abril 15, 2012

..................................................... SUBINDO POR ONDE SE DESCE

salvador dali

Amálgama de coisas e pessoas distintas, metafórico, contraditório, cúmplice, desajeitado, ambíguo, romântico, preocupado com os deserdados, selvagem e, segundo o escritor Caio Fernando Abreu, lembro o ator John Gavin.

Incapaz de lembrar razoavelmente do passado. Vivo o hoje. Canto desafinado, cozinho com paixão, digito mal, dirijo pior ainda. Choro vendo filmes sobre a II Guerra Mundial. Adolf Hitler me tira do sério. Não assisto tevê. A favor da família, da eutanásia, do aborto, do suicídio, do casamento homossexual, e principalmente da tolerância e do amor. Racistas, pedófilos, fanáticos e preconceituosos merecem exílio eterno num satélite russo.

Tenho repulsa ao espírito irônico. Não entendo piadas, não sou patriota e abomino fronteiras - o mundo deveria ser para todos. Apaixonado pela fauna e flora. Falo idiomas. Corpo fechado, filho de Oxóssi, geminiano, e sempre, quase sempre gentil. Medito, orações católicas, mantras budistas, incensos, sal grosso, banho de manjericão. Jamais tive ídolos, nem mesmo escritores.

Música, sempre: dependendo da disposição, jazz, bossa-nova, rock psicodélico, erudita, samba. Não tenho senso de direção, nunca sei o caminho de volta. Acredito em vultos, entidades, sussurros na escuridão. Subo em escadas rolantes que descem. Caminhei no Saara, dormi em aldeias perdidas nos séculos, conheço um pouco do mundo. Cavalgo com algum charme e me ajoelho diante do esplendor da visão artística. É o que me salva.

Estrelas cadentes, trovões, raios, chuvarada boa: deixam-me aceso de felicidade. Falo sozinho. Converso com árvores, abelhas, felinos, flores, colibris, vagalumes. Acredito em extraterrestres, sereias, dragões, anjos (alguns caídos). Mar e rio, castelos góticos e aventuras poéticas. Anti shopping-center. Corto-me – sempre! - ao fazer a barba. Poderosos homens de negócios merecem umas boas bofetadas, assim como muitos políticos. Coleciono filmes clássicos e emoções baratas aprisionadas em diários.

Perfumado noite e dia. Amizade fértil e generosidade me comovem. Meio maluco, mas sempre amei os doidos. Pra mim, sempre, manga, abacate e mamão; cebola, cominho e alho. Vinho tinto, seco, de outras terras. Jogo quest, palavras cruzadas, xadrez, tarôt, I Ching. Mané, zoado, polêmico, criativo, mafioso, dócil, poeta: Antonio Nahud, muito prazer.

4 comentários:

Anônimo disse...

Do lugar na mente de onde partem as palavras em direção a onde se formam as sentenças, há um abismo onde, de fraquesa, tem despencado tudo: A fala, a escrita a expressão. Mas de um esforço tremendo _ pois é demasiado evidente _ extraio: és incrivel.

Ligéia disse...

Sem palavras...


beijo!

Ligéia disse...

Esqueci de dizer: Muito em (in)comum.

beijo!

João Roque disse...

Que adorei o "teu retrato"!!!