fevereiro 16, 2015

................................. SEXO E LITERATURA: ILHAS DE PRAZER

lucian freud

Quando se fala de literatura erótica, logo vem à mente a ideia de sacanagens, safadezas e correlatos. E esse conceito está certo, é claro, mas as histórias de sexo vão muito além do ato final: elas precisam instigar nos detalhes, na narração bem trabalhada, nos personagens com personalidade e numa trama envolvente, senão vira pornô , e não que isso seja um problema, mas com contexto tudo fica mais interessante. Afinal, o grande barato do erotismo é isso: o envolvimento. Fazer o leitor ficar magnetizado pelas palavras e permitir a sua mente viajar em sensações e sentimentos. O sexo na literatura, tal qual na vida, precisa ser bem-feito, sem pudores.

A história de sexo e literatura é longa, vai de Aristófanes (com “Lisistrata, ou A Greve do Sexo / Lisistrata”, de 411 a.C.) até à mais variada escrita dos nossos dias. Muito antes do cinema, a literatura já rompia com o status quo e recheava suas páginas de sensualidade, erotismo, pornografia. De Sade a D. H. Lawrence, de Bocage a Hilda Hilst, a sexualidade tem sido tema constante seja como protagonista seja como condutora silenciosa da narrativa. Mesmo nos períodos de forte repressão, houve significativa manifestação do erotismo, muitas vezes às escondidas, apelando para pseudônimos.

A literatura erótica conta histórias variadas nos mais diferentes estilos. Recheados de trechos de sexo ardente e personagens sedutores e misteriosos, um dos seus primeiros clássicos é o “Kama Sutra / Kamasutram” (séc. IV), de Mallanâga Vâtsyâyana, que consegue se manter extremamente atual e atraente até os dias de hoje. Ele traz técnicas sexuais indianas e sugestões de posições variadas que almejam alcançar o máximo do prazer, envolvendo os cinco sentidos do corpo: visão, audição, tato, paladar e olfato. Ainda assim, a obra não é apenas um guia sexual e sim um manual sobre o amor e as relações humanas, tratando o sexo como uma experiência superior entre duas pessoas que se amam.

Sabemos também que nem sempre as informações sobre sexo foram tão acessíveis. Ainda hoje, o assunto é cercado de mitos e tabus, mas a situação já foi bem pior. A forma como entendemos a sexualidade hoje em dia começou a se desenvolver há pouco mais de um século, a partir dos estudos do médico e psicanalista austríaco Sigmund Freud. Hoje, e cada vez mais, sexo é um tema em voga (ainda que tão mal tratado). Dando conteúdo ao tema, resgatamos escritores e poetas que trataram o sexo de forma picante e humana. Confira.

ADELAIDE CARRARO
(1926 – 1992. São Paulo, Brasil) 

Uma das mais populares autoras do Brasil nas décadas de 1960/70, seu nome até hoje é sinônimo de erotismo. Seu explosivo romance “Eu e o Governador” (1967), que  fala de um suposto e apimentado affair da autora com o político Jânio Quadros, vendeu em apenas três dias 20.000 exemplares, estando agora na 14ª edição.









ANAIS NIN
(1903 – 1977. Neuilly-sur-Seine, Nanterre, França) 

Famosa por publicar seus diários, suas obras são mergulhadas em conteúdo erótico, tendo a libertação sexual como meta, numa linguagem poética e sedutora. O conhecido “Delta de Vênus / Delta of Venus” (1978), encomendado por um leitor anônimo, traz treze contos, todos ambientados na Europa da década de 1940, com histórias de mulheres descobrindo a própria sexualidade com desconhecidos, triângulos amorosos e orgias, dando vazão à paixão sob todas as formas e encarando variados anseios sexuais.






BOCAGE
(1765 – 1805.  Setúbal, Portugal)

Um dos maiores sonetistas líricos da literatura portuguesa, escreveu todos os gêneros literários de seu tempo: idílios, odes, canções, epístolas e fábulas. Acusado de satirizar o clero e a nobreza, foi processado e preso pela inquisição. Deixou fama de poeta satírico e, com o tempo, seu nome passou a ser sinônimo de contador de histórias picantes e obscenas.







CASSANDRA RIOS
(1932 - 2002.  São Paulo, Brasil) 

Lésbica assumida, escritora de livros taxados como pornográficos, autora de best-sellers, a maneira mais fácil de silenciá-la encontrada pelos militares foi censurando e proibindo a circulação de seus escritos. Tornou-se em 1970 a primeira escritora brasileira a atingir a marca de 1 milhão de exemplares vendidos. Entre suas obras lésbico-eróticas estão “Marcella” (1975), “Ariella” (1980) e “Tessa, a Gata” (1982).







CHARLES BUKOWSKI
(1920 – 1994. Andernach, Alemanha) 

Poeta, contista e romancista, nasceu na Alemanha, mudando-se para os Estados Unidos aos três anos. Começou a escrever poesias aos 15 anos, mas seu primeiro livro foi publicado somente 20 anos depois, em 1955. Dotado de um humor ferino, sua obra é marcadamente autobiográfica. O estilo obsceno e coloquial e uma aparente forma descuidada com a escrita com temas recorrentes - como prostitutas, alcoolismo, corridas de cavalos, experiências escatológicas -, sempre dividiu a crítica. Seu alter ego, Henry Chinaski, vive aventuras sexuais com os tipos mais loucos de mulheres.





CHARLES SWINBURNE
(1837 - 1909. Londres, Inglaterra) 

Poeta, dramaturgo, romancista e crítico da época vitoriana, conhecido pela controvérsia gerada no seu tempo pelos seus temas sadomasoquistas, lésbicos, fúnebres e anti-religiosos. Seu livro mais famoso, “Flossie, a Vênus de Quinze Anos / Flossie”, de 1897 , aborda em detalhes a prática da felação e suas inúmeras variações, a dois e a três, além de conter cenas de sexo descritas com o apelo visual e sensorial. Extrapolando a rígida moral inglesa, impressiona não apenas por sua carga sensual, mas também pela espirituosidade e bom humor.







CHODERLOS DE LACLOS
(1741 – 1803. Amiens, França)

Passou para a história da literatura universal como o autor de “As Ligações Perigosas / Les Liaisons Dangereuses” (1782). Soldado do exército francês, veio a obter reconhecimento como escritor com esse romance, uma das obras-primas do realismo.  O principal objetivo do livro foi mostrar a libertinagem da decadente aristocracia francesa no final do século XVIII: o jogo da sedução era a maneira com que os nobres se divertiam e tentavam escapar do tédio nos últimos anos antes da Revolução Francesa. Este despropósito moral é, de certa forma, atenuado pelo brilhantismo com que a obra é redigida. Ao invés de se horrorizar com a depravação dos personagens principais, Valmont e a marquesa de Merteuil, o leitor acaba ficando fascinado pela precisão matemática que marca cada etapa da intriga.




CRÉBILLON FILS
(1707 – 1777. Paris, França)

Cedo começou a frequentar a sociedade parisiense e não demorou a pintar tais ambientes em seus textos libertinos, nos quais tecia análises psicológicas e retratava costumes. “O Sofá / Le Sopha”, publicado em 1742, tem como narrador um sofá animado por um espírito reencarnado em objeto. Ele acaba testemunhando todos os tipos de aventuras sexuais e situações consideradas amorais para a época (como a infidelidade). O tal narrador-sofá diz que só encontraria a paz eterna quando acomodasse um casal verdadeiramente apaixonado, o que supostamente justifica toda a libertinagem do sexo. Embora o livro tenha sido publicado anônima e clandestinamente, o autor foi descoberto e aprisionado durante alguns anos na Bastilha.




D. H. LAWRENCE
(1885 – 1930. Eastwood, Inglaterra)

Poeta, romancista e contista, interessado nas paixões humanas e na sexualidade, bem como nos efeitos absurdos das convenções sociais. Começou cedo a escrever poemas e contos, vindo a notabilizar-se em 1913 com a publicação do romance semi-autobiográfico “Filhos e Amantes / Sons and Lovers”. Apesar da desordem da sua vida, de uma saúde débil e de uma relação amorosa difícil, ele escreveu alguns dos livros hoje considerados clássicos da literatura. Um deles, “O Amante de Lady Chatterley / Lady Chatterley's Lover”, chocou a sociedade. Além de descrever cenas explícitas de sexo, a trama foca no prazer feminino e conta a história de uma mulher rica que se envolve com um homem pobre. Publicado anonimamente em Florença, em 1928, só pode ser impresso no Reino Unido em 1960.




EDWARD SELLON
(1818 – 1866. Brighton, Inglaterra)

Escritor, tradutor e ilustrador de literatura erótica, ficou conhecido com “O Novo Epicuro: as Delícias do Sexo / The New Epicurean” (1865). Nesse romance epistolar, o protagonista comunica-se com suas amantes por cartas picantes que revelam todos os detalhes de suas últimas aventuras eróticas – principalmente aquelas que envolvem meninas virgens. Na primeira edição do livro, cerca de 500 exemplares foram apreendidos e destruídos pela “Sociedade para a Supressão do Vício” inglesa.






GEORGES BATAILLE
(1897 – 1962. Billom, França)
Escritor que refletiu com ímpeto transgressor sobre arte, religião, erotismo e economia. Por trás da aparência pacata escondia-se uma personalidade perturbada pelo apetite voraz de conhecimento, sem esquecer sua atividade secreta de pornógrafo, que gerou clássicos da ficção erótica como “História do Olho / Histoire de l'oeil” (1928), publicado sob o pseudônimo Lord Auch. O livro conta as experiências sexuais desenfreadas pelas quais passam um casal de adolescentes, envolvendo orgias, sadomasoquismo, voyeurismo e a obsessão pelo prazer anal. Com uma escrita que se desenvolve ambiguamente entre a filosofia e a  literatura, o autor é um dos poucos pensadores inclassificáveis do século XX e continua a causar um significativo e paradoxal impacto, num misto de lucidez e estranhamento que desestabiliza o leitor.




GIOVANNI BOCCACCIO
(1313 – 1375. Paris, França)

Na juventude publicou obras que expressam o fantástico e o bizarro da imaginação medieval. Entre 1348 e 1353, escreveu “Decameron / Idem”, seu livro mais importante. Tendo como cenário uma Itália devastada pela peste negra, retrata o amor e as relações humanas do ponto de vista carnal. Nas cem histórias que compõem o clássico, o autor aborda infidelidade, sexo e luxúria totalmente despidos da aura divina que até então pautava a Idade Média. Este livro foi proibido em muitos países. Mesmo cinco séculos após sua publicação, cópias foram apreendidas e destruídas pelas autoridades dos Estados Unidos e do Reino Unido.






GREGÓRIO DE MATOS
(1636 – 1696. Salvador, Bahia, Brasil)

Com seu espírito crítico, satirizava políticos, comerciantes, clero, colonizadores e até mesmo o povo. Para isso, usava palavrões e um vocabulário muitas vezes pesado em suas obras. Escreveu poesia lírica-amorosa, satírica e religiosa. Suas poesias satíricas possuem um ótimo material do ponto de vista sociológico e linguístico (já que usava um vocabulário popular). Nelas narra episódios da vida comum, cotidiana e política. Conhecido como Boca do Inferno ou Boca de Brasa, foi durante muito tempo combatido como pornográfico e rebelde.






HENRY FIELDING
(1707 – 1754. Sharpham, Inglaterra)

O humor e a fina ironia de seus textos, em que satiriza o sentimentalismo e o moralismo da época, fizeram deles excelentes obras de crítica social. Considerado o fundador da tradição realista que predominou no romance inglês até o fim do século XIX, fez grande sucesso de público com o picante as “Aventuras de Tom Jones / The History of Tom Jones, a Foundling” (1749), embora pouco elogiado pela crítica. Fala de um garoto do campo que tem sua vida mudada quando é adotado por um aristocrata. Na fase adulta, ele leva uma rotina de farras e conquistas amorosas, que espalham sua fama de playboy.






HENRY MILLER
(1891 – 1980. Yorkville, Nova Iorque, EUA)

Profeta da sensualidade, pornógrafo, maldito, lírico, egoísta, teve uma vida carregada de polêmica e adjetivos; um homem que cultivou a controvérsia como o combustível de uma vida longa e intensa. Tinha 69 anos quando sua primeira obra-prima, “Trópico de Câncer / Tropic of Cancer”, foi publicada nos Estados Unidos, quase trinta anos depois de ter sido escrita (em 1934). Considerado um dos clássicos da literatura erótica, além de falar sem papas nas línguas sobre sexo, ele aborda temas como pobreza, solidão etc. Depois desse livro, da noite para o dia, viu-se transformado em homem rico e em respeitável decano da literatura norte-americana. No entanto, muito antes disso, entre escritores, era reconhecido como autor de raro talento e originalidade e aclamado como uma figura fundamental na luta pela liberdade literária e individual. A vida amorosa de Miller também foi marcada pela polêmica. Casado com June, manteve um triângulo amoroso com sua esposa e a escritora Anaïs Nin.




HILDA HILST
(1930 – 2004. Jaú, São Paulo, Brasil)

Poeta, ficcionista, dramaturga e cronista. Embora contando com o reconhecimento da crítica literária, a autora, dizendo buscar o interesse dos leitores, anunciou, na década de 1990, o abandono da literatura séria, publicando os eróticos “O Caderno Rosa de Lori Lamby” (1990), “Cartas de um Sedutor” (1991), “Contos d'Escárnio. Textos Grotescos” (1992) e os poemas “Bufólicas” (1992). O primeiro, em formato de diário, narra as descobertas sexuais de Lori, uma garota de oito anos que vende seu corpo por incentivo dos pais e sente prazer na prostituição. O livro é polêmico por abordar a pedofilia e colocar em cheque a moralidade dos leitores, além de fazer uma crítica ao mercado editorial e sua avidez por best-sellers pornográficos.




JOAO UBALDO RIBEIRO
(1941 – 2014. Itaparica, Bahia, Brasil)

A formação literária do escritor iniciou-se nos primeiros anos de estudante. Trabalhando na imprensa, pôde também escrever livros de ficção e construir uma carreira que o consagrou como romancista, cronista, jornalista e tradutor. Seu “A Casa dos Budas Ditosos” (1999) é celebrado como um  clássico erótico moderno. Nele, uma mulher de 68 anos relata suas experiências sexuais ao longo da vida, com detalhes explícitos. Escrito em tom confessional, o relato é marcado por uma linguagem deliciosamente excitante e obscena.






JOHN CLELAND
(1709 – 1789. Kingston upon Thames / Inglaterra)

Preso por dívidas durante mais de um ano, escreveu na prisão “Fanny Hill ou Memórias de uma Mulher de Prazer / Fanny Hill” (1748), um dos primeiros romances modernos da literatura erótica. Conta a história de uma jovem que resolve tentar a vida em Londres e se torna uma requisitada cortesã. Ao longo das páginas, o autor narra as aventuras sexuais da protagonista, o que desagradou à patrulha religiosa da época. Após o lançamento, o escritor, os editores e impressores foram presos, acusados de obscenidade. Nos EUA, o livro ficou banido das livrarias até 1966. Cleland escreveu mais dois romances e alguns contos, morrendo empobrecido e praticamente desconhecido.






JORGE AMADO
(1912 – 2001. Itabuna, Bahia, Brasil)

Literatura de crítica às injustiças sociais com lendários personagens cheios de sensualidade. Um dos maiores protagonistas da nossa literatura, Amado teve sua obra publicada em mais de cinquenta países e adaptada para o rádio, cinema, televisão e teatro. Entre seus sucessos, “Gabriela, Cravo e Canela” (1958) e “Dona Flor e seus Dois Maridos” (1966)








LEOPOLD VON SACHER-MASOCH
(1836 – 1895. Lviv, Ucrânia)

Escritor e jornalista cujo nome derivou a criação do termo masoquismo. O seu conhecido romance “A Vênus de Peles / Venus in Furs” (1870) conta a paixão entre Severin e Wanda. Ela escraviza sexualmente seu parceiro e o submete a inúmeras torturas, gerando prazer na dor e na humilhação.








MARGUERITE DURAS
(1914 – 1996. Saigon, Vietnã)

Publica os seus primeiros livros na década de 1940.  Autora fértil, com uma obra literária vastíssima, afirma-se sempre com um estilo de beleza inconfundível, num tom duro e denso, por vezes até um pouco inacessível, mas sempre numa expressão profundamente genuína e humana das paixões, grandezas e misérias da vida. Os seus romances estão repletos de descrições belíssimas e soberbamente envolvidas na ambiência exótica da paisagem oriental, não sem deixarem reconhecer uma intensidade angustiada e desesperada, oriunda de uma constante luta da autora com as questões do amor e da morte. O sensual “O Amante / L'Amant” (1984), um dos seus livros mais famosos, narra um episódio da adolescência de Duras: sua iniciação sexual, aos 15 anos e meio, com um chinês rico de Saigon.





MARQUES DE SADE
(1740 – 1814. Paris, França)

Escritor prolífico e aristocrata controverso para os padrões sociais vigentes na época em que viveu, escreveu diversos livros enquanto esteve preso na Bastilha. Para se ter uma ideia de sua importância, seu nome deu origem ao termo sadismo, definido como perversão daquele que procura aumentar a intensidade do prazer sexual produzindo sofrimento em outros. As suas duas principais personagens foram Justine e Juliette. A primeira é uma mulher ingênua que defende o que considera ser bom, mas acaba sempre no meio de depravações e crimes. Já Juliette, sua irmã, é o mal em si. É abjeta, mata sua melhor amiga empurrando-a na boca de um vulcão e obriga o Papa Pio VI a discursar a favor do crime como chantagem para poder possuí-la. Os livros de Sade causam repulsa e encanto desde o século XVIII. Aos 74 anos, após publicar diversas obras, morre no hospício, amado por duas mulheres com as quais planejava produzir peças teatrais pornográficas.




NELSON RODRIGUES
(1912 – 1980. Recife, Pernambuco, Brasil)

Escritor, jornalista e dramaturgo, autor de peças que revolucionaram o teatro nacional, entre elas, “Vestido de Noiva” (1943), “Senhora dos Afogados” (1947), “O Beijo no Asfalto” (1960), “Bonitinha, Mas Ordinária” (1962) e “Toda Nudez Será Castigada” (1965). Seu romance “Asfalto Selvagem : Engraçadinha, seus Pecados e seus Amores” (1959), mais conhecido pelo nome da minissérie inspirada na obra – “Engraçadinha” -, tem muito mais do que algumas cenas picantes. Ele mostra um cenário completamente disfuncional baseado nas escapadas sexuais dos membros de uma família de classe média alta carioca. Mais do que proporcionar alguns momentos de sexo explícito, o livro vai além e traz para o debate a relação que a sociedade tem com o ato sexual em si.




PETRONIUS ARBITER
(27 d.C. – 66 d. C. Marselha, França)

Mestre na prosa da literatura latina, satirista notável, nasceu numa família aristocrática, mostrando toda sua competência política ao ocupar os cargos de governador e depois o de cônsul da Bitínia, na atual Turquia. Ocupou o cargo de conselheiro de Nero, sendo nomeado arbiter elegantiae (árbitro da elegância), em 63. Dois anos mais tarde, acusado de participar na conspiração contra o imperador e caindo em desfavor, acabou com sua estranha vida, uma mistura de atividade e de libertinagem, no ano de 66 d.C., cometendo um lento suicídio, abrindo as veias, enquanto discursava. Sua única obra remanescente, “Satiricon  / Idem” (60 d.C), parodia os romances gregos que estavam na moda. Em vez de heróis em extraordinárias aventuras, temos os feitos eróticos de três jovens patifes. O estilo varia entre uma retórica pretensiosa e uma gíria das mais vulgares. Humorado e realista, é uma das mais notáveis obras da história da literatura.




PIERRE LOUŸS
(1870 – 1925. Gante, Bélgica)

Poeta e escritor conhecido pelos temas lésbicos. Vivendo a maior parte de sua vida em Paris, escreveu poemas em prosa eróticos com requinte. “Canções de Bilitis  / Les Chansons de Bilitis” (1891) causou furou e, para fugir da censura, o autor declarou por muito tempo que apenas traduzira  os poemas de uma antiga cortesã grega, contemporânea de Sappho.








PIETRO ARETINO
(1492 – 1556. Arezzo, Itália)
Escritor, poeta e dramaturgo famoso por suas violentas críticas aos grandes da época, aos artistas e aos religiosos, ele granjeou inimigos que chegaram a ameaçá-lo de morte. De família humilde, não teve formação clássica e, mesmo depois de enriquecido pelas chantagens contra os poderosos, que temiam a agressividade de seus escritos, fez questão de permanecer avesso às convenções classicistas, ao moralismo e a todos os mitos que sustentavam as concepções literárias de sua época. Ficou famoso através dos tempos por seus escritos eróticos, sobretudo os “Sonetos Luxuriosos / Sonetti Lussoriosi”. Escrito por volta de 1524, o livro despudoradamente sensual reúne poemas que descrevem o universo do desejo e do prazer.





REINALDO ARENAS
(1943 – 1990. Oriente, Cuba)

Homossexual, integrou o movimento revolucionário de Fidel Castro, tornou-se dissidente, escritor, foi preso, torturado e exilado. No fim da década de 1980, já morando nos Estados Unidos, descobriu que estava com AIDS, terminando por suicidar-se. Pouco antes finalizou “Antes que Anoiteça / Antes que Anochezca” (1992), auto-biografia dividida em 69 curtos, picantes e intensos capítulos.








RESTIF DE LA BRETONNE
(1734 – 1806. Sacy, França)

Tipógrafo na juventude e mais tarde novelista extremamente prolífero, nenhum dos aspectos da vida e da sociedade francesa do século XVIII lhe escapou. Um reformista social cheio de intenções moralistas, foi igualmente o autor de uma obra erótica que lhe valeu o título de “Rousseau de sarjeta”. Sua imaginação extraordinária, porém, mistura fato e ficção na maioria de seus livros, como em “Anti-Justine ou As Delícias do Amor / Anti-Justine” (1798). A obra é uma resposta ao clássico “Justine ou Os Infortúnios da Virtude / Justine” (1787), escrito pelo Marquês de Sade, cuja Justine é uma menina pobre que acaba se envolvendo com todos os tipos de violência sexual e outras brutalidades. Em “Anti-Justine”, a temática é outra: os personagens buscam apenas o prazer, sem qualquer inclinação para o sadismo. O incesto também pauta a história: o narrador revela as primeiras experiências sexuais junto às irmãs e a perda da virgindade com a própria mãe. Por ser extremamente polêmico para a época em que foi escrito, em 1798, o livro só foi publicado clandestinamente em 1863.




ROBERTO PIVA
(1937 – 2010. Sao Paulo, SP, Brasil)
Poeta polemico, marginalizado durante muito tempo pela crítica brasileira, conhecido pela postura rebelde, poesia surrealista e erotismo homossexual. Erudito, estudioso da fauna e da flora do Brasil, publicou Paranoia (1936), “20 Poemas com Brócoli” (1981) e “Ciclones” (1997), entre outros.









VLADIMIR NABOKOV
(1899 – 1977. São Petersburgo, Rússia)
Nascido numa família da antiga aristocracia russa, mudou-se em 1919 para a Inglaterra. Em 1926, após publicar poemas e contos, lança seu primeiro romance, “Machenka / Idem”. Depois de uma estadia em Paris, fugindo dos nazistas, chega em 1940 aos Estados Unidos, onde se dedica ao ensino de literatura russa. Seu “Lolita / Idem” (1955) é considerado por muita gente o melhor romance do Século XX. É uma grande construção de tensão sexual da literatura. São mais de cem páginas em que Nabokov faz com que o protagonista conduza o leitor no desejo pela sua musa-ninfa. E, na hora de pintar a cena em que o ato se consuma, faz isso com toda a sutileza que pode haver, com todos os não ditos e as elipses possíveis.





YASUNARI KAWABATA
(1899 – 1972. Osaka, Japão)

O seu primeiro romance, “O País das Neves / Yukiguni” (1935), relata o amor entre um homem de Tóquio e uma gueixa de uma povoação remota. Esta obra-prima colocou Kawabata imediatamente na posição de um dos escritores japoneses mais importantes. Outro livro seu extremamente sensual é “A Casa das Belas Adormecidas /  Nemurero Bijo” (1961). Ao receber o Nobel de Literatura de 1968, em seu discurso condenou o suicídio, lembrando amigos escritores que haviam morrido dessa forma. Em 1972, porém, em meio a um surto depressivo, suicidou-se.

16 comentários:

Viviane Aragao disse...

Hilda e uma poesia sempre, uma delicadeza lingüística, estilhaçamento de palavras e de Eu... o sexo aparece como um viés para se chegar no mais humano possível.

Águeda Damião disse...

Blog bom esse seu, adoro!

Juvanci Duarte disse...

Ubaldo era 10

Ulisses Soares Marinho disse...

LINDAÇO AMIGÃO Antonio Nahud. !!!!!

Anchieta Rocha disse...

Dalton Trevisan é outro também.

Antonio B. Dos Santos disse...

Obrigado !

Lourdes Wagner disse...

O tema SEXO é fascinante sempre foi e foi o sonho de muita donzela atraves dos tempos,porem este sexo ultrajante que esfregam na nossa cara hoje de maneira tão comercial me faz perder o tesão.....doloroso.E olha que não sou nem uma puritana religiosa.

RUY ESPINHEIRA FILHO disse...

Está presente desde as mais antigas mitologias, Nahud, e mais: desde adão e Eva (para usarmos exemplo da nossa mitologia...). Um abraço, Ruy

Sérgio Ricardo Prazeres Brandao disse...

Me amarro nas histórias do velho Buk..o velho safado

Angelus Magno disse...

Amigo, seu artigo chegou na hora certa. Tenho feito leituras e estudos para realizar obras mais ousadas e adultas, e ao ver todo esse histórico de escritores que desafiaram suas barreiras me senti muito mais motivado. Obrigado, Antonio Nahud.

Sérgio Ricardo Prazeres Brandao disse...

Devorei a matéria. Muito boa fonte de pesquisa p os próximos capitulos do meu livro. terei q caprichar nas cenas picantes

Rodrigo Melo disse...

sensacional. gostei de ver o bataille e piva sendo lembrados e senti falta do reinaldão moraes, ele que nunca teve pudores ao falar de sexo. de todo modo, muito bom!

Jorge Lindemeyer disse...

Uma época devorei todos os livros de Bukowski que encontrei na biblioteca. Grandes textos de quem fez da vida uma jornada solitária.

Mercedes de la Zarza disse...

Cenizas y diamantes! Literatura Polaca y una gran pelicula de un gran director de cine polaco!! Wajda A. Y Jerzy A.

Márcia Rabelo disse...

Parabéns! Blog Brilhante.

Danuza Madeira disse...

Obrigada por me convidar! blog lindo!!!