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| Hilda Hilst |
A dramaticidade da Casa do Sol (foto ao lado) se confundia com prospecções filosóficas sobre o tempo, a morte, o amor, Deus. As paredes intensas, rosadas, manchadas e úmidas, respiravam a solidão compartilhada e a grandeza literária, protegendo o fabuloso destino de sua moradora, uma das protagonistas fundamentais da paisagem intelectual brasileira do século 20. Fotografei Hilda dezenas de vezes em sua sozinhez, registrando a anatomia de um corpo idoso, flácido, de rugas em tom acobreado. Onde a formosura da juventude lembrando Ingrid Bergman ou Jeanne Moreau? Avançada para a sua época, ela foi musa de artistas, poetas – Vinicius de Moraes se apaixonou por ela – e milionários. Uma mulher encantadora, livre, generosa, lúcida, sarcástica, queixosa, íntegra, culta, melancólica e apaixonada por cães. Embora tenha alcançado ampla notoriedade pessoal, mastigava o estigma de não se considerar popular, ambicionando ser lida, estudada, discutida. Numa estratégia escandalosa, chamou a atenção para a sua obra por meio de suposta adesão ao registro pornográfico. Filha de família rica do interior paulista, confessou-me episódios terríveis de sua trajetória em busca do inefável, passando por contínuos dissabores, afinal a sociedade burguesa exige o meio-termo, o disfarce, marginalizando quem milita contra a hipocrisia. Com o namorado Cássio Reis, em Paris, 1957


30 comentários:
Caro Antonio
Seu texto é um retrato perfeito, uma síntese impressionante, como se exprimisse minha própria experiência com a Hilda. (Morei dois anos na Casa do Sol.) Você colocou tudo: o estranhamento inicial, as tertúlias, o ritual diário da telenovela, o uísque, o background hilstiano que nos alcançava aos poucos e, quem diria, até mesmo uma referência às intrigas e conspirações das quais também eu, em certa medida, fui vítima. Enfim, quero parabenizá-lo pelo retrato e pedir permissão para publicá-lo, com os devidos créditos e referências (quais links?), em meu blog
http://blogdo.yurivieira.com/
e no blog do Digestivo Cultural
http://www.digestivocultural.com/
E obrigado por me ajudar a resgatar tão fortes lembranças.
Grande abraço
Yuri
Grande texto, Nahud. Eu tb viajo na literatura hilstiana!
Brevemente faremos uma homenagem a Hilda na nossa Revista Cultural, que está na praça a 11 anos e já no nº 86, e se possível, gostaria de uma colaboração sua, vc que a conheceu tão bem, a ponto de frequentar o Sítio da Casa do Sol.
Mais uma vez: Parabéns pelo belo texto.
Carlos Alberto Barreto - poeta/editor
MOVIMENTO CULTURAL ARTPOESIA - Salvador-Ba.
Antonio,
Agora, sim, estou sorrindo de uma orelha a outra (se isso é possível, mas dizem que é). Interessante, ontem eu estava lendo Hilda Hilst.
E você vem com um artigo desses, de deixar qualquer historiador louco de ciúmes com seu lado do convívio pessoal.
Só você mesmo para sentir no ar o que gosto, o que preciso para me acompanhar nessa trajetória: você. Como senti sua falta!
Beijos,
Irene
Querido e amável Antônio,
Você consegue transformar um mesmo texto em um conto, um poema, uma novela e também em filme.
Hoje ao ler seu texto, o primeiro sentimento era que estava lendo um conto, mas a frente um poema, quando passei do texto para fotos senti que estava presenciando uma novela e ao ver Hilda Hilst com o namorado veio um breve sentimento que estaria assintindo a um filme em preto branco.
Você não escreve simplesmente, você entra na alma de cada um de nós.
Beijos,
Ana Cláudia Barros
Belo texto dedicado a queridíssima Hilda de quem jamais nos esqueceremos. Obrigada pelo envio. Abraço grande . Giselda
Olá,
Achei maravilhoso!
Obrigado.
Grata Antonio, por esta bela matéria! Felicidades, Alba Liberato
Caro poeta, Antonio Nahud Júnior,
Saudações!! Ao ler seu texto a respeito de Hilda Hilst, fui convidado a uma travessia pelas veredas da "Casa do Sol"!! Ao longo desse percurso mito-poético, os versos da escritora pareciam, como música primaz, ecoar numa proliferação de ritmos e tons. Num jogo sinestésico, visualizei o rosto, o olhar e as mãos da poeta numa regência de palavras e silêncios! Aproveito o ensejo para parabenizá-lo pela convivência com, escuta e admiração pela obra e pelo ser Hilda Hilst, inquilina de Marduk!
Abraços de Adriano Eysen
também sou Hilda, e minha morada é a solidão, onde ninguém pode haver.
see you...
gosto imensamente do teu texto e é um prazer relê-lo, antonio.
hilst é incomparável!
grande abraço!
"Se te pareço noturna e imperfeita
Olha-me de novo."
Meu querido AJr.
Acima um verso da Hilda que é exatamente compatível com a descrição que você faz. Já tive a oportunidade de ouvi-lo, sempre "olhando-a de novo".
Não conheci a Hilda pessoalmente, mas, através da sua fala, é como se eu tivesse dentro de mim um pedaço da Casa do Sol...
Gosto do seu texto.
Abraço você!
Neuzamaria
www.neuzamariakerner.blogspot.com
Excelente texto. Parabéns!
e... completando...
"Se te pareço noturna
e inperfeita
Olha-me de novo.
Porque esta noite
Olhei-me a mim,
como se tu me olhasses
E era como se a água
Desejasse..."
Hilda Hilst
Não aguentei. Ela é maravilhosa.
"Que canto há de cantar o indefinível?
O toque sem tocar, o olhar sem ver
A alma, amor, entrelaçada dos indescritíveis.
Como te amar, sem nunca merecer?
Amar o perecível,
o nada,
o pó,
é sempre despedir-se."
Hilda Hilst
Beijão
Ana Amelia
Bom texto!
Pode contar comigo, Carlos Alberto.
Belo texto, aliás, como os seus demais textos. Torno-me seu leitor, como já o sou, fiel, de outro visitador de Hilda Hilst, veja lá:
www.armonte.wordpress.com
Diogo Álvares
Que experiencia magnifica deve ter sido essa!
O convívio com pessoas que somam é tão importante nas nossas vidas e nos abrem caminhos tão novos e excitantes que completam a nossa educação e abre para nós as asas da liberdade de expressão que é a essencia do escritor.
Gostei tanto da visita que voltarei.
Um grande abraço
Antonio, gostei muito das suas impressões sobre a Hilda. Parabéns... Nota 10... Uma bela semana e abraço sempre
Beleza de texto autobiográfico e, ao mesmo tempo, capaz de revelar facetas de Hilda Hilst, a poetisa mítica da contemporaineidade.
Vc. foi um felizardo, Naud, ao ter convivência com uma pessoa de tanto espectro poético e existencial.
Parabéns pelo blog.
Abraço.
Ricardo Mainieri
Arrepiante teu texto, Antônio. Grande abraço.
Muito boas! Nao sabia que voces conviveram. O blog esta otimo. Sempre visito-o. Parabens! Bj.
a Hilda é dessas pessoas que nunca se vão é literatura de sempre e para sempre
Antônio, o que dizer? Fico imaginando, antes pelo Yuri, e agora por você, o que deve ter sido conviver com Hilda, em uma casa cujo nome já aventa a possibilidade da existência real de Marduk.
Se eu tivesse a encontrado a tempo com vida, diria à ela que deixasse a busca da popularidade pra lá; que os populares geralmente são pobres de impopularidade; que a impopularidade é mais significante, afinal, me diz, que vai se atrever a estudar uma obra da do porte de Hilda diante dela?
Para mim ela é grande. Das poetas, talvez a maior, a mais ousada, e, o que tanto me agrada, filosófica na medida, fato que aliás, impele à impopularidade, porque tudo o que não se quer fazer hoje em dia - infelizmente - é pensar.
Mas o que temos com isso? Nada.
E o que ganhamos com isso? Tudo.
Fica aqui um registro de afeto no desconhecimento da pessoa dela. Gosto de Hilda como pessoa sem nunca a ter conhecido pessoalmente.
E isso é mais que poesia, ou talvez a própria poesia da vida, essa alquimia que poucos compreendem, poucos se interessam, porque de fato, os poetas de verdade são poucos, muito poucos.
Ana, concordo com você. É exatamente o que penso.
Tudo de bom,
Antônio,
Li o seu texto e me senti mais próxima do universo de Hilda, por isso agradeço. A ruptura da amizade de vocês sempre me deixou apavorada porque sou completamente apaixona por ela, pela sua ousadia e maestria com as palavras. George Pellegrini me deu "Sobre a Tua Grande Face" em 1994, desde então sou amante dos seus versos. Na verdade, sempre pensei que você pudesse, de alguma forma, se aproveitar do contato com ela para divulgar a sua intimidade compartilhada tão amiúde na Casa do Sol, confesso. Concomitantemente ao pensamento, sempre soube da sua própria grandeza e da capacidade que você tem de ser cronista dos autores, dos entrevistados ou não, cronista da literatura. Uma síntese de poeta e jornalista capaz de me arrebatar de encantamento e admiração com as notícias que mandava da Espanha, dos artistas mais raros. Você é um paradoxo: doce e ácido. Vivo nestas bifurcações da alma com relação aos dois, mas saio deste texto mais feliz, mais plena na certeza de que você contribui com o seu olhar para a nossa aproximação (de leitores apaixonados) possível com a vida e os mistérios da Poeta que me dilacera inteira e soberbamente. Um abraço, meu querido amigo e parabéns pelo texto.
Antonio, amigo. Não há como não segui-lo! hoje descobri o teu blog e agradeço vc escritor, poeta e jornalista, se debruçar sobre tantas coisas belas de se contar e pensar... o que pensar então do que conta aqui sobre tal mulher, que passou por Contos de Escarnio... e infinitas brigas com editores. Minha mãe disse: como pode gostar dessa pornografia... anos antes de nos deixar já tinha quase todos os livros dela rsss.... Abraços amigo, e estarei por aqui lendo teus posts, com muito prazer!
Parabéns pelo post!Poucos poetas foram como Hilda, provocante sensual e sofisticada!
Belíssimo blog, Antônio! Estudei a poesia de HH, especialmente o livro "Do Desejo", no Mestrado. Foi muito mágico. Quando puder, dê uma olhada no meu blog: http://poiesis13.blogspot.com/
Antonio,
Você está de parabéns pelo novo blog!
Deliciaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa
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