novembro 06, 2011

.............................................................................. VERGONHA

goya
Os anos 1960 passaram para a história como uma época de inovação e inquietude, influenciando radicalmente mudanças de comportamento. A palavra de ordem era "quero que vá tudo pro inferno". Tempo de cabelos longos, roupas coloridas, misticismo oriental, música rebelde e drogas alucinógenas. A moda era não seguir a moda, representando um conceito de liberdade, de sociedade underground, à margem do sistema oficial. Foi a década da minissaia criada pela estilista inglesa Mary Quant, da pílula anticoncepcional, do sexo livre, de movimentos civis em favor dos negros (Black Power), da homossexualidade (Gay Power) e da libertação feminina (Women`s Lib); da contestada guerra do Vietnã, dos hippies pregando a paz e o amor; da Revolução Cultural na China, da Primavera de Praga; dos Beatles, de Jimi Hendrix, Janis Joplin e da música de protesto, com Bob Dylan e Joan Baez à frente; do Concorde viajando em velocidade superior à do som, das excursões à Lua; de ícones da beleza natural como as atrizes Jean Seberg, Anouk Aimée e Jane Fonda, ou modelos como Twiggy e Veruschka; de John F. Kennedy, Che Guevara e Martin Luther King; do cinema de Jean-Luc Godard, Glauber Rocha e Michelangelo Antonioni; do impacto da Arte Pop; das idéias e dos livros de Sartre, Simone de Beauvoir, Carlos Castañeda e Hermann Hesse; dos transplantes de coração; da Nouvelle Vague e do Cinema Novo, de “Hair” e do Teatro Arena; do Movimento Tropicália com Tom Zé, Torquato Neto e Os Mutantes; do festival de Woodstock, reunindo cerca de 500 mil pessoas em três dias de música, sexo, LSD e haxixe. No Brasil, vivia-se à sombra de uma ditadura militar e de um capitalismo troglodita. Essa ditadura arruinou famílias e carreiras, torturando e matando sem piedade de 1964 a 1985. Caracterizou-se pela censura, perseguição política e repressão. A crise se arrastava desde a renúncia do presente Jânio Quadros, em 1961. O vice de Jânio, João Goulart, assumiu a presidência com um populismo de esquerda. Temendo uma guinada do Brasil para o socialismo, os conservadores organizaram uma manifestação contra Jango, reunindo uma multidão pelas ruas do centro da cidade de São Paulo, na chamada “Marcha da Família com Deus pela Liberdade”. Para evitar uma guerra civil, Jango covardemente abandonou o cargo, refugiando-se no Uruguai. Os militares tomaram o poder. Com o Golpe, decretou-se o Ato Institucional Número 1 (AI-1), cassando mandatos políticos de opositores ao regime vigente. O general Castello Branco, eleito presidente pelo Congresso Nacional, dissolveu os partidos políticos. A partir de 1967, com o general Costa e Silva no poder, a UNE (União Nacional dos Estudantes) organizou, no Rio de Janeiro, a “Passeata dos Cem Mil”; greves de operários paralisaram fábricas; a guerrilha urbana se organizou, assaltando bancos e seqüestrando embaixadores para obter fundos para a luta armada. Resultou no Ato Institucional Número 5 (AI-5), aumentando ainda mais a repressão militar e policial. Em 1969, com um novo presidente, outro general, Emílio Garrastazu Medici, uma severa política de censura controlou jornais, revistas, livros, peças de teatro, filmes, músicas e outras formas de expressão artística. Milhares de professores, estudantes, políticos e artistas foram investigados, presos, torturados, assassinados ou exilados. A ordem era calar a boca de qualquer opositor ao regime tirano. Para espionar os cidadãos, criou-se o SNI (Serviço Nacional de Informações). O DOI-Codi (Destacamento de Operações e Informações e Centro de Operações de Defesa Interna) atuava como núcleo de investigação e repressão desse governo. A polícia aniquilava passeatas com cassetetes e gás lacrimogêneo, recebendo como resposta, pedras, bolas de gude (contra a cavalaria da PM), coquetéis molotov e idealismo. Nas escolas, o clima era de exaltação a pátria, ensinando-se que os perseguidos eram antipatriotas. A propaganda vendia um Brasil maravilhoso. Nos vidros dos carros, os adesivos diziam: “Brasil - Ame-o ou Deixe-o!”. Uma mentira infame. Hoje, embora não tão divulgada como se deveria, temos consciência de que essa longa ditadura militar foi uma das práticas políticas mais abomináveis da nossa história. Uma vergonha.

"Guernica", de Pablo Picasso

6 comentários:

CANTO GERAL DO BRASIL (e outros cantos) disse...

Antônio,
Trago-te lá do CANTO GERAL DO BRASIL (e outros cantos):

SER OU NÃO SHAKESPEARE

É preciso ler Shakespeare,
Ser Shakespeare não é preciso.

(Pedro Ramúcio)

*

Abraço mineiro,
Pedro Ramúcio.

Valério de Magalhães disse...

Parabéns, Antonio.

Diogo Takeshi disse...

Oi Antônio,

Eu não tive tempo de ler seu blog todo, mas o que eu li me agradou muito! Inclusive vou segui-lo.

Grande abraço!

David Arioch disse...

Vou ler o blog com mais profundidade, depois dou um parecer hehe...

Margot Ferreira disse...

O visual o seu blog é impactante e de muito bom gosto. O conteúdo eu leio depois e com calma.
Vai também no meu site e dê a sua opinião.
www.coresenomes.com
Se gostar divulgue!
Abs

Dalma Gurgel disse...

gosto do blog de modo geral, não sinto vontade de parar de ler tudo que tem por aqui!
parabéns pela excelência.
Bjss