dezembro 01, 2013

.......................................... A SIMPLICIDADE É UM DIAMANTE



Ilustrações: DAMIEN HIRST


Por vezes, na vivência europeia de muitos anos, sentia nostalgia. O fato de encontrar-me fora do Brasil contribuía para reforçar um sentimento terno de pertencer à esse país. Tomado por febres românticas, sonhava com praias banhadas por águas mornas, a exuberância da Mata Atlântica, crepúsculos tropicais, chuvas pesadas, mangas encarnadas, acarajé, água de coco verde etc. O Brasil sempre foi uma grande história de amor. Por prazer, hábito ou necessidade espiritual. Entre uma entrevista e outra, um livro e outro, emocionado, voltava à terra amada. Além do coração, aguardavam-me também as sombras do mal protegendo corruptos e desalmados.

O Velho Continente refinou-me, alargou horizontes. Circulei em famosos festivais de cinema, participei de encontros literários, conheci escritores célebres, castelos medievais e palácios barrocos, tomei banho de sol às margens do Rio Sena, dormi inúmeras noites na germânica Floresta Negra, frequentei a Tate Gallery e o Louvre, ouvi a música épica de Richard Wagner na Baviera, concertos de Nina Simone, espetáculos de Pina Bausch e Robert Wilson. Enfrentei duras provas, algumas vertigens, solidões, terremotos do coração. Fazendo o mel de inumeráveis encontros e desencontros, numa aventura nada heroica, sem me levar demasiado a sério, aprendi que o requinte não só beneficia e um belo dia voltei ao Brasil. Em busca de perfumes, encantos sedosos e cumplicidades guarnecidas, terminei por encontrar a simplicidade. Não deixa de ser um tesouro. Afinal, como escreveu um dos meus escritorores favoritos, Paul Bowles: “A simplicidade é um diamante”.



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