. Age como tempero da massa noticiosa.”. Ele escreveu crônicas em ritmo diário, para jornais como “Correio da Manhã”, “Jornal do Brasil” e “Diário Carioca”, e para a revista “Manchete”.

Claro, refinado e sem nada de solene, é autor de uma das mais belas crônicas da língua portuguesa, que tem o título de O AMOR ACABA. Certeiro e comovente, inventário de rupturas, o texto enaltece a fragilidade e a efemeridade do amor. Publicado inicialmente na revista “Manchete”, em 16 de maio de 1964, o sucesso foi imediato. Os leitores que já viveram a desilusão do amor leram a sua própria história. O cronista dá pistas sobre a dissolução do sentimento e nas entrelinhas diz que o final do amor começa com o hábito da rotina enfadonha. A faceta lírica e a destreza de PAULO MENDES CAMPOS conquistam o leitor. O cronista não economiza em seu louvor à sensibilidade, numa busca frenética pelo instante precioso, pela frase iluminadora. Ele talvez não imaginasse a repercussão que teria seu melancólico ensaio, cujas palavras atravessam os tempos. Confira abaixo.
 
O AMOR ACABA
 
O amor acaba. Numa esquina, por exemplo, num domingo de lua nova, depois de teatro e silêncio; acaba em cafés engordurados, diferentes dos parques de ouro onde começou a pulsar; de repente, ao meio do cigarro que ele atira de raiva contra um automóvel ou que ela esmaga no cinzeiro repleto, polvilhando de cinzas o escarlate das unhas; na acidez da aurora tropical, depois duma noite votada à alegria póstuma, que não veio; e acaba o amor no desenlace das mãos no cinema, como tentáculos saciados, e elas se movimentam no escuro como dois polvos de solidão; como se as mãos soubessem antes que o amor tinha acabado; na insônia dos braços luminosos do relógio; e acaba o amor nas sorveterias diante do colorido iceberg, entre frisos de alumínio e espelhos monótonos; e no olhar do cavaleiro errante que passou pela pensão; às vezes acaba o amor nos braços torturados de Jesus, filho crucificado de todas as mulheres; mecanicamente, no elevador, como se lhe faltasse energia; no andar diferente da irmã dentro de casa o amor pode acabar; na epifania da pretensão ridícula dos bigodes; nas ligas, nas cintas, nos brincos e nas silabadas femininas; quando a alma se habitua às províncias empoeiradas da Ásia, onde o amor pode ser outra coisa, o amor pode acabar; na compulsão da simplicidade simplesmente; no sábado, depois de três goles mornos de gim à beira da piscina; no filho tantas vezes semeado, às vezes vingado por alguns dias, mas que não floresceu, abrindo parágrafos de ódio inexplicável entre o pólen e o gineceu de duas flores; em apartamentos refrigerados, atapetados, aturdidos de delicadezas, onde há mais encanto que desejo; e o amor acaba na poeira que vertem os crepúsculos, caindo imperceptível no beijo de ir e vir; em salas esmaltadas com sangue, suor e desespero; nos roteiros do tédio para o tédio, na barca, no trem, no ônibus, ida e volta de nada para nada; em cavernas de sala e quarto conjugados o amor se eriça e acaba; no inferno o amor não começa; na usura o amor se dissolve; em Brasília o amor pode virar pó; no Rio, frivolidade; em Belo Horizonte, remorso; em São Paulo, dinheiro; uma carta que chegou depois, o amor acaba; uma carta que chegou antes, e o amor acaba; na descontrolada fantasia da libido; às vezes acaba na mesma música que começou, com o mesmo drinque, diante dos mesmos cisnes; e muitas vezes acaba em ouro e diamante, dispersado entre astros; e acaba nas encruzilhadas de Paris, Londres, Nova Iorque; no coração que se dilata e quebra, e o médico sentencia imprestável para o amor; e acaba no longo périplo, tocando em todos os portos, até se desfazer em mares gelados; e acaba depois que se viu a bruma que veste o mundo; na janela que se abre, na janela que se fecha; às vezes não acaba e é simplesmente esquecido como um espelho de bolsa, que continua reverberando sem razão até que alguém, humilde, o carregue consigo; às vezes o amor acaba como se fora melhor nunca ter existido; mas pode acabar com doçura e esperança; uma palavra, muda ou articulada, e acaba o amor; na verdade; o álcool; de manhã, de tarde, de noite; na floração excessiva da primavera; no abuso do verão; na dissonância do outono; no conforto do inverno; em todos os lugares o amor acaba; a qualquer hora o amor acaba; por qualquer motivo o amor acaba; para recomeçar em todos os lugares e a qualquer minuto o amor acaba.
 
Revista Manchete, 16 de maio de 1964

fernando sabino, paulo mendes campos, hélio pellegrino e otto lara rezende
 
TODA LITERATURA de PAULO MENDES CAMPOS
 
POESIAS
A Palavra Escrita (1951)  
Forma e Expressão do Soneto, antologia (1952)
O Domingo Azul do Mar (1958)
Testamento do Brasil (1966)
Transumanas (1977)
Poemas (1979)
Diário da Tarde (poesia e prosa) (1981)
Trinca de Copas (poesia e prosa) (1984)


CRÔNICAS
O Cego de Ipanema (1960)
Homenzinho na Ventania (1962)
O Colunista do Morro (1965)
Antologia Brasileira de Humorismo (1965)
Hora do Recreio (1967)
O Anjo Bêbado (1969)
Rir é o Único Jeito: Supermercado (1976) 
(reedição de “Hora do Recreio”)
Os Bares Morrem numa Quarta-feira (1980)
O Amor Acaba - Crônicas Líricas e Existenciais (1999)
Brasil Brasileiro - Crônicas do País, das Cidades e do Povo (2000)
Alhos e Bugalhos (2000)
Cisne de Feltro - Crônicas (2000)
Murais de Vinícius e Outros Perfis (2000)
O Gol é Necessário - Crônicas Esportivas (2000)
Artigo Indefinido (2000)
De um Caderno Cinzento - Apanhadas no Chão (2000)
Balé do Pato e Outras Crônicas (2003)
Quatro Histórias de Ladrão (2005)
 
INFANTO-JUVENIL
A Arte de ser Neta (1985)

 
 

março 30, 2023

................................................ JORNALISMO na CALADA da NOITE

paulo francis
   
 
Jornalistas perdem qualidade 
porque não pisam na rua. 
Ficam no trabalho, quentinhos, 
fazendo-se de bons meninos 
e cumprindo ordens.
 
Arrume uma boa notícia 
e não tenha medo de explicá-la. 
Dê ao leitor a chance de se identificar
 com você ou rejeitá-lo.
 TOM WOLFE
(1930 – 2018. Richmond / EUA)

para Hélio Pólvora e Manoel Leal,
grapiúnas que me ensinaram o bê-á-bá do jornalismo

Ilustrações:
MARK T. SMITH
(1868. Wilmington, Delaware / EUA)


Convidado para um bate-papo sobre jornalismo em uma universidade potiguar, senti um toque de insegurança. Tímido para falar em público, lembrei-me do poeta José Carlos Capinam garantindo estar com TPM (segundo ele, “Tensão Pré-Manifestação”), pouco antes da sua fala no I Encontro Natalense de Escritores (ENE). Eu me vi assim. Dias antes, conversei durante horas, em uma mesa de bar, com veteranos consagrados da imprensa tupiniquim - Zuenir Ventura, Ignácio de Loyola Brandão e Villas-Boas Corrêa -, constatando o histórico sensacional das feras. O que eu poderia acrescentar de novo para estudantes encantados com uma profissão que perdeu o rumo? Quais os frutos e apontamentos? Como traduzir sem amargura a essência do mecanismo jornalístico? Pensei em iniciar o depoimento com a revista “Veja” numa das mãos, firme, denunciando a imprensa mercenária e inconsequente que deve ser evitada a qualquer custo. Concluí que pegaria pesado, aniquilando esperanças, mesmo com a crença de que alguns dos jovens presentes eram leitores da polêmica coluna “Lado B”, que assinava no “JH-Primeira Edição”. E se mostrasse as antigas e lendárias “O Cruzeiro” e “Realidade”, provando que já existiu vida inteligente na nossa imprensa? Ou talvez contar casos inesperados acontecidos no exercício da profissão, citar influências, relembrar entrevistas que fiz para a “Folha de S. Paulo”, “O Tempo” (MG), “A Tarde” (BA), “Tribuna do Norte” (RN), jornais de Portugal e Espanha. Por fim, apostei no improviso. E tudo correu bem. Lembro aqui uma ou outra narrativa.

O clássico “Todos os Homens do Presidente” me fez despertar a vocação jornalística. Eu o vi na TV, num “Sábado a Noite no Cinema”, e desde então decidi que seria jornalista. A carreira começou em 1983, ainda bem jovem, no “A Região”, um jornal que fez época no sul da Bahia, publicando não só nomes consagrados, como os estreantes, pelos quais o diretor Manoel Leal tinha o maior apreço. Eu passava um tempão diante da máquina de escrever, à espera das palavras certas. Hélio Pólvora, nosso editor, disse certa vez que eu escrevia com toques de pura literatura, fez elogios. Animado, escrevi sem preconceitos, indomável, por vezes cáustico. Passei por todos os jornais da cidade natal e até como repórter da TV Manchete. Ativo, leitor obsessivo, apoiado em sólida pesquisa. Então passei a me considerar filho do jornalismo literário do norte-americano Tom Wolfe.

Talvez seja possível concluir essa trajetória de quatro décadas, inúmeras publicações e diversos países, dezenas de colunas e crônicas, blogues e redes sociais, como o transbordamento sincero de uma alma cigana. Entre o lúdico, o lúcido e estocadas violentas, procurei usar a palavra pela via da cultura, prestando serviço à divulgação das artes. Fui um paladino, se me permitem a palavra, da difusão das artes nordestinas. No fundo, creio na iconoclastia, na contracultura. Não aprecio jornalismo com Lexotan. David Nasser criticou a construção de Brasília e a inflação que gerou, tornando o presidente Juscelino Kubitschek seu inimigo, e invadiu os subterrâneos da Maçonaria, até então um mistério. Um escândalo! É a minha cara! A favor do cuspir fogo e também da sensatez, tenho o brilhante Paulo Francis como ícone confesso. O caro jornalista escreveu: “É bom poder ter espaço para resistir aos avanços da horda”. Ele é tão impecável como H. L. Mencken, J. R. Guzzo, Guilherme Fiuza ou Olavo de Carvalho. Fiquei contente ao saber que tinha como filme favorito o mesmo que está no topo da minha lista, o verborrágico “A Malvada” (1950), de Joseph L. Mankiewicz. Como ele, desconfio dos raciocínios temperamentais, afinal nenhuma verdade é absoluta. Entretanto, será que os jornalistas de espírito devem aparentar sobriedade, inteligência ou qualquer outro artifício? Creio que vale escrever como quem mija, sem freios.

Aventureiro, manipulador e manipulado, perseguindo a notícia e o seu conceito de verdade como um detetive, íntimo dos poderosos, solitário, trabalhador sem horário, nômade por dever de ofício, companheiro da noite, o jornalista (ou a imagem que se fazia dele) é das raras ocupações que, no seu estado natural, tinha uma aura romântica para inspirar qualquer fantasia intrépida. Por fim, a visão do jornalista-herói-da-verdade, herdado em grande parte do cinema norte-americano, ficou no passado, não mais existe no nosso “admirável mundo novo”. Há atualmente uma baixa de credibilidade e uma opinião generalizada negativa face ao excesso militante e mercenário da classe jornalística.

A velocidade e facilidade das comunicações, e as alterações da consciência arrebatada do jornalismo introduzidas pela televisão e a internet, provocaram paradoxos. O que tinha sido uma vocação espiritual, ou seja, um destino, tornou-se uma profissão e uma carreira com vantagens: em vez de conhecer e dar a conhecer o mundo ou influenciá-lo, viver à custa de magros privilégios, resultando em denúncia ou louvor infundados. E o jornalista denunciante é tão repugnante como o jornalista anunciante. O que escreve em benefício de outro, é tão repugnante como o que escreve para prejudicar outro. Na sociedade em que vivemos infelizmente tudo tem seu preço. A prática da imprensa nem sempre merece ser interpretada como atributos sem escrúpulos. O que deve oferecer em primeiro lugar? A conexão direta entre o olhar, a linguagem e a informação. Notícias que não escondam nem o desatino nem a corrupção. Justas, pragmáticas, evitando representar os anseios corrompidos de uma parcela humana que deteriora a sociedade numa alienação progressiva lamentável, num politicamente correto usando e abusando do suposto respeito pelas minorias e pela defesa dos direitos humanos.

A palavra falsa ou patrocinada conduz a massa ignorante e robotizada rumo à desinformação. A masmorra dos carrascos da mídia aprisionam cérebros numa conduta hipócrita e imprópria. Digno seria investir no movimento frutífero, alimentado na narrativa íntegra, onde a motivação do texto se completa do início ao fim, avançando a passos largos ao fato em si. Como ele é. Qual a sua importância. Como se desdobra.

Descortinando as penumbras da desinformação e fornecendo elementos da realidade nua e crua, o jornalismo reproduz um cidadão bem informado, apto a processar sua opinião no meio que está inserido. Eu creio que jamais será um bom jornalista quem não tem o hábito de ler livros (prosa e poesia, ficção e não-ficção). O bom jornalista leu Flaubert, Victor Hugo, Balzac, Dostoievski, Dickens, Tolstoi, Orwell, Guimarães Rosa etc. Integra a sua cultura literária no que escreve. Jamais será um bom jornalista quem não frequenta teatro e museus, quem não ouve música de qualidade ou desconhece obras cinematográficas além do puro entretenimento. A ignorância aparentemente prazerosa mata qualquer talento nato.
O jornalismo vai além da manchete e do escândalo. Ele questiona com a voz da coletividade, investiga com os olhos do bem comum, opina balizado na formação intelectual correta, independente e igualitária. Não merece ser o monstro fabricado nos laboratórios de palavras pagas servindo a pilantras. Não merece ser o texto tosco de militantes esquerdistas, que lacram seus poucos neurônios em uma sabotagem egoísta, reacionária e desoladora, sempre em proveito próprio. O jornalismo de bem passa longe das redações onde fraudadores, ditos profissionais de comunicação, fabricam inverdades, retóricas enfermas, planos escusos de perpetuação de um projeto pessoal oportunista.

Mais que uma profissão sacrificada, o jornalismo é um conjunto de palavras e pensamentos iluminados para o leitor, fecundando notícias esclarecedoras, libertadoras, e acima de tudo, conscientizadoras. A melhor preparação para a função jornalística será jogada ao lixo se não for acompanhada de honestidade no trabalho. Sabemos que a verdade objetiva é dúbia, nunca existiu, e a imparcialidade é praticamente impossível. Conta-se o que se vê. E cada um conta à sua maneira, baseado no que aprendeu e imitou e admirou. Mas o dever fundamental do jornalista não é para com seu empregador, mas para com a sociedade. É para ela que escreve.


Todo jornalista admirável caminha longe da ideologia de palanque e dos favores monetários. Uma crítica excessiva, puramente partidarizada, afasta leitores inteligentes. O jornalista só será respeitável se for indiferente as propinas que corrompem, sendo vetor de discussões robustas, sensações e fluências, numa linguagem de elementos e pertinências bem intencionadas. Ele não necessita de afagos. Basta o realismo social, buscando na solidão das letras a sua própria sorte. Só assim o jornalismo pode ser arte.

No jornalismo, é necessário combinar eficientemente clareza e objetividade em uma estrutura com foco narrativo. Não brota jornalismo verdadeiro sem princípios e valores éticos. Não deveria se tornar jornalista quem não tem coragem, quem não combate o bom combate, quem se apega a valores materiais acima de qualquer moral. Não deveria ser jornalista quem se esquiva da polêmica, quem coloca o status acima do bom desempenho do ofício ou aquele que não procura a viabilidade de um povo independente e civilizado.
Cultivo o fruto do aprendizado, pois sei que nada sei e tenho muito a aprender, sempre. Na calada da noite e no silêncio do lar, reafirmo um sentimento de amor e compaixão pela profissão que escolhi como ganha-pão. Atravessei dúvidas e dádivas - como a publicação do livro de entrevistas “ArtePalavra – Conversas no Velho Mundo”, em 2003 -, com o jornalismo pulsando dentro de mim: inquieto, incontrolável, verdadeiro. Apesar de tudo, satisfeito e consciente de que esse ofício maltratado tem relação visceral com meu tempo, meu espírito e com quem por ventura acredita numa admirável imprensa sem armadilhas. Afinal, de jornalismo honesto também se vive. 

2006 - 2023


 VINTE JORNALISTAS BRASILEIROS NOTÁVEIS

01
ASSIS CHATEAUBRIAND
(1892 – 1968. Umbuzeiro / São Paulo)

 
02
AUGUSTO NUNES
(1949. Taquaritinga / São Paulo)

03
DAVID NASSER
(1917 – 1980. Jaú / São Paulo)
 
04
FLORISVALDO MATTOS
(1932. Uruçuca / Bahia)

05
GLÓRIA MARIA
(1949 – 2023. Vila Isabel / Rio de Janeiro)

06
GUILHERME FIUZA
(1965. Rio de Janeiro / RJ)

07
GUSTAVO CORÇÃO
(1896 – 1978. Rio de Janeiro / RJ)

08
HÉLIO PÓLVORA
(1928 – 2015. Itabuna / Bahia)

09
J.R. GUZZO
(1943. São Paulo / SP)

10
JOEL SILVEIRA
(1918 – 2007. Lagarto / Sergipe)

11
LEDA NAGLE
(1951. Juiz de Fora / Minas Gerais)

12
MARÍLIA GABRIELA
(1948. Campinas / São Paulo)

13
MARISA RAJA GABAGLIA
(1942 – 2003. São Paulo / SP)

14
MATINAS SUZUKI JR.
(1954. Barretos / São Paulo)

15
OTTO LARA RESENDE
(1922 – 1992. São João del Rei / Minas Gerais)

16
OTTO MARIA CARPEAUX
(1900 – 1978.  Viena / Áustria)

17
PAULO FRANCIS
(1930 – 1997. Rio de Janeiro / RJ)

18
SAMUEL WAINER
(1910 – 1980. Edineţ / Moldávia)

19
SÉRGIO AUGUSTO
(1942. Rio de Janeiro / RJ)

20
SONIA COUTINHO
(1939 – 2013. Itabuna / Bahia)


 

fevereiro 28, 2023

................................................................... DOZE VEZES ENTREVISTADO

antonio nahud entrevistado por pinto júnior no “conexão potiguar”


A entrevista é feita para traçar um perfil do entrevistado. Nela constam informações sobre hábitos, história de vida e outras curiosidades relevantes sobre a pessoa em questão. O segredo de uma boa entrevista está na preparação adequada do entrevistador, na elaboração prévia de um bom roteiro, levando sempre o máximo de informações sobre o entrevistado e o tema de que ele vai falar. Entre as definições possíveis do termo entrevista, a explicação que mais se destaca é que se trata de um diálogo voltado à produção de informação. Do mesmo modo que são muitas as definições de entrevista, também são inúmeras as formas de entrevistar. Fui entrevistado dezenas de vezes - no Brasil, Espanha e Portugal -, ao longo da trajetória literária, em jornais, rádios, tvs e sites. Dividindo-me entre um e outro, trilhei caminhos entre os diferentes veículos de comunicação - com suas abordagens, seus mecanismos e a necessidade de traduzir o mundo para quem lê, ouve e assiste. Houve uma época, entre 2013 e 2017, que praticamente toda semana recebia convite para entrevista. Ao assumir um posicionamento político conservador, as portas da mídia se fecharam. Confesso que não me afetou em nada. Confira abaixo algumas entrevistas que dei para jornais impressos.

01
Título: PROCURO SUPERAR o CONVENCIONAL 
na LITERATURA 
jornal: Diário de Natal (Natal, Rio Grande do Norte) 
data: 29 de janeiro de 2003
 

“A escrita é o centro da minha vida – uma vida confusa, contraditória, como todas as vidas – e é nela que encontro um padrão, uma ordem, uma coerência. A minha escrita vem de uma ansiedade silenciosa. É uma coisa íntima. Descobre-se tanto acerca de mim lendo os meus textos!”

02
Título: VIAGEM INSÓLITA 
jornal: Diário de Natal (Natal, Rio Grande do Norte) 
entrevistador: Moisés de Lima 
data: 06 de abril de 2003
 
 

“Penso na vida com admiração e sensibilidade, mesmo vivendo tempos brutos.”

03
Título: CONVERSANDO com ESTRELAS 
jornal: O Jornal de Hoje (Natal, Rio Grande do Norte) 
entrevistador: Ailton Medeiros 
data: 12 de março de 2003
 

“
Nahud não entra na vida privada de seus entrevistados. Seu interesse exemplificado pelas perguntas bem elaboradas é tirar as máscaras exibindo sem retoques para o leitor. O resultado é surpreendente.”

04
Título: Às AVESSAS 
jornal: Agora - Banda B (Itabuna, Bahia) 
entrevistador: Vera Rabelo 
data: 02 de agosto de 2003
 

“
Escolhi a carreira profissional certa. Tenho uma trajetória profissional digna. Se a cada dia me afasto mais das redações é porque os jornais, infelizmente, estão nas mãos de dirigentes que veem o jornalismo apenas como uma tarefa puramente ideológica, publicitária e lucrativa, enrolando e anestesiando o leitor.”

05
Título: NÃO ESCREVO para OFENDER NINGUÉM 
jornal: Tribuna Cultural (Feira de Santana, Bahia) 
entrevistador: Maria João Serrano 
data: 27 de novembro de 2005
 
 
“No ofício literário acredito ser importante identificar sensibilidades ao longo do nosso caminho existencial. É uma maneira de não as silenciar, de compreendê-las, de respeitá-las. Ao mesmo tempo, escrevo atento à intuição, ao misterioso, ao lúdico, ao transe cinematográfico. A meta é celebrar as coisas simples da vida, a relação com o outro, com o invisível ou conosco mesmo.”

06
Título: POETA QUE ENTREVISTOU JOSÉ SARAMAGO
VISITA VALENÇA 
jornal: Jornal Valença Agora (Valença, Bahia) 
entrevistador: Adriano Pereira 
data: 21 de fevereiro de 2006
 

“
Morar no estrangeiro nos apresenta outro idioma, outros costumes e também a solidão. Ao sentir que estamos soltos na vida, lutando sozinho pela sobrevivência digna, resulta em uma grande força interior e provoca inúmeros recursos inesperados. É um renascimento.”

07
Título: PROJETOS de um REGRESSANTE 
jornal: Agora - Banda B (Itabuna, Bahia)   
entrevistador: Kleber Torres 
data: 01 de abril de 2006
 

“
De volta ao Brasil, o jornalista, que trabalhou no Agora, traz na bagagem experiências do refinamento do espectador literário europeu associada à vontade de desenvolver trabalhos em sua terra natal.”

08
Título: O DESEJO de VIAJAR é TAMBÉM DESEJO de SABER 
jornal: ABXZ – Caminho das Letras (Itabuna, Bahia) 
entrevistador: Gustavo Atallah Haun 
data: junho de 2006
 
 

“
Nenhum escritor deve idealizar a compreensão perfeita do leitor. O importante é o encontro de simpatias, de emoções, de tentativas de um desvendar o outro. Quanto aos críticos, certa vez Jorge Amado me disse que eles não ensinam ninguém a escrever. Eu concordo.”

09
Título: ATÉ BREVE 
jornal: JH – Primeira Edição (Natal, Rio Grande do Norte) 
entrevistador: Ailton Medeiros 
data: 30 de novembro de 2006
 

“
Nasci na mais bela das fazendas de cacau: a Bela Vista. Para festejar o nascimento do seu primeiro filho, meu pai fechou a praça central do pequeno povoado pertinho da nossa fazenda, contratou uma banda caipira, convidou a comunidade, mandou fazer uma enorme fogueira e foi uma noitada de comes, bebes e danças. É o que dizem. A recordação está em algum canto secreto do meu coração.”

10
Título: SEMPRE ACHEI o CINEMA 
um MUNDO TODO PRÓPRIO 
jornal: Revista Papagú (Mossoró, Rio Grande do Norte) 
entrevistador: Cefas Carvalho e Andressa Vieira 
data: Agosto de 2011
 

“
O cinema é um mundo encantado. Fui um adolescente problemático. Mesmo com cinco irmãos, eu era reservado, tímido e solitário. Então eu canalizava a vida para a leitura e o cinema. Lia jornais, livros de ficção, gibis e fotonovelas. Via filmes na TV e aos domingos no cinema. O cinema sempre me seduziu com suas imagens, tramas e personagens. Via como um mundo mágico paralelo.”

11
Título: PEQUENAS HISTÓRIAS do DELÍRIO PECULIAR HUMANO 
jornal: O Jornal de Hoje (Natal, Rio Grande do Norte) 
entrevistador: Daniela Pacheco 
data: 14 de maio de 2012
 
 

“Escrever é excitante, uma viagem! O que procuro nessa viagem? Consolação, justificação, alegrias, inocência, tolerância, resiliência, amor à vida. Assim tem sido minha trajetória literária.”

12
Título: CONTOS de SABOR CINEMATOGRÁFICO 
jornal: Tribuna do Norte (Natal, Rio Grande do Norte) 
entrevistador: Yuno Silva 
data: 17 de maio de 2012
 
 

“
Sexo, cinema e literatura. Combinação que dá forma ao novo livro do jornalista e escritor baiano. O livro traz 64 textos minimalistas e viscerais girando em torno de sentimentos comuns a qualquer mortal.”