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agosto 28, 2016

................................................... A SUNTUOSA HISTÓRIA de TAMARA






 
Beldade emancipada, moderna e sedutora. Majestosa nas noitadas parisienses, hollywoodianas e nova-iorquinas, sua vida e sua obra circulam entre mansões, hotéis de luxo e automóveis conversíveis. Bissexualidade assumida publicamente. Casos apaixonados com amigas, aristocratas, modelos, atrizes e desconhecidos. Tudo com muita classe, camuflando o abuso de cocaína, as dificuldades na relação com a filha única, a depressão, e, por fim, a solidão que também é notória em sua arte. Se ela não se encaixa nos padrões convencionais da sua época, hoje teria todos os atributos admirados de uma celebridade da sociedade descartável. Em 1922, já morando em Paris, faz sua primeira exposição, e sua trajetória artística se amplia com inúmeras outras nos anos que se seguem, na França e em diversos países da Europa, e posteriormente nos Estados Unidos da América. A artista polonesa TAMARA de LEMPICKA (1898 - 1980. Varsóvia / Polônia) ocupa posição privilegiada no contexto dos anos 1920: pinta membros da nobreza europeia e socialites, amada e cobiçada por homens e mulheres, vestida por Paul Poiret e Coco Chanel, aluna de André Lhote, diva inspiradora de Greta Garbo, parceira de Jean Cocteau em noitadas, frequentadora da jet set elegante.

tamara em 1928
Ela faz de si uma representação icônica, demarcando os elementos principais que habitam o seu universo: arte, reconhecimento social, riqueza e luxo. Notável e memorável pintora da Art Déco (*), imprime extravagância aos seus famosos retratos, expressando erotismo em grande parte da sua obra refinada. Fascinada pelo corpo humano, ressalta a beleza em volumes carnais, utilizando sensatamente a luz em suave geometria.

(*) Expressão de origem francesa, Art Déco é abreviação de “arts décoratifs”, um estilo que afetou a arquitetura, o design e as artes plásticas no início do século 20. Edifícios, esculturas, joias, luminárias, móveis, tudo geometrizado e luminoso.

Nascida Maria Gurwik-Górska, em uma família abastada da Polônia, estuda em colégio interno na Suíça e tem uma infância privilegiada ao conhecer cidades e museus de diferentes países da Europa. Em 1916, casa-se com o advogado rico e bonitão Tadeusz Lempicki, que conhece em uma de suas estadias na cidade russa de San Petersburgo, em um baile de máscaras, resultando no nascimento da filha Kizette, em 1920. O casamento persiste até 1928. Durante os anos do matrimônio, TAMARA de LEMPICKA relaciona-se com diferentes amantes, incluindo um príncipe, dois marqueses e o Barão Raoul Kuffner, com quem se casa após a morte da esposa dele.

Ainda na Rússia, em plena Revolução, Tadeusz é preso pelas forças bolcheviques, mas ela, influente, consegue libertar o marido. Fogem para Paris onde se estabelecem em Montparnasse, sem recursos financeiros. Ela adota o nome Tamara e vai estudar pintura. Ousada e inteligente, pronta para renascer, a artista termina por alçar uma vida suntuosa, de fama e fortuna. O primeiro passo foi brilhar na boemia vanguardista parisiense. “La Belle Polonaise”, como chamada, paradigma da mulher avançada e fina, fazendo a apologia à joie de vivre, ao consumismo, ao conforto, ao luxo. Transforma-se numa verdadeira diva, tanto que, pegando carona em seu sucesso, a empresa Revlon, fabricante de cosméticos, dedica-lhe uma marca de batom. 

tamara nos anos 20
Resolvendo pintar para pagar as contas, dedica-se mais seriamente à pintura por intermédio de André Lhote, com quem tem aulas. Tendo assim, como base, o cubismo, em que se alia o vanguardismo do cubismo com os motivos mais acadêmicos, sua obra assenta no rótulo de Art Déco, marcada pelo pós-cubismo no seguimento de Pablo Picasso e Georges Braque, e pelo neoclassicismo adaptando Ingres. No entanto, a artista vai mais além, ao atribuir uma grande intensidade psicológica e física às suas personagens, ao expor de forma crua e fria, os sentimentos e emoções daqueles que retrata e que são um reflexo dela própria. Por fim, depois de anos de dureza e aprendizado, ela conquista a esnobe sociedade parisiense na “Exposition Internationale des Arts Décoratifs et Industriels Modernes”, em 1925. Deslumbra com seu estilo peculiar, num notório sucesso profissional.

Cheia de vitalidade e louca por dinheiro, TAMARA de LEMPICKA, uma das rainhas dos loucos anos 1920, frequenta inúmeras festas, cuida da filha única, apanha do marido, e pinta diariamente. Além disso, anda na farra com gente de prestígio: o escritor italiano Gabriele D’Anunzzio, que faz tudo para se deitar com ela; Gertrude Stein, Léger, Salvador Dalí, Marinetti – o conhecido “Auto-retrato no Bugatti Verde”, de 1925, é uma homenagem ao Futurismo -, André Gide, Jean Cocteau e um longo e espetacular etcétera. Vive muitos anos ao lado do primeiro marido. Cansado do matrimônio fracassado, ele a abandona em 1929. Ela mergulha numa crise profunda, mas em 1933 volta a casar-se, desta vez com o rico Barão Raoul Kuffner, húngaro de origem judia como ela, o que lhe dá um título e muito dinheiro. Com a ameaça da Segunda Guerra Mundial, mudam-se para a América do Norte, onde a imagem da pintora extravagante se esvai, dando lugar à fama da elegante e divertida Baronesa TAMARA de LEMPICKA-KUFFNER. As festas inacreditáveis que dão em Nova York contam com convidados do naipe de Greta Garbo, Tyrone Power, Joan Crawford, Rita Hayworth, entre outros.

tamara em 1948
Abusada, a artista se define como “a primeira mulher que pinta bem em toda a história da arte”. Explica o seu êxito mediante uma pintura que, segundo ela, é atraente e concisa: “O meu objetivo é criar um estilo novo, cores claras e luminosas, desvendar a elegância dos meus modelos.” Nos anos 1950 sua arte perde o interesse dos ricos e famosos. Sem êxito, tenta o abstracionismo e o design de interiores. Na década de 1960, ao enviuvar, muda-se para o Texas e depois para Cuernavaca, no México. Em 1980, ela morre dormindo, sendo que Kizette satisfaz o desejo da mãe ao transportar as suas cinzas num helicóptero e espalhá-las no vulcão Popocatépetl. Trinta e seis anos passados, TAMARA de LEMPICKA sobrevive na coleção particular de admiradores - como a cantora Madonna e o ator Jack Nicholson -, em álbuns de luxo e retrospectivas. Em sua obra, a mulher aparece ora feminina, ora masculinizada, mas sempre forte. A sua paixão pelas tintas fortes e de cores iluminadas, expõe de forma crua e fria, os sentimentos e emoções, extravagância e sensualidade. Reflexo dela própria, uma personalidade amante de excessos.

 
 
 
 

 
 



janeiro 03, 2016

.................................... JEAN GENET: SEXO, TRAIÇÃO e CRIME




O amor não é uma virtude, é um vício,
e são os vícios que fazem a vida valer a pena.
JEAN GENET
 
Ilustrações:
LEONOR FINI
(1907 - 1996. Buenos Aires / Argentina)
 

Rotulado ainda hoje como maldito, JEAN GENET (1910 - 1986. Paris / França) é um dos maiores escritores da França. Ele faleceu num pequeno hotel parisiense e, por sua vontade, documentada em testamento, foi enterrado no discreto cemitério de Larache, no Marrocos, com vista para a casa do seu último amante, Mohamed El-Katrani, entre túmulos de jovens soldados da Legião Estrangeira. O autor de “As Criadas” (peça teatral escrita em 1947, publicada em 1954) conheceu pela primeira vez o país marroquino na década de 1950, passando a visitá-lo até à sua morte. Abalando a consciência social e o sistema de valores da sociedade burguesa, sua literatura aborda temas como assassinato, roubo, traição, sexo, homossexualidade, poder e perversão, e impressionou Jean Cocteau e Jean-Paul Sartre. Durante muitos anos foi o meu escritor favorito. Até batizei um felino, em Barcelona, com o seu sobrenome. Li toda sua obra e, com o passar do tempo, terminei por esquecê-lo. Neste verão, reencontrei ao acaso o magistral romance “Querelle de Brest” (1947), filmado pelo alemão Rainer Werner Fassbinder em 1982, reacendendo o antigo fascínio.

Em 1998, visitei a sepultura do polêmico escritor, sob o sol ardente de uma tarde de outono e a visão idílica de um mar azulado. Não havia mais ninguém, nem sombra dos mitômanos que atravessam meio mundo para homenageá-lo com masturbações. Inesperadamente, surgiu uma mulher com uma burca negra. Logo desapareceu em silêncio, fazendo-me lembrar-se de um relato de JEAN GENET sobre um encontro num trem, numa incrível capacidade de transformar o banal em inquietante poesia: “olhando um viajante sentado diante de mim, tive a revelação de que qualquer homem pode ser outro. Seu olhar não era dele: era o meu que eu encontrava em um espelho, sem me advertir e em plena solidão e esquecimento de mim mesmo. Saí do meu corpo, e pelos olhos, entrei no corpo do viajante, ao mesmo tempo em que o viajante tomava posse do meu”. Por fim, li um poema em voz alta, partindo de volta a Tanger. A mitologia pessoal de JEAN GENET é marcada por escândalos, roubos, prostituição, vagabundagem, brigas, anti-semitismo e rixas políticas. Ainda assim, não sufocou a criação lúcida e poética, consagrada em textos teatrais, romances, poemas, autobiografia e ensaios sobre Giacometti, Rembrandt e Dostoievski - incluindo uma realização cinematográfica, “Chant d’Amour” (1950), cuja distribuição nunca autorizou. Os seus primeiros trabalhos receberam elogios de Jean Cocteau, mas foi através de Jean-Paul Sartre que ficou famoso. 

jean genet
Condenado, por crime de morte, à prisão perpétua, obteve o perdão em 1948 graças aos esforços de ilustres artistas, como Pablo Picasso. Tornou-se amigo de outras importantes figuras do seu tempo, como os filósofos Jacques Derrida e Michel Foucault, o escritor Alberto Moravia, os compositores Igor Stravinski e Pierre Boulez, o diretor de teatro Roger Blin, os pintores Leonor Fini e Christian Bérad, os líderes políticos Georges Pompidou e François Mitterrand. Nomes cujo convívio reforçou a certeza de sua importância como autor.

Filho de uma prostituta, de pai desconhecido e educado por camponeses de Morvan, na Borgonha, JEAN GENET conheceu desde a infância os mais sórdidos aspectos da sociedade. Abandonou a família adotiva aos dez anos. Flagrado roubando, passou a adolescência e boa parte da juventude em reformatórios e prisões, onde afirmou a sua orientação sexual. Conseguiu fugir e alistar-se na temida Legião Estrangeira, de onde foi expulso por desonra, após ter sido surpreendido fazendo sexo com um recruta. Escritor notável e controverso, transformou uma existência de miséria, humilhação e sofrimento extremo em literatura de incontestável qualidade. Em 1942, abalou a moral burguesa com um poema elaborado no cárcere, “O Condenado à Morte”, um canto de amor ao amante-bandido Lucien Sénémaud, misturando erotismo, ciúme, paixão e deslealdade. Continuou provocando alvoroço com “Nossa Senhora das Flores” (1944), “O Milagre da Rosa” (1946), “Querelle de Brest”, “Pompas Fúnebres” (1948), “Poemas” (1948) e as memórias “Diário de Um Ladrão” (1949), onde narra as suas aventuras e andanças pela Europa, as suas paixões e sentimentos. 


Embora publicado inicialmente por editoras alternativas e com divulgação restrita, seu nome correu de boca em boca, graças a uma obra que conjuga beleza, sexo, traição e morte – valores sublimes da sua estética literária. O processo de distribuição de seus livros foi marcado, entretanto, por proibições e vetos constantes. Em 1964, o departamento de Estado dos EUA se recusou a dar um visto a JEAN GENET por motivos de desvio sexual. Este, entre outros tantos eventos ligados ao escritor e a sua obra, incitaram ainda mais a procura pelos seus textos e reafirmaram seu papel transgressor. Apresentando o sexo despido de sensualidade e exaltando as virtudes de criminosos, violentos e covardes, sua magnificência literária encantou o célebre filósofo existencialista Jean-Paul Sartre, que escreveu “Saint Genet, Ator e Mártir” (1952), expondo o escritor marginalizado na vida mundana. Esmagado pelo livro, fotografado pelo lendário Brassaï, entrevistado inúmeras vezes e acompanhante da pintora Leonor Fini em festas, JEAN GENET naufragou numa crise, interrompendo a escrita por vários anos. Ele se sentiu incorporado a uma sociedade que desprezava.

Desiludido, entregou-se a um relacionamento amoroso insano com um formoso italiano, Decimo Christiani, tuberculoso e prostituído, que conheceu numa sauna em Roma. Apaixonado, inventou um filme, “Le Bagne”, com o amado enfermo como protagonista. Não conseguindo concretizar o projeto, escreveu “Carta Aberta a Decimo”, direcionada para a revista norte-americana “New Story” e jamais publicada. Abandonado, melancólico e desesperado, esboçou uma obra nunca escrita totalmente, mas sonhada e anunciada: “Infernos” (publicada incompleta, postumamente). A ideia, ambiciosa, versava sobre a simbologia universal, o seu Eu e a ética na arte. Superando códigos morais e atravessando honestamente o “território do mal”, escreveu: “Uma vida de homem inclui alguns instantes de luz. O resto está voltado ao sombrio”.

Autor da impactante peça de teatro “As Criadas”, JEAN GENET pediu que os personagens – femininos – fossem interpretados por atores. Redescobriu a dramaturgia na segunda metade dos anos 1950 ao se enamorar do ator Pierre Joly, aprofundando um estilo expressionista de denúncias sobre os preconceitos políticos e sociais, que firmaram seu temperamento anárquico e rebelde. Escreveu “O Balcão” (1956) - que teve uma montagem de sucesso no teatro brasileiro, encenada pelo argentino Victor Garcia, numa cenografia inovadora, em 1969; “Os Negros” (1958) e “Os Biombos” (1961), entregando-se novamente ao silêncio literário, quebrado apenas por um longo poema político escrito no ano de sua morte: “Le Captif Amoureux” (1986). 


Amargo, quando questionado sobre sua homossexualidade, dizia: “É uma estética da morte que nega o mundo e se destina à esterilidade. Nós, as bichas, somos fadas não do nascimento, mas da morte”. Ele teve muitos amantes, além dos já citados, o piloto de automóveis Jacky Maglia, e os árabes Ahmed Lahoussine e Abdallah Bentaga, entre outros. Abdallah, equilibrista de circo, após acidente que o deixou incapacitado para o exercício da sua arte, suicidou-se em 1964. Inconformado, o escritor tentou se matar, ingerindo o sonífero Nembutal. Atravessou a década de 1960 colhendo frutos do sucesso dos seus romances e peças. A partir dos anos 1970 e até a sua morte, defendeu a independência argelina e os imigrantes na França, envolveu-se com a causa palestina e movimentos como Panteras Negras e Baader-Meinhof. A sua má reputação revoltou muita gente. Ele era fascinado por fardas, fossem de policiais ou soldados, ou mesmo dos SS nazis. 
 
Considerado anti-semita e atraído pelo fascismo, JEAN GENET provocou simpatias e ódios. Resultado de atormentada existência e oposto a todas as normas e convenções, tendo elegido como suas virtudes principais o roubo, a traição e a homossexualidade; admirador de criminosos e terroristas; há, todavia, uma certeza: é um dos maiores escritores da história da literatura. Em 1983 foi-lhe concedido um dos mais importantes prêmios literários franceses, o Grande Prêmio Nacional. Difícil definir sua personalidade contraditória, inspiradora e pragmática, cuja intimidade ou simples convivência social, nos últimos anos de vida, tornou-se praticamente insuportável, mesmo para os amigos mais dedicados. As causas que sustentou, as mentiras que inventou, as incoerências e as posições políticas que defendeu, contribuíram para uma biografia nebulosa. Vagabundo, ladrão, prostituto, mendigo, presidiário, JEAN GENET sofreu no corpo e no espírito experiências degradantes. A sua vida constitui talvez o itinerário mais absurdo de qualquer homem de letras do século XX. Mas a sua extraordinária literatura, de uma explícita crueza unida a um profundo lirismo, dando voz aos excluídos e marginalizados, merece leitores.

  “QUERELLE DE BREST” por JEAN COCTEAU



 


fevereiro 27, 2015

.................................... ESCRITORES SOB o EFEITO de DROGAS







Ilustrações:

HENRI MICHAUX


Muitos escritores, dos mais importantes, usaram drogas, e alguns escreveram obras inteiras sob influência delas. Seriam as drogas alguma espécie de combustível criativo? Charles Baudelaire, em “Paraísos Artificiais”, argumenta que o artista não pode depender de um veneno – como ele mesmo define as drogas – para pensar; porém não é novidade que, quando sob o efeito de substâncias que alteram a percepção, é possível ver as coisas de formas diferentes, fator este que, consequentemente, amplia a visão do escritor. Apesar de, obviamente, não ser necessário o uso de substâncias químicas para escrever, inúmeros escritores parecem precisar usar tais substâncias. Seria consequência da ansiedade daqueles que questionam o mundo a seu redor, por isso sentem a necessidade de escrever, e assim também a necessidade de se entorpecer de alguma forma? Bem, cada um usa drogas por seus próprios motivos, e não é válido julgar que é exatamente por esta ou por outras razões, mas o certo é que há uma forte presença do uso das drogas entre os escritores.

As drogas desde há quase um século, pelo menos, tem sido um assunto de rejeição social. Nem sempre foi assim, no entanto. Desde os primórdios, a humanidade faz uso dessas substâncias, e somente no último século devido a aspectos legais a proibição veio a ser a tônica do discurso popular e científico. O abuso de drogas (incluindo o álcool) pode ser diretamente relacionado com o sucesso de alguns dos escritores mais admirados do mundo. Ernest Hemingway é amplamente conhecido como um alcoólatra desesperado e trágico; Aldous Huxley defendia o LSD (a banda The Doors leva o nome de seu livro “The Doors of Perception”); Edgar Allan Poe e Lewis Carroll foram alguns dos consumidores de ópio da literatura. Sir Arthur Conan Doyle foi um famoso viciado em cocaína, cujas condições de usuário ele transfere para seu personagem mais ilustre, o detetive Sherlock Holmes.
Sobre a cocaína, cita-se Sigmund Freud e seu entusiasmo com a substância, da qual foi um defensor, e provavelmente um usuário durante toda sua vida; ainda assim, um dos mais brilhantes sujeitos de todos os tempos. Jean-Paul Sartre é lembrado também pelo uso de drogas, entre as quais corydrane. Segundo a biógrafa Annie Cohen-Solal, ele acordava com uma xícara de café e um tablete de corydrane, depois quantos mais fossem necessários enquanto durasse a escrita.

A literatura mundial seria provavelmente bem mais pobre se os escritores fossem disciplinados. Pó branco, cogumelo mágico ou erva maldita, as drogas resultaram em liberação para muitos autores. E perdição. Os poetas românticos foram os primeiros a explorar o misterioso mundo do inconsciente. Os “Hinos à Noite” de Novalis nasceram sob o efeito do ópio. Também o escocês Robert Louis Stevenson inventou num delírio alucinótico a dupla personalidade de seu “O Médico e o Monstro”. E, na França, um grupo de poetas / escritores - Charles Baudelaire, Théophile Gautier, Victor Hugo, Charles Baudelaire, Honoré de Balzac, Alexandre Dumas etc. -  criou um “Clube do Haxixe”. A experimentação com alucinógenos, visando escrever melhor, levou muitos autores à dependência. Como prova o caso de Benjamin von Stuckrad-Barre, celebrado literato pop de nossos dias. Em entrevista a um jornal, em 2004, ele reconheceu como chegou à beira do abismo, através do consumo de cocaína, esperando recolher material para um romance borbulhante de vida. Até reconhecer – ainda a tempo: “Meu instrumento de trabalho, o cérebro, está em jogo”. Outros não acharam mais a saída para a dependência: Georg Trakl, Klaus Mann, Hans Fallada, Jack Kerouac, Irmgard Keun, Joseph Roth etc. Esses e muitos outros autores morreram em consequência do consumo excessivo de álcool ou narcóticos. Friedrich Glauser, morto pela morfina aos 42 anos de idade, não se iludia: “Todas as justificativas inventadas para justificar o vício são muito bonitas do ponto de vista literário ou poético. Concretamente, é uma desgraça. Pois a pessoa se arruína, a si e a sua vida.” Segue uma lista com alguns escritores que usaram drogas.

 
ALDOUS HUXLEY
(1894 - 1963. Godalming / Reino Unido)

O autor do famoso “Admirável Mundo Novo” considerava o LSD e outros alucinógenos como portais para percepções espirituais profundas, místicas. Ele escreveu “As Portas da Percepção”, na qual descreve experiências com o uso de drogas como o ácido lisérgico, a mescalina, entre outras. Huxley disse, em uma entrevista à Paris Review, em 1960, que, indiretamente, o uso de tais substâncias pode ajudar no processo criativo, mas não de forma que alguém possa dizer “agora vou tomar um ácido para escrever um poema brilhante”, isso ele não acreditava que funcionasse. Quando estava nos estágios finais de um câncer na garganta, escreveu um bilhete para a esposa pedindo-lhe para injetá-lo com 100 mg de LSD. Foi o que ela fez, e ele morreu pacificamente dentro de algumas horas.

CARLOS CASTANEDA
(1925 – 1998. Cajamarca / Peru)

Um dos autores mais lidos e mais famosos ao redor do mundo. No entanto, pouco se sabe sobre sua vida pessoal. O autor de “O Poder do Silêncio” sempre teve o cuidado de resguardar-se das pressões contraditórias e desencontradas da sociedade de consumo. Ele mantinha uma cuidadosa cortina de desinformação em torno da sua pessoa. Somente em língua portuguesa, os livros de Castaneda venderam até 1998 cerca de 600.000 exemplares. No mundo,  o total ficava entre dez e vinte milhões de volumes. Mas não recebeu apenas aplausos. Era conhecido como o “guru das drogas”, principalmente das plantas psicotrópicas. Numa entrevista, disse: “Paguei um alto preço, meu corpo ficou debilitado, e precisei de muitos meses para recuperar-me. Sofria de ansiedade e funcionava a um nível muito baixo. Se tivesse me comportado como um guerreiro, aceitando a responsabilidade, não teria sido necessário tomá-las.” O escritor usava peiote (cacto que causa alucinações).

CARSON MCCULLERS
(1917 – 1967. Columbus, Geórgia / EUA)

Ela não teve uma vida nada fácil. Um marido suicida, o alcoolismo e vinte anos com o lado esquerdo paralisado. Seus livros, a começar por “O Coração é Um Caçador Solitário”, que escreveu aos 23 anos, e foi inesperado sucesso de público e crítica, contam histórias de personagens vivendo à margem da sociedade. Alguns porque não conseguem se adaptar, outros porque têm algum tipo de deformidade física ou moral. Morreu de alcoolismo, enrolada num cobertor, em uma cadeira do convés de um navio.

CHARLES BAUDELAIRE
(1821 – 1867. Paris / França)

Famoso por sua poesia ligada ao vinho e às drogas, escreveu “Paraísos Artificiais”, na qual narra sobre as experiências geradas pelo uso do haxixe, ópio e vinho. Inclusive, fez parte de um grupo chamado “Clube do Haxixe”, que se reunia, obviamente, para usar haxixe. Baudelaire narra, de forma lírica, em sua obra, diversas formas como o haxixe, o ópio e o vinho, mas principalmente o haxixe, pode ampliar a percepção do artista, iluminando sua inteligência. Porém, no fim do livro, ele condena o uso de substâncias como auxílio à criatividade, dizendo: “Aquele que puder recorrer a um veneno para pensar, em breve não poderá mais pensar sem o veneno. É possível imaginar o terrível destino de um homem cuja imaginação paralisada não soubesse mais funcionar sem o recurso do haxixe ou do ópio?”

CHARLES BUKOWSKI
(1920 – 1994. Andemach / Alemanha)

O próprio já dizia: “Beber é algo emocional. Faz com que você saia da rotina do dia-a-dia, impede que tudo seja igual. Arranca você pra fora do seu corpo e de sua mente e o joga contra a parede. Eu tenho a impressão de que beber é uma forma de suicídio onde você é permitido voltar à vida e começar tudo de novo no dia seguinte. É como se matar e renascer. Acho que eu já vivi cerca de dez ou quinze mil vidas.” Em suas obras há muitas referências ao álcool, assim como à maconha, apesar do escritor ter dito ser contra o uso de drogas, ele gostava realmente era de beber, de beber muito, inclusive defende o uso do álcool abertamente, dizendo que se não fosse a bebida, provavelmente teria se matado.

DYLAN THOMAS
(1914 - 1953. Swansea / País de Gales)

Sua poesia era pontuada por temas como as tradições célticas, as convenções das Sagradas Escrituras, o surrealismo britânico. Com o êxito de vendas de seus livros, vêm também o alcoolismo e os constantes débitos financeiros. De seus livros jorram densas emoções e paixões intensas. Aos 35 anos de idade mudou-se para os Estados Unidos, tornando-se uma lenda graças a embriaguez habitual, dramaticidade e romantismo incurável. Ele se transforma em um mito para os poetas que integram o conhecido Movimento Beat. Sua influência se estendeu até mesmo à esfera musical, marcando o gênero pop. Robert Allen Zimmerman assumiu o pseudônimo Bob Dylan como uma forma de prestar homenagem ao poeta do País de Gales. Morreu aos 39 anos, vítima do álcool. Pouco antes de falecer, já com a saúde abalada, teria consumido 18 doses de uísque.

EDGAR ALLAN POE
(1809 – 1849. Boston, Massachusetts / EUA)

O escritor passou por diversos dilemas sérios no decorrer de sua vida, e entre eles (ou talvez em decorrer deles) estavam a dependência do álcool e do ópio. Poe inclusive mostra, em alguns de seus contos como “Berenice” e “Ligéia”, protagonistas dependentes do ópio. O escritor também usava láudano (uma combinação que mistura ópio, álcool, morfina e codeína), e foi isso que utilizou em sua tentativa de suicídio, em 15 de novembro de 1848, um ano antes de sua morte.

EDNA ST. VINCENT MILLAY
(1892 – 1950. Rockland, Maine / EUA) 

Poeta e dramaturga, vencedora do Premio Pulitzer de poesia, conhecida pelo seu estilo de vida boêmio, pouco convencional para a época, e pelos seus casos amorosos. Era bissexual e bebia sem limites.

ELIZABETH BARRETT BROWNING
(1806 – 1861. Coxhoe / Reino Unido)

Autora de “The Seraphim and Other Poems” (1838) e “Poems” (1844), entre outros livros, tinha uma doença misteriosa e o seu tratamento com láudano lhe deixou com a saúde ainda mais debilitada, levando-a à morte.

ERNEST HEMINGWAY
(1899 – 1961. Oak Park, Illinois / EUA)

Quando falam de Hemingway, muitos o associam facilmente à bebida. São diversas as frases do escritor relacionadas ao assunto, como: “Eu bebo para tornar as outras pessoas mais interessantes” ou “Para conviver com os tolos, um homem inteligente precisa beber”. Suas bebidas preferidas eram o absinto, rum, mojito e também uma versão especial de daiquiri, que hoje é chamada de “Special Hemingway”. O escritor, que bebia excessivamente em decorrência da depressão (ou vice-versa), suicidou-se em 1961.

F. SCOTT FITZGERALD
(1896 – 1940. Saint Paul, Minnesota / EUA)

Principal cronista da vida da alta sociedade dos Estados Unidos nos anos 1920, por ele definida como “Era do Jazz”. Pelo estilo de vida farrista, torna-se uma espécie de ídolo da chamada “Geração Perdida”, que proclama a falência do sonho norte-americano de uma sociedade harmônica. Em 1925 escreveu “O Grande Gatsby”, que hoje é considerado sua obra-prima, mas na época vendeu muito pouco. Também escreveu roteiros para filmes de Hollywood. Enfraquecido pelo álcool, tentou duas vezes o suicídio, morrendo jovem.

GÉRARD de NERVAL
(1808 – 1865. Paris / França)

Poeta romântico que fez parte do círculo boêmio de Charles Baudelaire. O grupo ficou famoso pela criação artística e por realizar experiências com drogas. A sua obra poética é marcada por atmosfera simbolista, que em parte reflete seu fascínio pelos sonhos (que considerava como viagens para “outra vida”). Apesar do grande talento e sensibilidade, era mentalmente instável e foi internado em sanatório durante episódios psicóticos. Suicidou-se após uma longa luta contra a esquizofrenia.

JOHANN WOLFGANG von GOETHE
(1749 – 1832. Frankfurt am Main / Alemanha)

Romancista, dramaturgo, poeta e filósofo, fez parte dos movimentos literários romantismo e expressionismo. Sua grande obra foi “Fausto”, escrito em 1806. Baseada numa lenda, relata a vida de Dr. Fausto, que vende a alma para o diabo em troca de prazeres, riqueza e poderes ilimitados. Goethe utilizava ópio diariamente.

HENRI MICHAUX
(1899 - 1984. Namur / Bélgica)

Escritor, poeta e pintor, explorou o eu interior e o sofrimento humano através de sonhos, fantasias e experiências com drogas. Usava mescalina, uma droga que altera a percepção do tempo e cria alucinações visuais. Nos anos 1960 fez um filme sobre o haxixe e a mescalina.

HONORÉ de BALZAC
(1799 – 1855. Tours / França)

No século XIX, o haxixe virou moda entre intelectuais franceses. Eles se reuniam para fumar essa forma mais concentrada da maconha e pesquisar os efeitos da droga. Balzac foi um deles. Sua obra máxima, “A Comédia Humana”, é composta de 89 romances, novelas e histórias curtas.

HUNTER S. THOMPSON
(1937 – 2005. Louisville, Kentucky / EUA)

Para além do jornalista e escritor, ele ficou conhecido pelo consumo intensivo de bebidas alcoólicas, LSD, mescalina e cocaína, entre outras substâncias. Também era conhecido seu amor às armas de fogo e o ódio a Richard Nixon. Sofrendo graves problemas de saúde, cometeu suicídio aos 67 anos. Seu forte apreço pelo álcool lhe rendeu a fama de ter sido o fundador do jornalismo Gonzo, expressão que significa algo como “o último homem a permanecer em pé após muita bebida”, e como se isso não fosse o suficiente para colocá-lo com louvor nesta lista, ele até chegou, certa vez, a dizer: “Eu odeio recomendar drogas, álcool, violência, ou insanidade para qualquer um, mas isso tudo sempre funcionou comigo.”  Seu mais famoso livro, “Medo e Delírio em Las Vegas”, foi o resultado de uma matéria que ele ficara de fazer para uma revista, porém gastou o dinheiro em drogas e bebidas, e acabou escrevendo, em vez da matéria, um relato sobre seu entorpecimento.

JACK KEROUAC
(1922 – 1969. Lowell, Massachusetts / EUA)

Um dos maiores escritores da famosa Geração Beat, escreveu muito vezes sob efeito de drogas. Seu amigo, o poeta Allen Ginsberg, comentou que o próprio Kerouac disse que sentia que conseguia escrever com mais facilidade dessa forma. Muitos de seus romances, entre eles, o aclamado “Pé na Estrada / On the Road”, foram escritos sob a influência de benzedrina, entre outras drogas. Também bebia muito, o que pode ser considerado um suicídio lento, uma vez que o escritor chegou a declarar que, por ser católico, não podia cometer suicídio, mas podia beber até a morte. E foi o que ele realmente fez: sofreu uma hemorragia de varizes no esôfago, o que o levou a fazer 26 transfusões de sangue, e foi em virtude do alcoolismo que morreu.

JAMES ELLROY
(1948. Los Angeles, Califórnia / EUA)

Ícone da literatura policial. Teve a mãe assassinada, num crime sem solução. Praticou pequenos furtos e delitos, vivendo em meio a problemas policiais. Utilizava drogas como o benzedrex, e álcool, muito álcool.

JEAN COCTEAU
(1889 – 1963. Maisons-Laffitte / França)

Poeta, romancista, cineasta, designer, dramaturgo e diretor teatral, abandonou-se ao vício do ópio. O consumo da droga e os seus esforços para deixá-lo afetaram profundamente o seu estilo literário. O seu livro mais famoso, “Os Meninos Diabólicos”, foi escrito numa semana durante uma dolorosa tentativa de abandonar o ópio. Em “Ópio, Diário de Uma Desintoxicação”, narra a experiência da sua recuperação do vício. O relato, que inclui vívidas ilustrações a tinta, alterna entre as suas experiências diárias de ressaca da droga e comentários sobre a sociedade e os acontecimentos do mundo.

JEAN-PAUL SARTRE
(1905 – 1980. Paris / França)

O escritor e filósofo era viciado em uma substancia que alucinou muitos hippies nos anos 1960: a mescalina. Começou a consumi-la em 1935 e, a partir desse momento, libertou-se dos famosos “bloqueios de escritor”. A mescalina teve papel fundamental enquanto escrevia seu livro mais conhecido, “A Náusea”. Como efeitos secundários, era acossado pela alucinação de lagostas que o perseguiam por todos os lados, referindo-se a elas como “minhas pequenas”. Era também viciado em anfetaminas.

JIM CARROLL
(1949 – 2009. Nova Iorque / EUA)

Autor de “Diário de Um Adolescente” e músico punk rock, chegou a se prostituir para manter o vício em heroína.

JOHN KEATS
(1795 – 1821. Londres / Reino Unido)

Viciado em ópio, sua poesia recria devaneios e visões experimentadas durante transes do narcótico. Faleceu muito cedo, aos 25 anos, deixando uma vasta coleção de obras poéticas.

KEN KESEY
(1935 – 2001. La Junta, Colorado / EUA)


Autor do famoso “Um Estranho no Ninho”, fazia usos de LSD, mescalina, cocaína, peiote, entre outras drogas.

LEWIS CARROLL
(1832 – 1898. Daresbury / Reino Unido)


Todo mundo conhece “Alice no País das Maravilhas” (1865), que virou filme, peça de teatro e o que mais se possa imaginar. Seu autor, um professor de matemática da Universidade de Oxford, usava drogas alucinógenas e isso influenciou muito o livro, que tem uma narrativa surrealista onde tudo pode acontecer. Uma obra muito divertida, fantástica, e ao mesmo tempo maluca.

LORD BYRON
(1788 – 1824. Londres / Reino Unido)
 
Célebre e belo poeta romântico envolvido em escândalos. Tinha título de nobreza, vida dissoluta, rebeldia, amores bissexuais (entre esses, uma ligação incestuosa) e usava ópio. Porém, toda essa vida conturbada é deixada de lado quando nos deparamos com seus maravilhosos poemas e por sua incontestável qualidade.

PAULO COELHO
(1947. Rio de Janeiro, RJ / Brasil)

Nem sempre foi um “mago de luz”, e durante o período que se dedicou ao satanismo, numa época dark, o popular autor fez uso de vários tipos de drogas, entre elas cocaína, LSD e maconha.

PHILIP K. DICK
(1928 – 1982. Chicago, Illinois / EUA)

Autor de ficção científica, muito produtivo nos anos 1960, usava alucinógenos, entre eles semoxydrine.

ROBERT LOUIS STEVENSON
(1850 – 1894. Edimburgo, Escócia / Reino Unido)

Escreveu “O Médico e o Monstro” em seis dias e seis noites num frenesi de cocaína.

SAMUEL COLERIDGE
(1772 - 1834. Ottery St. Mary / Reino Unido)

Láudano e ópio eram as drogas preferidas do autor de “A Balada do Velho Marinheiro”, um dos poemas épicos mais fortemente influenciado pelo uso de drogas. Ele pertencia ao mesmo círculo social de Quincey, que chegou a escrever um ensaio sobre Coleridge e seu uso excessivo de ópio.

STEPHEN KING
(1947. Portland, Maine / EUA)

O mais famoso escritor de terror contemporâneo diz não se lembrar muito bem de como escreveu alguns de seus livros, pois na época  - de 1979 a 1987 - andava mal por conta do uso de cocaína e álcool. Seu alcoolismo é até refletido em sua mais célebre obra, “O Iluminado”, na qual Jack Torrance mostra ter problemas com bebidas. Com a agravação do vício, sua família e amigos interviram e desde então ele está sóbrio.

TENNESSEE WILLIAMS
(1911 – 1983. Columbus, Mississipi / EUA)

Vencedor do prêmio Pulitzer, suas obras tornaram-se clássicos, referências essenciais para atores e amantes do teatro no mundo inteiro. Era alcoólatra e tinha dependência química de anfetaminas e barbitúricos. Foi encontrado morto num quarto do Hotel Elysée, em Nova York.

THOMAS de QUINCEY
(1785 – 1859. Manchester / Reino Unido)

Sua autobiografia chama-se “Confissões de Um Comedor de Ópio”. Também usava láudano. Quando estava sem se entorpecer, sua produção literária decaia, o que demonstra a importância das drogas em sua vida. Baudelaire foi fortemente influenciado por ele, e em “Paraísos Artificias” há diversas citações da biografia deste.

TRUMAN CAPOTE
(1924 – 1984. Nova Orleans, Luisiana / EUA)

Morreu por causa dos vícios (álcool, cocaína e barbitúricos). Sua vida foi polêmica. Pai do romance de “não ficção”, criou um novo gênero literário. Algumas de seus livros foram levados para o cinema. Possuía uma língua afiada e provocativa, cultivando a imagem de escritor maldito. Ele inventou até um “Cocktail Capote”, uma mistura de álcool e barbitúricos. O consumo de álcool o levou a ter muitos problemas pessoais, além de outros com a polícia, que o deteve várias vezes por dirigir bêbado.

W. H. AUDEN
(1907 – 1973. York / Reino Unido)

Sempre referido como um dos grandes nomes da poesia do século XX, o poeta era alcoólatra e viciado em benzedrina (atua como estimulante no sistema nervoso central).

WILLIAM FAULKNER
(1897 – 1962. New Albany, Mississipi / EUA)

Em 1954, esteve no Brasil, quase sempre bêbado. Certo dia, segundo uma das versões, teria perguntado: “O que estou fazendo em Chicago?” A história de sua visita ao Brasil, quatro anos depois de ter recebido o Nobel de Literatura, é contada, de modo romanceado, no livro “Dias de Faulkner”, de Antônio Dutra. “As ferramentas de que preciso para meu trabalho são papel, tabaco, comida e uísque”, costumava dizer. Viveu episódios terríveis de alcoolismo e foi submetido à terapia do choque elétrico para se curar da depressão. Morreu de um ataque cardíaco induzido por doses exageradas de bourbon.

WILLIAM S. BURROUGHS
(1914 – 1997. San Luís, Missouri / EUA)


Para começo de conversa esse cara escreveu um livro chamado “Junkie”, entre outros clássicos de temática semelhante sob o efeito de drogas. Viciado em heroína e eukodol, era um escravo dessas substâncias, chegando a escrever com as agulhas enfiadas no braço. No entanto, estava bêbado, e não chapado, quando atirou em sua esposa, matando-a, enquanto brincava de “Guilherme Tell” com uma arma carregada.