“Para
mim, é absolutamente fundamental
que o espetáculo não termine aqui embaixo, na Terra.”
OTTO LARA RESENDE
(1922 – 1992. São João del Rei / Minas Gerais)
Ilustrações:
SIMONE MARTINI
(1284 – 1344. Siena / Itália)
Arte, literatura, política e bastidores, sem perder a lucidez.
que o espetáculo não termine aqui embaixo, na Terra.”
OTTO LARA RESENDE
(1922 – 1992. São João del Rei / Minas Gerais)
Ilustrações:
SIMONE MARTINI
(1284 – 1344. Siena / Itália)
Arte, literatura, política e bastidores, sem perder a lucidez.
Sou um grapiúna que vive no ensolarado Rio Grande do Norte desde 2010. Trabalhei em muitas empresas de comunicação ao longo dos últimos 40 anos. Produzi crônicas e colunas de notícias e opinião em jornais impressos, revistas mensais e portais virtuais. Além do noticiário básico, procurei fornecer informações relevantes. Comecei a carreira no jornal “Agora”, no Sul da Bahia, com a coluna “De Cor e Salteado”. Ainda adolescente, não saia da redação, convivendo com veteranos que fumavam, frequentavam cabarés e discutiam sobre política e futebol. Depois de um certo tempo, escrevi sobre cinema – uma paixão eterna -, na “Cult-Movie” da “Tribuna do Cacau”. Veio “Ideia Nova”, na “Folha do Cacau”, que recebia dezenas de cartas. A coluna tem sua escrita intimamente ligada à personalidade do redator. Aprendi que o colunismo não é um fácil, exige horas plugado no computador, tempo para reflexão, leitura de jornais e livros. Ele necessita da dedicação de um operário. A imagem de glamour não corresponde à realidade dos que redigem notas ou crônicas. Sem contar que o choque de interesses políticos e sociais muitas vezes impede o exercício do jornalismo independente.
Como sempre fui verdadeiro, diversas análises publicadas provocaram polêmicas e inimizades ferozes. Certa vez, descrevendo a exposição de uma conhecida fotógrafa nordestina, enxerguei um trabalho impessoal. Deixei claro que fotografia é olho, coração e cultura – tudo junto, traduzindo a verdade do fotógrafo. Não via nada disso na mostra. Foi um escândalo, durante anos essa senhora fechou as portas possíveis pra mim. Noutra época, escrevi que o ator protagonista da versão teatral baiana de “Dona Flor e seus Dois Maridos” não combinava com a tara do personagem de Jorge Amado, pois tinha um órgão sexual pequeno, dava vontade de rir. Entre ofensas e ameaças, por pouco não tomei uma surra. Eu sei que é preciso ter zelo com um espaço tão valioso. Sempre fiz uma ponte entre o mundano e informações densas. Tento equilibrá-las com pontos de vista de interesse me lembro de que ali se faz jornalismo. Acredito que uma boa coluna tem um potencial explosivo. É um míssil que pode fazer o bem ou o mal. E apesar da limitação de espaço, ajuda mais do que prejudica.
Comecei a
me interessar por colunismo na juventude, meu pai comprava muitos jornais e
revistas, e eu lia habitualmente os mestres Paulo Francis, Otto Lara Resende,
Carlos Heitor Cony e Sérgio Augusto na “Ilustrada / Folha de S. Paulo”. Eles
brilhavam em poucas linhas. Eram imbatíveis. Mais adiante tive como referência Ferreira
Gullar e José Roberto Guzzo no “Estadão”; e Isabela Boscov na revista “Veja”. Além
de escrever bem e de um jeito deliciosamente simples, colocavam suas opiniões
de forma honesta em temas complexos. Coluna de crônica ou notas são leituras
rápidas. Em tempos de avalanche de informações, visa apresentar uma
interpretação da realidade para orientar o leitor. É um espaço para análise
geral, para crítica cultural unida à criação literária, dando contornos
poéticos ao fazer jornalístico. Muitos leitores têm nelas a primeira leitura,
numa identificação com o colunista, com a forma como ele escreve ou com o
assunto de que trata. Em qualquer veículo jornalístico, é tratado como
um espaço privilegiado, estruturado sob uma explícita manifestação da opinião de quem a escreve.
Eu nunca deixei de escrever colunas de crônicas ou notas ao longo do tempo, morando na Bahia, em São Paulo, na Europa ou no Rio Grande do Norte. “Notorius”, no “Diário de Itabuna”; “Feira de Vaidades”, em “O Regional”; “O Pensar Cultural”, na “Cult”; “No Silêncio da Noite”, no “Jornal de Sintra”; “Lado B”, no “Jornal de Hoje”; “Curto-Circuito”, no “Diário do Sul”, entre muitas outras. Ano passado fui convidado pelo editor potiguar Toinho Silveira para uma coluna na revista mensal “Premiere BR”, tratando de arte, literatura, cultura, bastidores e opinião. Topei o desafio. Acabo de concluir a sétima edição. Publicarei abaixo a primeira delas.
Eu nunca deixei de escrever colunas de crônicas ou notas ao longo do tempo, morando na Bahia, em São Paulo, na Europa ou no Rio Grande do Norte. “Notorius”, no “Diário de Itabuna”; “Feira de Vaidades”, em “O Regional”; “O Pensar Cultural”, na “Cult”; “No Silêncio da Noite”, no “Jornal de Sintra”; “Lado B”, no “Jornal de Hoje”; “Curto-Circuito”, no “Diário do Sul”, entre muitas outras. Ano passado fui convidado pelo editor potiguar Toinho Silveira para uma coluna na revista mensal “Premiere BR”, tratando de arte, literatura, cultura, bastidores e opinião. Topei o desafio. Acabo de concluir a sétima edição. Publicarei abaixo a primeira delas.
ILUMINURAS
número 01
revista PREMIERE BR
edição 48
setembro 2025
número 01
revista PREMIERE BR
edição 48
setembro 2025
Esta coluna nasce da necessidade de ocupar um espaço que proponha o debate, a crítica e a divulgação das artes. Jornalista, escritor e amante das coisas bonitas da vida, conduzirei este espaço mensal, fazendo conexões com diversas áreas do conhecimento. Para a ilustração inaugural, a imagem do retábulo do pintor italiano Simone Martini, uma bela e evocativa pintura, repousando na formosa Florença. O Arcanjo Gabriel oferece um ramo à Virgem. Um céu de ouro brilha na madeira secular. O simbolismo dessa obra deslumbra.
01
Os NOTÁVEIS
Os NOTÁVEIS
Nessa
curta existência, cruzei com figuras notáveis. Foram inúmeras convergências,
desde a juventude. Não foi obra do acaso. Nada é fortuito. Fui amigo de Hilda
Hilst, Emílio Santiago, Manuel Puig, Caio Fernando Abreu, Lygia Fagundes
Telles, Paul Bowles, Jorge Amado etc. Todos os segredos, significados e
mecanismos invisíveis desses encontros, afinidades e pertencimentos estão
escritos no coração.
02
DIVA ITALIANA
DIVA ITALIANA
A
lendária italiana Sophia Loren fez 91 anos. Eu a entrevistei em
Roma, 2005. Puro encantamento. Bela, simpática e envolvente.
Passou autoconfiança, sensualidade e uma personalidade forte. Jamais
esquecerei.
03
O MASP CRESCEU
O MASP CRESCEU
Ainda não
conheço o novo prédio Pietro Maria Bardi, que faz parte do Masp, e inaugurado
com exposição do grande Pierre-Auguste Renoir. Criado em 1947 pelo empresário
Assis Chateaubriand, o Museu de Arte de SP tem o título de mais importante
coleção de arte da América Latina.
04
LEÃO de OURO
LEÃO de OURO
O Masp
atrai turistas do mundo todo pelo seu acervo e sua estrutura: é uma joia da
arquitetura moderna do século 20. E, desde 2021, esse interesse aumentou ainda
mais, já que Lina Bo Bardi foi reconhecida com o Leão de Ouro na Bienal de
Veneza pelo conjunto de sua obra.
05
OSCAR POTIGUAR
OSCAR POTIGUAR
A revista
estadunidense “Variety” aponta uma desconhecida atriz potiguar entre as
previsões ao Oscar 2026. No filme “O Agente Secreto”, Tânia Maria, de 78 anos,
interpreta seu primeiro papel nas telas, como uma dona de pensão.
Antes fez figuração no terrível “Bacurau”, do mesmo abominável diretor, Kléber
Mendonça Filho.
06
O OCASO do OSCAR
O OCASO do OSCAR
A
premiação da Academia de Artes e Ciências de Hollywood perdeu sua pompa e
circunstância. Nunca mais gastei meu tempo assistindo a cerimônia contaminada
pela extrema esquerda. Virou um show de lacração woke, de veneno globalista.
Não é mais uma questão de mérito, como era de praxe até os anos 90.
07
AINDA o OSCAR TENDENCIOSO
AINDA o OSCAR TENDENCIOSO
“Tomara
que o Oscar e outras premiações falsas revejam seus padrões em nome da
imparcialidade e da justiça”, disse recentemente o presidente dos Estados
Unidos da América, Donald J. Trump.
08
MAGNUM é TRUMP
MAGNUM é TRUMP
O galã
Tom Selleck, da lendária série “Magnum”, um ícone de Hollywood, declarou que
Donald J. Trump é um tesouro nacional. Quase concordo com ele. Vejo o
“Laranjão” republicano como um tesouro mundial.
09
Dos VERSOS no SUL da BAHIA
Dos VERSOS no SUL da BAHIA
No blog
“Cinzas & Diamantes”, uma seleção dos melhores poetas grapiúnas. A lista
não se pretende definitiva, é a visão de um leitor que por toda a vida
acompanhou a produção literária da Região do Cacau. Poetas de ontem, de hoje,
seus poemas. Confira no link:
10
A TRAPAÇA TUPINIQUIM
A TRAPAÇA TUPINIQUIM
A vitória
de Melhor Filme Internacional em 2025 para “Ainda Estou Aqui” provou a podridão
no reino do Oscar. Lembrei-me do escândalo de corrupção no Globo de Ouro: a diretoria vendendo
indicações e até prêmios. O drama lacrador brasileiro tem competência técnica e
pouco mais, não merece prêmios, não ficará na história.
11
SUSPENSE ESPANHOL
SUSPENSE ESPANHOL
Na
Netflix, “Duas Covas”, minissérie espanhola de suspense, da mesma turma da
sensacional “La Casa de Papel”. Reviravoltas, vingança, boas atuações. Destaque
para Kiti Mánver como a protagonista. Imperdível.
12
Na REVISTA da ACADEMIA
Na REVISTA da ACADEMIA
Em
tributo ao jornalista e político do Rio Grande do Norte Agnelo Alves (1932 -
2015), texto meu na nova edição da “Revista da ANRL” sobre sua biografia que escrevi em 2012, “Agnelo Alves – Oito Décadas”.
13
R.I.P. ROBERT REDFORD
R.I.P. ROBERT REDFORD
Além da
beleza estonteante, possuía um talento inegável. Loiro, enigmático e reservado, atuou em filmes notáveis. Dirigiu também bons longas. O
astro morreu aos 89 anos. Deus receba seu espírito com ternura e luz!
14
“EXTERIORES”
“EXTERIORES”
O
fotógrafo Bob Wolfenson, conhecido por retratos de personalidades culturais,
explora memória e solidão urbana na sua nova exposição. A mostra ocupa o Unides Cultural, em São Paulo, até o fim de outubro.
15
A ARTE e a ALEGRIA de VIVER
A ARTE e a ALEGRIA de VIVER
Arte não
é só para especialistas, é parte da vida, é encontro, questionamento,
encantamento, aprendizado. Precisamos,
antes de tudo, fortalecer o diálogo entre o público e os artistas. Quando eu
morava na Europa, passava horas em museus e galerias. Que felicidade! No
Nordeste brasileiro a realidade é outra e árida.
16
RECORDAÇÃO e SONHO
RECORDAÇÃO e SONHO
Vez ou
outra recordo a juventude. Minhas inclinações, como ainda hoje, se dirigiam à
solidão com música, pintura e literatura. Costumava dormir na biblioteca de meu
pai. Da cama improvisada, mirava as lombadas de romances de Fiodor Dostoievski,
Victor Hugo, Leon Tolstoi, Hermann Hesse, Charles Dickens, Jorge Amado e muitos
outros. Meus companheiros de aventura intelectual. Um momento mágico.
17
50 ANOS de DANÇA
50 ANOS de DANÇA
O Grupo
Corpo se consolidou como um dos maiores nomes da dança brasileira, conquistando
reconhecimento internacional pela sua inovação e autenticidade. A companhia
mineira está fazendo cinco décadas. Parabéns.



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