março 10, 2012

................................................................... A LITERATURA


max ernst


Viajando no “baú de guardados” encontrei uma crônica de juventude, lá pertinho do comecinho de tudo. Na época, eu publicava semanalmente crônicas em um jornal grapiúna. Unicamente como exercício literário. Textos curtos polêmicos ou líricos, atualmente agrupados em livro inédito, “A Língua Apunhalada”, no capítulo “Crônicas Grapiúnas”.

A LITERATURA

Antonio Nahud
(1993)

A literatura é um território inesgotável de emoções. O mais puro deleite para um coração por vezes esgotado e intolerante. Existem pessoas que aprendem a viver acompanhando telenovelas, outras constroem o seu caráter mergulhando na linguagem de Dostoievski ou Hermann Hesse. Na adolescência, costumava levar dois ou três livros como companheiros de acampamentos (em Olivença, Morro de São Paulo, Trancoso, Barra Grande, Itacaré etc.). O professor de literatura Ruy do Carmo Póvoas e o jornalista-ator Gideon Rosa foram os primeiros a me incentivarem ao hábito de ler. Logo a seguir, surgiu a poeta Genny Xavier na minha vida, passando a amar a lírica. Se bem que ela admirava Drummond e eu a técnica seca de João Cabral. Juntos escrevemos a peça bucólica “O Mundo Visto Através dos Olhos de Duas Mulheres Pálidas”. Uma bela amizade que perdura até hoje. Graça Viana e Kátia Vieira, funcionárias da Ceplac em sua fase áurea, apresentaram-me suas fantásticas bibliotecas. O saudoso jornalista Luis Wilde revelou-me inúmeros escritores de vanguarda, e com a intimidade literária, apaixonei-me por personagens do calibre de Werther, Ofélia, Heathcliff, Ana Karenina, Carmem, Gregor Sansa e Giovanni. Cercado de livros por todos os lados, pergunto o que me leva a viver amancebado às palavras? O que significa escrever da juventude à maturidade? Talvez escreva, por assim dizer, para agradar. É isso que, de certo modo, todo escritor faz. Sou um ser seduzido pela literatura, homem viciado em papéis, celulóide e imaginação. Encontro emoção e bons sentimentos ao ler um livro, ver um filme, ouvir uma música ou escrever um texto. Mereço perdão, caro leitor?

escultura de giorgio vigno

2 comentários:

angela disse...

Caro amigo, muito interessante sua reflexão e penso que este amor pelas palavras tem várias vertentes. Podemos amar ler e ter os personagens e as situações e a geografia, etc como companheiros por um bom tempo e isso ser tão intenso que (não deixe que me escutem) que equivale a uma experiência, filmes e peças de teatro podem produzir isso também, mas são mais rápidas. Escrever já é "sair" do corpo e entrar em outro ou outros é uma muito mais complexo....imagino eu. As outras artes tenho que pensar...rs
È só algumas idéias amigo, estou longe de ser uma teórica, sou só alguém que também gosta de ler.
beijos

annastesia disse...

Bela crônica dos primórdios Antônio! A literatura realmente é apaixonante e é um "mundo" onde nós, ávidos por cultura, nos aventuramos com imenso prazer. Abraços!