novembro 09, 2011

.............................................. MELANCOLIA NO REINO DA BAVIERA

ludwig II
Bizarro, estranho e hipersensível, o rei Ludwig II da Baviera (1845–1886) governou entre devaneios de soberania, derivada de um direito divino e das pressões de uma monarquia moderna. Entusiasta da arquitetura, da sua época data o Palácio de Linderhof, o Palácio de Herrenchiemsee - cópia do Palácio de Versalhes - e o Castelo de Neuschwanstein, hoje um dos principais pontos turísticos da Alemanha e inspiração do palácio da “Cinderela” de Walt Disney. Conheço todos eles, são maravilhosos! Erguidos na magnífica paisagem da Alta Baviera, decorados por horizontes delirantes obtidos por meio de destrezas teatrais, com florestas pintadas - impérios de fábulas onde as folhas das árvores são pedras preciosas. Como um autocrata de tempos antigos, Ludwig criou montanhas e geleiras cenográficas, além de estepes e desertos. À noite, sob a lua, em um lago artificial iluminado por centenas de velas, deslizavam cisnes negros e barcos sofisticados com rapazes semi-nus, enquanto a orquestra, composta por músicos escolhidos a dedo, embriagava de melodias a alma do louco real. Esse homem jovem e belo ansiava o sonho impossível de um mundo de sagrada formosura. Nascido em Nymphenburg, Alemanha, Ludwig II, príncipe da Baviera e depois rei da Baviera, Duque de Zweibrücken e Conde Palatino do Reno, não se interessava por questões políticas, levando uma existência de reclusão, ao mesmo tempo em que patrocinava espetaculares obras musicais, teatrais e arquitetônicas. Logo que ascendeu ao trono, tornou-se patrono do extraordinário compositor Richard Wagner, chamando-o para morar em sua corte, pagando suas dívidas e lhe dando uma vida confortável, como bem merecia. Pressionado pelos ministros e demais políticos para se casar e dar um herdeiro ao trono, noivou a Duquesa Sophie Wittelsbach, mas o compromisso  se desmanchou rapidamente. Os seus diários revelam uma homossexualidade latente e mal resolvida, mesmo passando a maior parte do tempo em companhia masculina, numa intimidade erótica com o fidalgo Alfons Weber, o ator Josef Kains e o estribeiro-mor Richard Horning. Destronado em conseqüência da perturbação mental, de gastos excessivos e de alianças com políticos estrangeiros indesejáveis, terminou seus dias confinado no Castelo de Berger, próximo ao Lago Starnberger, no qual morreu afogado juntamente com o psiquiatra que o acompanhava. Sua morte misteriosa, aos 40 anos, nunca foi explicada. O cineasta italiano Luchino Visconti narrou sua história conturbada no deslumbrante “Ludwig – A Paixão de um Rei / Ludwig” (1972), com 247 minutos de duração e Helmut Berger no papel principal.

castelo de neuschwanstein

2 comentários:

Jamil Jackyson Landim disse...

O cara era doido de pedra. Mas o que seria do mundo sem os doidos, né? Só os castelos que construiu e apoio que deu a Wagner e Cosima valeram sua passagem na terra.

Tom Zine disse...

Conheço o filme. Já assisti tanto que perdi a conta.Agora,como vc deu carta branca,vou publicar em meu blog. Acho que encontrei uma mina de ouro(rs.